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Fonte Romana de Armés – Inscrição de Lúcio Júlio Melo Caudico (Armés,Terrugem,Sintra)

O fontanário de Armés, situado na aldeia com o mesmo nome, constitui mais um exemplo da arquitectura civil, pública, de que os romanos deixaram tantos exemplares por todo o império. O fontanário situa-se 3 metros abaixo do nível actual do solo, adossado à base da parede sul de um largo poço de secção quadrangular, hoje coberto por uma placa de betão e com uma bomba manual para tirar água.

Uma estreita escadaria dá acesso ao fontanário. Este é constituído por uma caixa de planta rectangular, formada por várias lajes de mármore com o fundo quebrado e roto.

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As paredes laterais e posterior são mais elevadas em relação à parede anterior, funcionando esta como parapeito. A zona exterior da parede lateral esquerda apresenta um picado grosso, largo e irregular, o que parece indicar que essa laje estaria originalmente encoberta.

«Foto: © Raul Losada»

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O depósito é abastecido pelas águas de uma nascente próxima através de uma conduta subterrânea que termina num orifício circular, aberto perto da aresta direita da parede posterior do depósito, a cerca de 85 cm do fundo, sendo visível na foto acima.

Inscrição romana de Lúcio Júlio Melo Caudico

A Inscrição na Fonte é datável do século I, entre 14 e 20 d.C. data da sua construção por Lúcio Júlio Melo Caudico. Foi referenciada pela primeira vez no século XVI por André Resende.

Um dos principais motivos de interesse deste fontanário é uma laje epigrafada, com 17 cm de espessura, que encima o depósito, e que podemos ver na imagem da autoria de Cardim Ribeiro.

A inscrição que a laje apresenta é a seguinte:

L.IVLIVS.MAELO.CAVDIC.FLAM.DIVI.AVG.DFS

Ou seja:

L(ucius).IVLIVS.MAELO.CAVDIC(us).FLAM(en).DIVI.AVG(usti). D(e)S(uo)F(ecit),

Tradução:

«Lúcio Júlio Melo Caudico, flâmine do divino Augusto fez (este monumento) à sua custa.»

«Foto: © Raul Losada»

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Um flâmine era um sacerdote romano, geralmente de Júpiter ou Marte.

A inscrição é portanto reveladora do poder socio-económico de um flâmine municipal e a sua dedicação ao imperador Augusto sugere a possibilidade de o fontanário ter um carácter sacralizado.

«Reconstituição teórica do fontanário, segundo Cardim Ribeiro»

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Segundo o arqueólogo Cardim Ribeiro, relacionar-se-ia com o “culto das águas” associado ao culto imperial, como aliás se verifica noutros locais do Município Olisiponense.

Por outro lado, as dimensões das letras sugerem terem sido concebidas tendo em vista uma leitura de longe, o que nos faz supor que o fontanário faria parte de um conjunto arquitectónico de maiores dimensões, com um grau de monumentalidade compatível com o tamanho das letras.

«Foto: © Raul Losada»

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Datado do séc. I, o fontanário leva cerca de 2000 anos de utilização, pois ainda hoje continua a servir a população da aldeia.

Fonte Romana de Armés está classificada como imóvel de interesse público desde 1990.

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VISITAS: Na aldeia de Armés (estrada Sintra-Mafra), Rua da Fonte Romana.

O fontanário encontra-se fechado, devendo a chave ser pedida a senhora Maria Angelina, proprietária do Café/Mercearia no Largo Central da povoação de Armés (Largo Visconde Asseca) ou solicitar ajuda ao senhor Manuel, vivenda branca ao lado da oficina de mármores na rua da fonte.

O projecto «Portugal Romano agradece à senhora Maria Angelina e ao Senhor Manuel  a sua preocupação pela preservação do legado romano na povoação do Armés.

Bibliografia

CARDIM RIBEIRO, José – Estudos Histórico-Epigráficos em torno da figura de L. IVLIVS MAELO CAVDICVS, 1983, Sintra.1-2, p. 151-476.
ALARCÃO, Jorge – Roman Portugal, 1988, p.121 – 5/222
MANTAS, Vasco – 1976, p.158
CARDIM RIBEIRO, 1977, p.311
Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado. Inventário, 1993.

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Sites consultados:
http://www.jf-terrugem.org
www.igespar.pt

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