C. Cantius Modestinus
“Um Egitano ilustre”
A primeira inscrição que se apresenta trata-se certamente de um texto funerário, se não do epitáfio, certamente de uma homenagem póstuma.A inscrição revela dois indivíduos que se identificam com os tria nomina, tendo provavelmente já ascendido à categoria de cidadãos. Ambos usam o mesmo praenomen, o segundo mais comum na Hispânia (Cf. Abascal Palazón, 1994, p. 28).Pertencem à gens Cantia e parecem ser, de acordo com o estudo de Juan Manuel Abascal Palazón (1994,p. 107), os únicos representantes desta gens na região em estudo.C. Cantius Modestinus é já conhecido pelo seu evergetismo manifestado na construção de templos (Fig.1) (Mantas, 1988, p. 428).
A estrutura identificativa e a onomástica datam o monumento de finais do século I.(1)
Inscrição
« C(aio) CANTIO MODES[TO] / C(aius) CANTIVS / MODESTINVS PAT[RI] »
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Local: Civitas Igaedinorum - Idanha-a-Velha Reutilizada no exterior da “catedral” de Idanha-a-Velha. Descrição: Placa de granito, cortada do lado direito. Apesar de apenas restarem vestígios de moldurano canto superior direito, parece ter sido do tipo cordão. Dimensões: (46) x (86) x 22.Tradução
“A Caio Câncio Modesto. Caio Câncio Modestino ao pai.”
(Mantas, 1988, p. 427; HEp 2, 1990, 772.)
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C. Cantius Modestinus
Em meados do século I, este homem levantava às suas custas nada menos que quatro templos: um a Vénus e outro a Marte, em Idanha (Mantas, 1988, p. 427), e dois em Bobadela — um a Vitória (CIL II 402 = ILER 509) e outro ao Génio do Município (CIL II 401 = ILER 572).
Vasco Mantas (1987, p. 36) e Javier Andreu Pintado (1999, p. 36-37) relacionam a conduta evergética deste notável local com a mudança do estatuto jurídico da população associada à generalização do direito latino com os Flávios.
“Entre a burguesia da região, destaca-se o conhecido Caius Cantius Modestinus, de Igaedis, homem de proverbial riqueza que se afirma como construtor de templos15 ex património suo, numa atitude comum às burguesias municipais que, através de dispendiosos gastos em iniciativas públicas de ostentação, obtêm fama e prestígio essenciais à sua promoção política e social. Estranha é a simplicidade da placa com que memora o seu pai, Caius Cantius Modestus de alguém tão conhecido pelo seu evergetismo local esperava-se sumptuosidade, para mais num monumento dedicado a um familiar tão próximo. Datar-se-á o monumento de um período em que ainda não tinha sido abonado pela riqueza? Existirá outro ou outros monumentos mais ricos que também memoram o pai? Fará a placa parte de um monumento grandioso, capaz de memorar o pai de tão ilustre personagem?” (2)Modestinus – O Construtor de Templos
“(…) atestada pela epigrafia, especificamente pelas duas inscrições de Coito de Midões (CIL II 401 e CIL II 402), datadas do final do século I d.C. e que fazem referência a C. Cantius Modestinus, o construtor de templos de Bobadela e de Idanha-a-Velha.
Inscrições da Civitas Romana na Bobadela
Templo dedicado ao Génio Município
Genio · municipi(i) · templum / C(aius) · Cantius · Modestinus /
ex patrimonio · suo
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Templo de Victória
Victoriae · templum / C(aius) Cantius · Modestinus / ex · patrimonio · suo
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Segundo Vasco Mantas “… a formula ex patrimonio suo é raríssima e apanágio de um ambiente sócio-cultural muito elevado, ocorrendo na Hispânia apenas em Itálica … Idanha-a-Velha e Bobadela…” (Mantas, 2002, p. 232).
