http://amartinho.home.sapo.pt/escola/latim/latim10/cultura/casa/DOMUS.htm
- Templo parcialmente reconstruído que tem sido designado por «Templo de Diana», tal como acontecia com o Templo de Évora. Trata-se, muito provavelmente de um templo consagrado ao culto imperial. Datado do século I, apresenta uma planta rectangular, está cercado por colunas com capitéis coríntios.
- Queria oferecer a todos os meus alunos de Grândola, de Alvalade do Sado, de Santiago do Cacém e da Universidade de Évora o trabalho que agora vou iniciar.
- À Luísa Amaral, minha colega e amiga desses anos idos de Grândola, que me viu desenhar neste caderno e que tive a sorte de rreencontrar, mando um abraço especial.
Desenho Filomena Barata, Grândola
Grândola. Desenho Filomena Barata, 1984***
Será uma recolha, uma espécie de glossário de termos latinos, feita a partir da bibliografia consultada, nos anos em que fui obrigada a fazer o estágio do ensino, em Alvalade e em Santiago do Cacém, para não perder o vínculo à função pública, pois só isso me permitia poder regressar ao meu local de trabalho no Instituto Português do Património Cultural de que tanto gostava.
Para não perder o contacto com o Mundo Romano, fui fazendo inúmeras leituras nos meus tempos livres, fundamentalmente de autores latinos, e criaram-se nas Escolas onde leccionei Clubes do Património e de Arqueologia.
Relativamente à Fauna e Flora, remeterei a artigo específico já aqui publicado.
Aos alunos do «Clube Europeu de Arqueologia» de Santiago do Cacém o meu abraço especial, por tudo o que conseguimos fazer juntos a bem de Miróbriga.
Termopolium. Feira Agrícola de Santiago do Cacém, 1991. Com a participação dos alunos da Escola Secundária Manuel da Fonseca.
Também o dedico a todos os arqueólogos que comigo fizeram as suas escavações e que hoje seguem as suas carreiras profissionais, bem como a todos os meus colegas, a quem peço toda a tolerância, pois apenas agora vou reiniciar este trabalho, tendo plena consciência que está muito incompleto e lacunar, porque se trata apenas de uma primeira abordagem aproveitando velhas recolhas e as leituras efectuadas nos anos acima referidos e que tem que ser revista e completada, mas fica aqui o meu compromisso de que o irei actualizando sempre que possa.
Ao Portugal Romano o meu obrigada pela confiança depositada e por tão belo projecto, tão persistentemente levado a cabo.
“Caderno de Campo” Filomena Barata 1990-1992
Ábaco – Peça quadrangular posta sobre o capitel que assenta sobre a corbelha
Abóbada- Vulgarizada no Período Romano, é uma construção em forma de arco que cobre espaços compreendidos entre muros, pilares ou colunas. É composta por peças lavradas de pedra, designadas aduelas ou de tijolo.
Ábside – zona arredondada duma basílica romana, na extremidade oposta à porta principal, ou de um compartimento da arquitectura doméstica.
Abrasão – Técnica que consistia em desgastar as zonas de decoração encostando a superfície do vidro contra uma roda de torno.
Acanto - Planta cujas folhas são utilizadas em elementos decorativos, caracterizando os capitéis coríntios
Actus - dimensões utilizadas no urbanismo romano = 35,52m
Actus quadratus – dimensões utilizadas no urbanismo romano = 1261,44 m2
Acus crinalis – alfinete com que as mulheres romanas prendiam os cabelos.
Aditus maximus – entrada principal do teatro romano.
Aedes – É o lugar onde habita a divindade, enquanto o templum é o espaço – plataforma ou terraço onde se elevava o altar ao ar livre – definido por um ritual. Mas como a aedes também era constituída por esse ritual, considerava-se igualmente templum. Os dois termos são, portanto, usados com frequência como sinónimos.
