Minas Romanas do Poço das Freitas
Minas Romanas do Poço das Freitas é uma exploração mineira a céu aberto, que pela sua extensão, cerca de 1.700 metros.
É a maior obra construída pelo homem em todo o concelho de Boticas, destinada que era à exploração de ouro nas minas e no aluvião. As areias dali saídas seriam posteriormente lavadas com água de uma barragem. Esta, da qual hoje não resta qualquer vestígio, era alimentada por um pequeno regato nascido na serra da Cortiça, o Ganidoiro.
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A cerca de 3km de Ardãos situa-se a “cidade romana de Batocas”, cuja vida se ligava à exploração do ouro nas cortas e nas galerias aí existentes.
Grande mina de exploração aurífera a céu aberto, localizada a Leste da aldeia de Nogueira, numa zona de pequenas colinas situada a meio do grande vale aberto formado pelas ribeiras do Vidoeiro e do Calvão, ocupando a zona entre estas duas ribeiras e logo acima do ponto em que a sua junção forma o rio Terva.
O grande complexo mineiro ocupa uma área de forma aproximadamente elíptica, com aproximadamente1000 metrosde comprimento, de Norte para Sul, e uns700 metrosde largura. A área comporta diversos topónimos, como Freitas e Poço das Freitas, Carrica e Poço da Carrica, Quintãs, Corgas, Carregal, Minóculo, Penedo Redondo, Calhau das Bruxas, entre outros. Toda a zona é preenchida por um complicado labirinto de cortas de extracção de minério e respectivos montes de entulhos, nalguns casos visívelmente associadas a veios de quartzo.
Existem também diversas pequenas galerias, ou pequenas aberturas laterais nas paredes, formando frequentemente um “T”, relacionadas com as técnicas utilizadas para o desmonte dos solos. O tamanho das cortas varia grandemente. A maior delas é o chamado Poço das Freitas, na extremidade Sul do conjunto, e que acabou por dar nome a todo o complexo, sendo uma enorme e muito profunda cratera, cuja área permanentemente inundada tem quase 100 metrosde comprimento. Logo abaixo desta corta fica o habitat romano do Carregal, presumivelmente relacionado com esta exploração. A prospecção do conjunto é, para além de perigosa, muito dificultada pelo denso matagal que cobre grande parte da zona. Não são conhecidas galerias de exploração subterrânea. No entanto, o curioso topónimo “Minóculo” designa especificamente um profundo poço, de secção rectangular, que parece ser um respiradouro.
O Concelho Boticas possui um conjunto de sítios e achados da época romana, as explorações mineiras do Poço das Freitas, das Batocas e do Brejo, que constituem o Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva, afirmam-se como um valor patrimonial de grande interesse científico e histórico cuja conservação e valorização merece especial atenção por parte do município. O sítio está enquadrado por uma invulgar concentração de povoados fortificados proto-históricos e testemunha uma longa ocupação humana no contexto do aproveitamento dos recursos auríferos desde a época proto-histórica até à idade moderna. Assim, para além do estabelecimento de uma zona de protecção alargada que garante a preservação da envolvente paisagística, foi elaborado pela unidade de arqueologia da Universidade do Minho um programa para o desenvolvimento de um projecto de requalificação e valorização do sítio e que mereceu a concordância do IGESPAR. Este programa contempla acções de conservação, realização de estudos e projectos, a construção de infra-estruturas e equipamentos e ainda acções de divulgação e promoção do local.
Projecto de “Conservação, Estudo, Valorização e Divulgação do Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva, Boticas”
A Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho tem vindo a realizar um conjunto de escavações, nas quais se descobriram e identificaram algumas coroas e alinhamentos, que se acredita que sejam referentes a um povoado romano que serviria de apoio à exploração e tratamento mineiro ali existente.
«Escavações na estação arqueológica das Batocas-Foto CMBoticas»
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Estes trabalhos, que se realizaram sobre a supervisão do Prof. Luís Fontes e da Dra. Mafalda Alves, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, e da equipa de arqueólogos da Autarquia, revelaram-se determinantes na evolução deste projecto e reveladores da grande importância do local onde outrora prosperou um complexo mineiro de exploração de ouro.
