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Teatro Romano da Cidade de Olisipo (Museu, Lisboa)

Teatro romano da Cidade de Olisipo

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Por Portugal Romano
(com base nos conteúdos do site do Museu do Teatro Romano da autoria de Lídia Fernandes, Coordenadora do Museu do Teatro Romano)
 

O teatro romano da cidade de Olisipo foi edificado nos inícios do séc. I, possivelmente em época do Imperador Augusto. Apesar de não existir qualquer inscrição que nos confirme esta cronologia, existem indícios suficientes para que seja considerada segura.

Em contrapartida, encontra-se epigraficamente documentada a remodelação do teatro ocorrida em 57 d.C., comprovada pela inscrição do muro do proscaenium que refere as obras de renovação dessa mesma estrutura, bem como da orchaestra, custeadas pelo seviro augustal Caius Heius Primus. Este tipo de financiamento de obras públicas, que é antes de mais um acto de propaganda para quem as custeia, integra-se nas correntes beneméritas habituais por todo o Império, tendo em Olisipo atingido o auge na época julio-cláudia.

A Descoberta

O Teatro romano foi descoberto em 1798, na fase de reconstrução da cidade após o terramoto de 1755. Tradicionalmente deve-se ao arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri a sua descoberta. Apesar dos seus esforços, novos edifícios foram construídos sobre as ruínas, tendo progressivamente sido esquecida a memória de ali ter existido um teatro romano.

As primeiras campanhas de escavação arqueológica iniciaram-se em 1964, com D. Fernando de Almeida e foram continuadas, entre 1965 e 1967 e por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, pela investigadora Irisalva Moita, então conservadora dos museus municipais.

Para o efeito, foram demolidos vários dos edifícios que se sobrepunham ao monumento.

Os trabalhos coincidiram com a parte principal do espaço cénico: a orchaestra, o hyposcaenium e primeiros degraus da cavea. Na ocasião foram recuperados inúmeros elementos arquitectónicos, alguns dos quais hoje em exposição no Museu do Teatro Romano.

Aspectos construtivos

Edificado a meio da encosta, na actual colina do Castelo de S. Jorge, a construção do teatro de Olisipo aproveitou o declive natural para o assentamento da parte inferior das suas bancadas. Os primeiros degraus da imma cavea foram talhados na rocha e a zona inferior – área da orchaestra e hyposcaenium – foi rebaixada, desbastando-se o afloramento rochoso aí existente. Com a matéria-prima resultante desse desbaste, foram talhados grande parte dos elementos arquitectónicos que decorariam o monumento, assim como as cantarias que formavam os degraus e as estruturas feitas em opus quadratum ou semi-quadratum. O mesmo material foi utilizado para a realização do opus caementicium, empregue neste monumento de forma intensiva.

O opus caementicium utilizava a pedra local, o biocalcarenito, conjuntamente com areia de rio, sobretudo quartzítica, formando um material de extrema coesão e durabilidade. Este cimento tem também a vantagem de ter uma produção rápida, não exigindo operários especializados e, sobretudo, de ser bastante mais económico que a utilização do opus quadratum, que obrigava ao talhe individual de cada um dos elementos.

O emprego deste material é evidente em diversas áreas do teatro de Olisipo:

degraus superiores da imma cavea;
estrutura norte do aditus maximus nascente;
infra-estrutura do teatro: muros semicirculares;
preenchimento dos espaços ocos deixados pelo afloramento rochoso;
estrutura interna do muro do postcaenium.

As campanhas arqueológicas de 2001, 2005 e 2006 possibilitaram a descoberta do enorme muro do postcaenium.

Esta estrutura tinha uma dupla função: por um lado a de suportar a fachada cénica, de cariz simplesmente decorativo, por outro, a de sustentar a colina, de grande declive, onde o teatro se implantou.

O aparecimento desta estrutura constitui um dos elementos mais importantes das últimas campanhas, permitindo esclarecer qual a solução adoptada para vencer o enorme desnível topográfico existente neste local entre a R. de São Mamede, a norte – onde se localiza o edifício cénico – e a R. Augusto Rosa, a sul – situada a cerca de16 mde profundidade em relação à rua a anterior e que deverá respeitar uma antigo traçado viário de época romana.