Aedil (lat.) Edil – O nome deriva de Aedes 0u templo. É o Magistrado romano,cuja função primordial é garantir o aprovisionamento das cidades, policiar os mercados, tratar da manutenção das ruas e edifícios públicos e dos lugares sagrados. Estavam também encarregues da organização e do policiamento de certos jogos públicos e de vigiar os pesos e medidas. Os edis participavam ainda da proposta de criação de leis referentes ao urbanismo. Na maioria dos casos, o exercício da edilidade era um «trampolim» para a ascensão ao cargo de duúnviro, como parece ter acontecido com o cidadão de Miróbriga. A existência destes magistrados em Miróbriga confirma a sua organização municipal, em termos jurídico-administrativos, e implica a existência de receitas autárquicas próprias. De salientar que o exercício de uma magistratura outorgava a cidadania a quem a desempenhava, bem como aos seus ascendentes e descendentes. O direito de cidadania compreendia os direitos civis e os direitos políticos como o voto e o privilégio de servir nas legiões.
Aeneum spiculum – utensílio (forceps) usado para extracção dos fetos.
Ager publicus -expressão latina que significa terreno público, propriedade do Estado, em contraposição ao ager romanus, objecto de propriedade privada (dominium ex iure Quiritium).
Agricultura/Mundo Rural
(Ver: José Maria Blázquez, «Urbanismo y Sociedad en Hispania», p: 83.
idem, Agricultura y Mineria Romanas».
«O Camponês» in O Homem Romano.
Silio Itálico
Justino
Virgílilio, Geórgicas
Plínio
Estrabão.
Ver ainda:
M.G. BRUNO, Il Lessico Agricolo Latino, 2ª ed., A. M. Hakkert, Amsterdam, 1969
K. D. WHITE, Agricultural Implements of the Roman World, Cambridge Univ. Press, Cambridge, 1967/2010
Roman Farming (Aspects of Greek and Roman Life). Thames and Hudson, London, 1970
Farm Equipment of the Roman World, Cambridge Univ. Press, Cambridge, 1975/2010
Estrabão afirma que, do ponto de vista agrícola a região mais rica era a Turdetania, que também tinha uma fanulosa riqueza mineira, referindo “trigo, muito vinho e azeite, este em grande quantidade, e de qualidade insuperável” para exportação.
Segundo esse autor, na Bética as terras “estavam cultivadas com grande esmero, tanto as ribeirinhas, como as das ilhas”. Refere ainda que os canais (de água) serviam para o tráfico e para a rega. Informa também que grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo, de arboleda.
Sobre as divindades relacionadas com os bosques e campos, recomendo a leirura de: «Os bosques e os campos e seus deuses no âmbito da Província da Lusitânia», in Religiões da Lusitânia – Loquuntur Saxa, MNA. 2002
Agulha – utensíilio metálico ou de osso para coser. Podem também ser utilizadas para coser redes, a exemplo da que apresentamos abaixo.
Agulha de bronze para coser redes, proveniente da Abicada, Mexilhoeira Grande, Portimão. Museu Regional de Lagos.
Allae – Zonas geralmente porticadas que lateralizam um templo.
Alveus (pl. alvei) – Piscinas localizadas na zona aquecida das termas, sendo o topo absidiado, dada a necessidade de concentrar o vapor e o ar quente necessários.
Alvenaria – construção em pedra ou tijolos com argamassa.
http://algarvivo.com/arqueo/romano/alvenaria.html
Amuleto – Muito utilizados entre os romanos, existiam desde para uso pessoal, até para protecção do ambiente doméstico.
Objectos de osso provenientes de Tróia, Setúbal, entre eles uma estatueta antropomórfica. Fotografia Portugal Romano.
Ânforas – Contentores cerâmicos para transporte de mercadorias, como vinho, mel, azeite, frutos secos e conservas.
Aquilifer – Legionário que garantia a segurança da águia que acompanhava a legião.
«A águia romana era um símbolo da Roma Antiga, sendo usada pelo exército romano como insígnia das legiões romanas. No tempo de Gaio Júlio César era feita de prata e ouro. A partir da reforma de Augusto passou a ser feita só de ouro. A águia era custódia da primeira coorte e só saía do acampamento romano em ocasiões raras, quando toda a legião se movimentava».