Inscrições na Civitas Igaedinorum - Idanha-a-Velha
Templo de Vénus
[Vene]ris · templum / [C(aius) Canti]us · Modestinus / [ex] patrimonio · suo
Templo de Marte
[Mar]ti te[mplum / C(aius) Canti]us Mo[destinus / ex pa]trimo[nio suo]
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Ainda segundo este investigador os locais onde a epigrafia atesta o seu nome ocorre junto a áreas mineiras, como a Bobadela e Idanha, “A fortuna pessoal de C. Cantius Modestinus, a relacionar, pelo menos em parte, com a exploração aurífera da região, ultrapassava certamente o censo equestre de 400.000 sestércios, o que permite avançar a hipótese de se tratar de um cavaleiro.
A ligação de Modestinus com actividades mineiras pode deduzir-se também do local onde se encontrou a ara consagrada a Diana (Fig.2), bastante perto das minas de Almadén (Sisapo) e das de Santa Quitéria…” (Mantas, 2002, p. 232).
Fig. 2 – «C(aius) C(- – -) Mo/destin/us Dea/nae(!) v(otum) / l(ibens) a(nimo) s(olvit)» Ara consagrada a Deusa Diana por C. Cantius Modestinus e proveniente de Herrera del Duque, Badajoz (Espanha) Foto em Hispania Epigraphica © fonte: eda-bea.es/
Certamente que a exploração mineira do Alva terá proporcionado o desenvolvimento económico e social da civitas da Bobadela, a qual aliás recebeu o título de municipium, e da respectiva área rural.
A epigrafia comprova-nos a existência de um ambiente social privilegiado, pois tanto os evergetas Iulia Modesta como Modestinus pertencem à elite política e económica da Hispânia (Mantas, 1993, p. 242).” (3)
Os Templos Vénus e Marte na Civita Igaedinorum construídos por C. Cantius Modestinus
“No que concerne ao templo principal do forum, Vasco Mantas começou por aventar a possibilidade deste ter sido consagrado a Vénus (Mantas 1993: 246-247). Posteriormente, reconsiderou a sua posição, tomando antes como mais plausível a sua vinculação a Júpiter (como tinha antes sido sugerido por Jorge de Alarcão 1988a: 39), passando também a situar os dois pequenos templos construídos por C. Cantius Modestinus (denunciados por inscrições a Vénus e a Marte) à entrada do forum, no lado nascente (Fig.3) (Mantas 1993: 246-248; 2002: 233).
Um destes templetes, segundo Vasco Mantas, poderia mesmo revelar-se nas «ruínas de uma estrutura construída perpendicularmente ao muro principal do forum, com uma soleira a cerca de 5 metros desse muro», observáveis no canto sudeste do forum (Idem, Ibidem), e cujas dimensões poderiam ser semelhantes às do templo da Ponte de Alcântara (Fig.4) (Mantas 2006: 89).
Uma cronologia flaviana, ou inscrita no último quartel do séc. I d.C. (ou já nos inícios do séc. II), associada a uma promoção municipal e baseada fundamentalmente em algumas características construtivas e no modelo arquitectónico que este complexo forense reproduz, tem sido usualmente avançada nos últimos anos como a mais provável para a construção do forum cujas ruínas hoje se observam (Mantas 1993: 235 e 2006: 89-91; Cristóvão 2005: 196-197).” (4)
Bibliografia (1) II PARTE – Catálogo epigráfico Distrito de Castelo Branco http://www.igespar.pt/media/uploads/trabalhosdearqueologia/34/3.pdf (2) I PARTE – Epigrafia e sociedade EPIGRAFIA FUNERÁRIA ROMANA DA BEIRA INTERIOR. INOVAÇÃO OU CONTINUIDADE? (1.2.2. A nata local P.26) http://www.igespar.pt/media/uploads/trabalhosdearqueologia/34/2.pdf (3) Considerações finais – Notas 99 http://www.igespar.pt/media/uploads/trabalhosdearqueologia/50/10.pdf (4) O FORVM DOS IGAEDITANI E OS PRIMEIROS TEMPOS DA CIVITAS IGAEDITANORVM Archivo Español de Arqueología 2009, 82, págs. 115-131 aespa.revistas.csic.es/index.php/aespa/article/download/61/59Ligações úteis:
Igaedis – A mais expressiva marca do Império Romano na atual Beira Interior Por Pedro C. Carvalho, Faculdade de Letras Universidade de Coimbra, Ceaucp/Cam http://www.portugalromano.com/2012/07/igaedis-idanha-a-velha/






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