Apesar dos inúmeros trabalhos desenvolvidos e do que já se desvendou, ainda há muito a descobrir na Estação Arqueológica das Batocas, que em conjunto com as explorações mineiras do Poço das Freitas e do Brejo constituem o Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva.
Recorde-se que a Universidade do Minho e o Município de Boticas estabeleceram um protocolo de cooperação para execução do referido projecto, tendo já no ano passado estado, igualmente, um grupo de alunos de arqueologia da universidade minhota no concelho botiquense, de forma a dar seguimento a este projecto. Em 2010, o grupo realizou alguns trabalhos de pesquisa bibliográfica e documental, alguns levantamentos topográficos em locais anteriormente seleccionados, prospecções extensivas e intensivas na área de estudo, bem como sondagens de diagnóstico no povoado de Batocas.
Estes trabalhos e os que ainda se vão realizar serão um valioso contributo para um trabalho mais amplo e aprofundado que conduzirá à requalificação e valorização de todo o Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva, através de um projecto que o Município de Boticas tem em marcha para o local e que permitirá não só valorizar e preservar o espaço, mas também dar a conhecer a todos aquele que foi um dos mais importantes locais de mineração aurífera na época romana.(1)
«Foto Meguimarães – Blog Arco-Íris»
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Localização: A partir da estrada alcatroada entre Nogueira e Ardãos, por caminho de terra batida que leva a uma exploração de areias, e que tem uma sinalização a indicar as minas. Estas iniciam-se logo a seguir à exploração de areias.
Roteiro
« MINAS ROMANAS DE OURO DO POÇO DAS FREITAS E CIDADE DE BATOCAS »Partindo de Boticas, siga pela EN 312 até Sapiãos. A aldeia de Sapiãos prova a sua antiguidade na capela românica do cemitério, com torre sineira de dois arcos.
Continuando pela EN 103, volte à esquerda para Bobadela, pela EM 527. Aqui admire o cruzeiro, a janela manuelina da residência paroquial, o casario de granito muito antigo e a capela de S. Lourenço, onde se encontra uma ara romana votiva. À saída da povoação, à direita, desça até à Ponte Medieval sobre o ribeiro de Esquerigo. A paisagem é verde e bucólica, salpicada de amieiros e freixos. Mais adiante, descobrem-se as lagoas do Poço das Freitas, antigas cortas romanas de mineração de ouro que ilustram a epopeia humana dos grandes poços auríferos.
Bibliografia:
A propósito da lavra do ouro na província de Trás-os-Montes durante a época romana/Revista de Guimarães (1954)
Breves Notas sobre a região do Alto Tâmega (1984)
Catalogue des mines et des fonderies antiques de la Peninsule Iberique (1987)
Concelho de Boticas. Zonas de interesse arqueológico, histórico e turístico/Notícias de Chaves (1989)
De Aquae Flaviae a Chaves. Povoamento e organização do território entre a Antiguidade e a Idade Média (1996)
Extractos archeológicos das “Memórias Parochiaes de 1758″/O Arqueólogo Português (1896)
Informações archeológicas colhidas no “Diccionário Geográphico” de Cardozo/O Arqueólogo Português (1896)
Les mines de la Péninsule Ibérique dans l’antiquité romaine (1990)
Memórias para a História Ecclesiástica do Arcebispado de Braga, Primaz das Hespanhas (1732)
Molde de fundição para machados de bronze de duplo anel/Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (1939)
Notas Regionais. A lagôa das Freitas/Era Nova (1934)
Notícias Archeologicas Extrahidas do «Portugal Antigo e Moderno» de Pinho Leal, com algumas notas e indicações bibliographicas (1903)
Notícias históricas do concelho e vila de Boticas (1982)
Roman Portugal (1988)
Uma notável peça de joalharia primitiva/Anais da Faculdade de Ciências do Porto (1942)
Vias romanas das regiões de Chaves e Bragança/Revista de Guimarães (1956)





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cotas
2012/07/13 at 21:01