Podiam ser, pontualmente, também utilizadas como urnas, a exemplo do que aconteceu nas Ruínas de Tróia.
Ânforas da Olaria da Quinta do Rouxinol
Agulha – objecto para coser, que podia ser de osso ou metálico.
Agulhas e alfinetes de cabeça em osso, Sepultura de Galla, Ruínas Romanas de Tróia.
Prosérpina « (…) lavrava com a agulha a série dos elementos e o trono paterno, bordava com que regra a mãe natureza ordenou a antiga confusão e como os elemtos se dispuseram nos lugares próprios: o que é leve para o alto é conduzido, no meio caiem as coisas mais pesadas, tornou-se o ar incandescente, o fogo ergueu-se para o céu, ondeou o mar, ficou suspensa a terra. E não havia apenas uma cor: com o ouro iluminou as estrelas, derramou as águas com púrpura. Com as pedras preciosas ergue um litoral, fios em relevo dão engenhosamente fora a fingidas ondas».
Claudiano, «O Rapto de Prosérpina».
Alabastron – Pequeno recipiente de corpo cilíndrico, fabricado sobre núcleo de areia, com base hemisferica ou apontada, com bordo acusado e horizontal, por vezes possuindo duas asas opostas.
Amphoriskos – Recipiente em forma de ânfora, fabricado sobre núcleo de areia, com corpo globular, base apontada, pescoço alto e estreito, possuindo duas asas opostas.
Alimentare (latim) – alimentar
Iniciarei com as referências do Satyricon de Petrónio, no lauto banquete que descreve em casa do liberto Trimalquião. Gradualmente aditarei outras informações. Nessa obra, são nomeadas:
- lebres e aves de capoeira (p: 39)
- empadas, bolos armados (p. 41)
- Galo guisado (p: 51)
- Várias especiarias (pimenta e cominhos), p: 53
- Porcos, p: 53
- Presunto, p: 60
- Bolos e frutos vários, p: 65
- Vinho e água, p: 70
- Porco coroado de morcela; miúdos de ave; pão integral; mel quente; gão de bico; tremoços; avelãs; maçãs (p: 72)
- Passas de uvas e nozes; marlelos, p: 76
- Ostras e conchas, p: 77
- Vinho, p: 116
Ver ainda em Suetónio são referidos:
- Queijo de vaca prensado à mão; figos; mão molhado em água fresca; pepino, p: 108
O alimento base no mundo romano é o cereal transformado em pão. Os próprios soldados eram, muitas vezes, recompensados em trigo. O arroz era somente usado para engrossar os molhos. Em contrapartida, os legumes eram utilizados nos pratos vulgares, tal como as couves. En grande parte eram cultivadas nos jardins, sendo apenas minoritariamente adquiridas nos mercados. A cenoura não era muito apreciada. Da beterraba era mais comum a utilização das folhas. O uso do alho e a cebola era vulgar, bem como das saladas frescas, temperadas com Garum, azeite e vinagre.
«Os ricos também podiam comprar carnes vermelhas, ricas em gorduras, e mais pão branco do que os pobres, cuja dieta era constituída essencialmente por pão de má qualidade (pane sordidus) e azeite». in O Homem Romano; p. 235.
São conhecidas também inúmeras referências ao ganso nas fontes clássicas, designadamente em Plínio, HN, V, 27; Marcial, XIII, 58. Juvenal, Sátira, V, 114, mais especificamente à utilização do seu fígado para fabricar foie gras.