Foram, assim, construídos grandes patamares ou terraços, com uma orientação sensivelmente E/W, suportados por enormes muros alicerçados no próprio afloramento rochoso. Este ambicioso projecto de engenharia, alterou e marcou até aos nossos dias a topografia desta área da cidade de Lisboa, tal como pautou algumas das soluções urbanísticas aqui adoptadas.

Aspectos Decorativos

Da decoração do teatro romano de Olisipo, poucos elementos chegaram aos nossos dias. No entanto, é perceptível a diferença entre a época de fundação do teatro – inícios do séc. I – e a altura em que a orchaestra e a estrutura do proscaenium sofreram remodelações em 57 d.C, custeadas por um elemento do colégio de sacerdotes do culto Imperial. Estes actos beneméritos eram normais no Império romano, tendo as acções de propaganda realizadas no teatro romano de Olisipo, contribuído para acentuar a vocação destes edifícios públicos para tais acções.

Em 57d.C. foi inaugurado um novo frons pulpitum empregando materiais e técnicas distintas das usadas anteriormente. Também a orchaestra foi pavimentada com lajes de mármore de cor cinza e rosa (as mesmas cores das usadas no muro do proscénio), formando um padrão quadrangular.

Para a imagética decorativa foi escolhido o mármore branco. Os poucos exemplares de estatuária que sobreviveram resumem-se a duas representações de sileno e um fragmento de cabeça, possivelmente masculina. A escolha deliberada da matéria-prima a utilizar em cada um dos elementos, procurou um efeito cenográfico óbvio, de características bastante distintas do empregue na fase anterior.

Fustes de coluna e capitéis jónicos realizados em pedra local, biocalcarenito, que seriam depois estucados e pintados, abundam no local encontrando-se alguns em exposição no museu. Esta técnica decorativa foi frequentemente empregue antes da utilização generalizada do mármore e de outras pedras coloridas. Estes elementos, assim como outros elementos decorativos, como é o caso de frisos decorados com óvulos e lancetas (peças em reserva), pertencem à primeira fase de edificação do monumento.

Abandono

A partir do séc. IV o teatro de Olisipo foi abandonado, não como resultado de qualquer destruição repentina ou cataclismo, mas antes por já ter cumprido a sua função. Terão sido as mudanças de gostos e de atitudes que levaram a que estes espaços fossem lentamente abandonados. Neste período, a construção de outros edifícios públicos de carácter lúdico na cidade de Olisipo, como é exemplo o circo (séc. III/IV) edificado na actual Praça D. Pedro IV (Rossio), significa antes de mais, que a população passou a preferir divertimentos de cariz mais imediato, mais emotivos e audaciosos.

Após o abandono, o espaço do teatro foi sendo compartimentado e aproveitado para servir de habitação a uma população empobrecida, resultado das dificuldades económicas e da instabilidade social que caracterizaram a época tardo romana.

O Museu

O Museu do Teatro Romano de Lisboa, inaugurado em 2001, pretende dar a conhecer um dos monumentos mais emblemáticos da antiga cidade romana de Felicitas Iulia Olisipo. O espaço museológico é pertença da Câmara Municipal de Lisboa e está na dependência do Museu da Cidade. 

Este espaço engloba múltiplas áreas expositivas onde podem ser observados diversos testemunhos arqueológicos, quer referentes ao teatro romano quer a outras construções que foram sendo edificadas no local ao longo dos séculos.

A exposição permanente, dedicada exclusivamente ao teatro, está instalada num edifício seiscentista que pertenceu ao Cabido da Sé.

Atravessando a porta do pátio e a Rua de S. Mamede, o espaço museográfico prolonga-se pelo outro lado da rua, onde podem ser vistas as ruínas do antigo teatro romano da cidade de Olisipo.

Este último pólo museográfico culmina a viagem através de uma multiplicidade de espaços e de tempos onde a informação é dada à medida que o visitante encontra novos elementos e os visualiza in situ.

  

Museu do Teatro Romano

Pátio do Aljube – Lisboa
Lisboa
Tel: 21 882 03 20
email: museudacidade@cm-lisboa.pt
Horário
Terça a Domingo das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h
Encerra 2ª feira e feriados

Visitas Guiadas

Serviço de Animação e Pedagogia da Divisão de Museus e Palácios (Museu da Cidade) Tel. 21753156

 

Entrada
Entrada gratuita.

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Fonte: Museu do Teatro Romano em http://www.museuteatroromano.pt
Fotos de Raul Losada © 

 

About the author

Raul Losada

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