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Ponte Romana da Bemposta (Bemposta, Penamacor)

Ponte de origem romana actualmente em avançada ruína, de que resta um arco, de volta perfeita, com aduelas estreitas e compridas, em fiada irregular, quase totalmente coberto de vegetação e assente em pilares na margem em cantaria de granito de aparelho isódomo, estes regulares e bem talhados.

Ponte Romana da Bemposta, Foto de António Luís Sousa

Alguns silhares apresentam decoração geométrica. É visível ainda o enchimento que sustentaria o tabuleiro.

Durante a presença romana no actual território português terá sido construída e integrada, segundo alguns autores, na via romana que ligava Mérida a Viseu e que atravessava, no distrito de Castelo Branco, as povoação de Idanha-a-Velha, Medelim, Bemposta, Mata, Torre dos Namorados, Meimoa e Capinha.


Historial da ponte

1209 – D. Sancho I concede privilégios aos construtores de pontes na zona de Penamacor, sendo possível que tenha sofrido obras de restauro.
1758 – A ponte é referida nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo cura Manuel Marques Ribeiro, como sendo muito…

 ”(…) antiga mal reparada e principiada a demolir, he de cantaria e parte de alvenaria, no sitio chamado o da ponte desta dita villa”; 

No ano de 1963 aPonte é parcialmente destruída, quando o empreiteiro responsável pela feitura da nova ponte, começou a desmontá-la e a remover do local cantaria lavrada.

A  3 Dezembro do mesmo ano, um ofício da Direcção Regional dos Monumentos do Centro refere que a ponte havia sido parcialmente destruída, já não existindo o arco mais pequeno, tendo sido os trabalhos de desmontagem suspenso há cerca de 20 dias. A 13 Dezembro informa-se que os serviços centrais solicitam aos técnicos que avaliem a possibilidade de reconstrução.


A 4 de Março de 1964, 4 Março é efectuado o orçamento para consolidar o arco subsistente, visto não ser possível reconstruir o já destruído, era de 25.800$00.

No Século XX, década de 70 são ainda visíveis e referenciados os vestígios da calçada romana junto à Igreja Matriz o que comprovam a sua origem.

Actualmente a estrutura da ponte romana apresenta profundas fendas, sem o suporte de argamassa. Ao longo do leito da ribeira encontra-se pedras pertencentes a sua estrutura.

Envolvida numa repleta floresta de salgueiros, silvados e entulho, sem condições de dignas de visita.

Caso não exista uma rápida intervenção, acabará por desabar, um triste fim para um importante monumento da época romana na freguesia da Bemposta, Concelho de Penamacor.

Bemposta na Época Romana – gens Isibraia

Em época romana a povoação de Bemposta foi um importante centro romano. Segundo as actas e memórias do 1º colóquio de Arqueologia e História do Concelho de Penamacor, realizado em 1979, o estudo que nos revela Joaquim Candeias da Silva, refere a Bemposta como a aldeia mais rica em vestígios romanos do concelho de Penamacor, digna da maior atenção de estudos epigrafistas.

Aponta duas aras dedicadas ao Deus indígena Bandis Isibraiegvs. alvo de vários estudos relativamente ao culto de Band, esta divindade indígena da Lusitânia pré-romana, com o nome assente no radical.

O Professor José d’Encarnação, que produziu um trabalho de Síntese, relativamente a este assunto, contabilizou 28 inscrições encontradas no Ocidente Peninsular, o mesmo conclui, apenas estas duas aras referem o Deus Isibraieco: trata-se de um epíteto circunscrito à Bemposta.

Seria então Bemposta uma povoação, correspondente ao lugar à gens Isibraia ou lugar de gente do Deus Isibraecus.

O espólio epigráfico romano achado no termo de freguesia: as duas aras dedicadas a Bandis Isibraia (AE 1967, 133 e 134); a inscrição (funerária ou votiva) que refere Virius Alluqui filius (AE 1982, 475); e a ara possivelmente dedicada à divindade indígena Quangeius, por Carpas (?), filho de Tôngio (AE 1982, 476) encontram-se actualmente expostas no Núcleo Museológico da Bemposta.

Ex voto a Bandi Isibraiegui «Viriu/s Allu/ (qui) f(ilius) …» Núcleo Museológico da Bemposta

Recorde-se que foi o achamento, pela primeira vez, de duas aras dedicadas à divindade Banda (independentemente de ser esta ou outra a sua designação em nominativo), no mesmo local e ostentando o mesmo epíteto que levou D. Fernando de Almeida a propor, no já longínquo 1965, um carácter tópico para os vários epítetos por que esta divindade é conhecida. E o dativo Isibraiegui que María de Lourdes Albertos descobriu numa das aras (a terminação está na face lateral do monumento) constituiu, por seu turno, um dos primeiros exemplos do que, nos estudos linguísticos, viria a designar-se por «dativo pré-céltico».

Marcos e importantes testemunhos de epígrafes votivas,  ex-votos na atitude habitual do Homem perante os seres superiores, desde a Pré-História aos nossos dias.

Localização – Ponte Romana da Bemposta

Situa-se à saída da povoação de Bemposta, na direcção de Penamacor, sobre a Ribeira das Taliscas.
WGS84 (graus decimais) lat.: 40,068963; long.: -7,214387 
 
Núcleo Museológico da Bemposta
Capela de S. Sebastião
Rua de S. Sebastião
6090-281 Bemposta PNC
Marcação de Visitas:
Tel.: 934272067; 969655018
 
Agradecimento

O projecto «Portugal Romano» agradece-se a colaboração de António Luís  Sousa o envio das fotos para a elaboração do artigo.

Fontes:
http://www.cm-penamacor.pt
www.monumentos.pt
www.igespar.pt
 

Álbum Fotográfico da Ponte Romana da Bemposta

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Raul Losada

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