http://derecoquinaria-sagunt.blogspot.com.es/2013/02/anser-iii-usos-culinarios-y-medicos.html
«Son muchos los autores que hacen referencia al hígado como Marcial, XIII, 58:
” ¡Fíjate cómo de hinchado está el hígado, m…ayor que un ganso grande! Admirado, dirás: “Esto, pregunto, ¿dónde ha crecido?”. Y Juvenal, Sátira, V 114:
”Ante él el hígado de un ganso grande, un capón tan cebado como un ganso…”
Plinio X, 27 nos explica cosas muy curiosas, como por ejemplo, quién inventó la manera de hacer engordar el hígado del ganso, quién cocinaba al ganso de una manera peculiar, etc.: “Nuestro pueblo es muy sabio, porque estima el ganso por la bondad de su hígado. Cuando están bien cebados, éste crece hasta un tamaño muy grande, y se hace todavía más grande al ser empapado en leche con miel. Y, de hecho, no sin razón, es materia de debate quién fue el que descubrió por primera vez tan gran delicadeza. Era Metelo Escipión, un hombre de dignidad consular, o Seius M., un contemporáneo suyo, un romano de rango ecuestre. Sin embargo, una cosa sobre la que no hay disputa, era Messalinus Cotta, hijo del orador Messala, quien descubrió el arte de asar las patas palmeadas del ganso…Es un hecho maravilloso, en relación con esta ave, que viene a pie todo el camino desde el país de los Morini a Roma, y los que están cansados se colocan en la primera fila, mientras que el resto, movidos por un instinto natural para se muevan como un bloque conjunto, los llevan adelante. Una segunda fuente de ingresos, también, es que también se deriva de las plumas del ganso blanco. En algunos lugares, a este animal se le arrancan las plumas dos veces al año, en los que las plumas crecen rápidamente de nuevo. Esos son los más suaves que se encuentran más cerca al cuerpo, y los que vienen de Alemania son los más estimados: los gansos allí son blancos, pero de tamaño pequeño, y se llaman gantœ. El precio pagado por su plumaje es de cinco denarios por libra. Es a partir de esta fuente fructífera que hemos repetido los cargos formulados contra los comandantes de las tropas auxiliares, que están en el hábito de separar cohortes enteras de los puestos donde deben estar en guardia, en la búsqueda de estas aves: en efecto, hemos llegado a tal grado de afeminamiento, que ahora en día, ni siquiera los hombres pueden pensar en acostarse sin la ayuda de las plumas del ganso, a modo de almohada”».
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1
Sobre alguns dos tipos e vícios em Roma, pode ainda consultar: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf

Receita de carne segundo Apício
Anfiteatrum (latim) – Anfiteatro. Trata-se de um dos mais característicos edifícios da arquitectura romana. De forma circular ou oval é constituído por uma arena e uma área para espectadores. A elipse é a forma que os distingue, se bem que existam exemplares quase circulares, com arquibancadas, destinado a festas públicas e espectáculos. Localizavam-se geralmente junto das portas principais das cidades para facilitar o acesso ao mesmo.
Ver: LVDI ROMANI (referência abaixo).
Anfiteatro de Nimes. Fotografia Filomena Barata
Aparelho almofadado- sistema construtivo com silhares que têm a sua parte central da sua superfície em ressalto, assemelhando-se a uma almofada.
Apodyterium (pl. apodyteria) – Instalações que serviam para vestiários nos balenários ou balnea.
Aquae – termo que, tal como o nome indica, se refere a uma localidade onde há águas termais ou curativas.
Aqueduto – Sistema de engenharia que permite transportar água a grandes distâncias.
http://www.tarraconensis.com/Merida/acueductosyembalses.html
Ara – altar destinado a sacrifícios; pedra em forma de altar onde poderia existir uma inscrição votiva ou funerária.
Arco de Triunfo - Arco honorífico, comemorando vitórias ou momentos de notória relevância.
Arco de Triunfo de Aosta. Fotografia Filomena Barata
Aríbalo- é um vaso de origem grega, de corpo globular, alça pequena e gargalo estreito. É normalmente utilizado para óleos de higiene e de cuidados com o corpo, sendo comum o seu uso entre os atletas.
Armas – Ver Soldado (abaixo)
Pode considerar-se que o legionário romano era um soldado muito bem equipado, sendo o armamento principal composto por: elmo de bronze (cassis), capacete metálico (galea), couraça de metal que protegia o peito (lorica ou lorica segmentata – armadura), escudo de madeira ou couro (scutum), espada curta (gladio, lat. gladius), lança de metal (hasta), dardo de madeira com ponta de metal (pilo lat. pilum) e pugio – adag
Glande de chumbo, de forma biconvexa e secção circular.
Para lançar esta peça de arma utilizava-se uma funda ou fundíbulo. Uma arma de arremesso constituída por uma correia ou corda dobrada, em cujo centro é colocado o objecto que se deseja lançar.
O escritor romano Vegécio registou:
“Os recrutas serão ensinados na arte de lançar pedras com ambas as mãos e com a funda. Dizem que os habitantes das Ilhas Baleares são os inventores da funda, e de as administrar com surpreendente destreza, o que se deve à forma como educam suas crianças. As crianças não eram permitidas ter a comida antes que a tivessem golpeado com a funda. Os soldados, mesmo usando suas armaduras defensivas, são mais duramente afectados com as pedras redondas lançadas pelas fundas que por todas as setas do inimigo. As pedras matam, sem mutilar o corpo, provocando uma mortal contusão em que não há perda de sangue. É universalmente sabido que os antigos usavam fundíbulos em todas as suas batalhas. É imprescindível instruir todas as tropas, sem excepção, neste exercício, pois a funda não pode ser tida como algo difícil, e é de grande utilidade, especialmente quando devem ocupar lugares pedregosos, ou defender uma montanha ou elevação, e ainda proceder à defesa de um castelo ou cidade.”
Proveniência: Alvor
As peças provenientes de Alvor em depósito no Museu Nacional de Arqueologia faziam parte do então denominado Museu do Algarve, tendo sido recolhidas por Estácio da Veiga no ano de 1878. Segundo Estácio da Veiga a freguesia de Alvor era denominada por alguns autores como Portus Annibalis e é uma área com abundantes registos arqueológicos.
Em zonas circundantes a esta vila, nomeadamente junto a zonas ribeirinhas próximas o autor descobriu tanques de salga e numerosos vestígios de Época Romana
Foto-montagem Portugal Romano
Legenda
Foto baixo- Esquerda:
Representação de secção da Coluna de Trajano onde se observa uma primeira linha de fundibulários que lançam glandes criando uma barreira de misseis leves. Atrás observa-se legionários a operar uma catapulta.
A coluna de Trajano encontra-se em Roma, na área do fórum perto do monte Quirinal, a coluna tem aproximadamente 30 metros de altura mais oito metros de pedestal, perfazendo 38 metros de altura.
Foto baixo-direita:
Escultura comemorativa da vitória sobre a cidade de Ascoli, os representados são, provavelmente, fundibulários servindo o exército romano, analisando suas roupas pobres e a ausência de qualquer outra arma, e, mais importante, o facto de que esta escultura foi exposta na frente ao portão da cidade, mesmo depois de os romanos a conquistaram, como uma lembrança.
Museu arqueológico de Ascoli
Foto de Giovanni Lattanzi em www.archart.it D.R.
Ponta de dardo de época romana
Proveniente de Torre de Palma, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia
Esta peça do armamento romano poderia ser utilizada no Escorpião – uma catapulta romana de tiro rápido.
As Legiões romanas foram equipados com estas pequenas catapultas que poderia ser desmontado e transportado com muita facilidade.
Muitas reproduções modernas do Escorpião são baseados em exemplares que foram encontrados durante as escavações arqueológicas perto Ampurias, Espanha, em 1912
Bainha de adaga de época romana.
Formada por duas folhas: a superior, de bronze dourado, é dividida em quatro painéis (dois lisos e dois com decoração vasada); a inferior é uma placa de ferro liso. As duas placas são fixas por doze botões de bronze que prendem ao mesmo tempo quatro presilhas para as correias de suspensão da arma.
Conínbriga – recolhida nas Escavações Luso – Francesas (1964-1971)
Museu Nacional de Arqueologia
Foto-montagem Portugal Romano
Onagro - máquina de guerra, evolução da baladeira ou catapulta, armas de arremesso da engenharia militar romana. É como que um «aperfeiçoamento da antiga catapulta de torção, através de adaptações sucessivas quer de um grande arco ou de uma grande funda de bronze na ponta ou mira, para lançar flechas, dardos, balas ou projéteis. Ao onagro podia-se acoplar também uma colher ou recipiente de bronze para lançar chumbo derretido ou fogo grego (petróleo fervendo, pelotas ou bolas de tecido embebidas em óleo e incendiadas no momento do lançamento)». Wikipédia
Pila catapultaria – catapulta que lançava pontas de projécteis de ferro, a exemplo dos que foram encontrados na Lomba do Canhamo, Arganil. Ver pilum.
Ver «Soldado» in o Homem Romano
Ver ainda Apiano, «Guerras da Ibéria», pp: 51 e 52. Sobre táctica romana ver Apiano, p: 56 e Vitrúvio, Capítulo Terceiro. Artigo Sétimo p. 56.
http://diariodeuminfante.files.wordpress.com/2007/08/roma-antiga-full.pdf
Armatura (pl. ae) – armaduras
Armela de sítula – argola para suporte de asa.
Arquitrave – Trave horizontal que se apoia em duas ou mais colunas, melhor, nos capitéis que as encimam.
Colunas, capitéis e arquitrave. Templo dedicado ao culto imperial, Évora.
Ars (latim) – artesanato; técnica; arte
scutarius; lanternarius; vascularius; gladiarius; cultrarius; tonsor; copo; cucus; sagarius; pellicarius (recordo o altar funerário “dedicado pelo liberto P. Iulius Senna ao seu senhor P. Iulius Macedo, cuja actividade mercantil vem explicitada: negociator sagarius e pellicarius, ou seja , negociava em vestimentas de lã (o sagum [saio] era, como se sabe, feito de lã grosseira) e de coiro”, que mereceu publicação em catálogo cuja referência indicamos de seguida e que foi objecto de recensão crítica de José d’Encarnação, cujas palavras foram aqui citadas e que foi publicada em SEBarc viii, 2010, pp. 201-236.
Rossi, Alessandro Rovetta (eds.), Pinacoteca Ambrosiana. Tomo quinto: Raccolte archeologiche – Sculture, Milano, Mondadori Electa, 2009, isbn: 978-88-370-2876-3 .
Recomendo ainda a leitura de:
«Artesão» in Homen Romano
Artesanato y Comércio durante El Alto Imperio, José Maria Blázquez
e l’Economia Romana de J.H. Jones.
Plínio refere as lãs de Salacia – ver
Ars Topiaria – jardinaria em forma de arte. Quando se usava a poda em arbustos ou árvores para os embelezar com formas caprichosas, denominava-se nemora tonsilia.
Ver Garcia Bellido, Arte Romano, p- 45
Ascia – enxó usada para desbastar madeira
Astrágalo – osso de tarso utilizado como dado para jogar.
Atramentarium – tinta negra usada para escrever em pergaminho e papiro.
Atrium – Átrio ou área rodeada por colunas com um tanque ao centro, que aproveitava as águas da chuva, provenientes do telhado. Em torno deste desenvolviam-se os diversos compartimantos da casa, tais como salas, quartos, escritório, sala de jantar, biblioteca.
Aulaeum – Pano de cena quer corria à frente do palco no teatro. Este pano ou véu descia e subia no início e no fim da representação. Conhece-se a sua utilização a partir de 56 a.C..
Aulos – Instrumento de sopro. Flauta de origem grega geralmente com quatro ou cinco orifícios para os dedos
Agitadores ou aurigas – eram os profissionais mais valorizados nos ludi circenses, ou seja, nas corridas do circo.
Balsamário– Recipiente utilizado para bálsamos e perfumes
Barragens – eram construídas na sua maioria opus incertum, através de cofragem, onde no interior era depositada uma espécie de “cimento” de areia pedras e argamassa.
Ver «Portugal Romano, Aproveitamento dos Recursos Naturais» António e António de Carvalho Quintela; João Luís Cardoso e José Manuel Mascarenhas, «Aproveitamentos Hidráulicos a Sul do Tejo», Ministério do Plano e da Administração do Território.
Base de coluna - parte inferior da coluna sobre a qual se apoia o fuste
Base de coluna. Ruínas Romanas de Tróia. Basílica.
Basílica – edifício com colunas e pórticos onde se reuniam homens de leis e comerciantes. Era onde se resolviam as questões judiciais, ou seja a sede dos tribunais e lugar de reunião.
Dotada ou não de uma esplanada a rodeá-la, a balísica apresenta uma planta rectangular que lhe é característica, dividida em várias naves por colunatas.
Balnea – balneários públicos
Ver: Thermae et Balnea
Ver ainda: Baths and Bathing in Classical Antiquity, Frkret Yegul, The Mit Press, Cambridge, Massachusetts an London, England. 1992.
Entrada dos balneários de Miróbriga antes da remoção por D. Fernando de Almeida das colunas que hoje se encontram no templo centralizado do Forum.
Bestiarius – gladiador destinado às feras.
Bilha – recipiente para conter l’iquidos.
Bombeiros – Instituídos por Augusto
Ver: «O Homem Romano», p: 245
«Vida Quotodiana em Roma»
« A Vida em Roma», P. Grimal.
Ver ainda «Les Romains et L’eau».
Bothros – Depósito votivo. Geralmente estes depósitos encontram-se em grupos, junto de santuários, formando estruturas – por vezes escavadas na rocha – que permitiam recolher, sem serem profanados, oferendas e ex-votos.
Brunido – termo usado para uma superfície alisada ou polida.
Bucrânio – Crânio de boi esculpido ou pintado usado na ornamentação de edifícios.
Caballu (latim) – cavalo de carga. O cavalo para montar era equus.
Cadinho – Recipiente de argila refractária ou de metal que era utilizado para a fundição de minérios ou metais.
Caixa de selo do correio -
Caixas de selo de Correio Museu e centro interpretativo da Villa Romana do Cerro da Villa (Vilamoura, Loulé) O sitema de Correio romano foi desenvolvido pelo imperador Augusto, permitia aos soberanos governar a enorme extensão de territórios do império a partir de Roma. Os romanos denominavam cursus publicus, o sistema que garantia a transmissão de notícias, a viagem dos funcionários e o transporte de bens em nome do Estado. Os mensageiros eram chamados tabellarii pelo fato de conduzirem as tabellae – pranchetas de madeira, que transportavam em bolsas de couro. Além dos mensageiros, o Estado utilizava o cisium – espécie de biga puxada por cavalos velozes para despachos rápidos. As clabulas e birotas – puxadas por bois e mulas, eram usadas para serviços de menor urgência. O correio romano era regulamentado por lei. O Estado mantinha as mutationes (postos de troca de animais) e as mansiones ou stationes (paragens com estalagens e instalações para viajantes). As estradas eram marcadas pelos miliarium, marcos colocados em intervalos de cerca de mil passos (1480 metros). Fotografia e descrição a partir de «Portugal Romano».
Calçada – descrever as técnicas construtivas-
Lateralmente as calçadas poderiam ter meias canas revestidas em opus signinum ou em pedra, de forma a inibir a entrada da água para o interior das habitações.
Calçada romana. Ruínas de Caparra.
Caliga – calçado militar
Em Conímbriga foi encontrado um pé de dimensões colossais, devendo pertencer a uma estátua representando o imperador.
Camafeu – Jóia talhada em rocha semipreciosa , de distintos tons, madrepérola, coral ou vidro, de modo a fazer contrastar figura e fundo.
Candela (ae) – vela de cera de abelha ou sebo para iluminação.
Cantharus- Taça com duas asas, cuja forma é oriunda da Grécia.
Representação de Cantharus. Basílica das Ruínas de Tróia.
Basílica de Tróia
Capitel – extremidade superior de uma coluna, de um pilar ou de uma pilastra. Transmite os esforços para o fuste. É formado por ábaco e cesto. A sua decoração é realizada de acordo com a ordem arquitectónica a que pertence, sendo no Império Romano a jónica e a coríntia as mais communmente utilizadas.
Capitel de Miróbriga, de coluna adossada. Desenho de Ivone Tavares.
Colunas, capitéis coríntios e arquitrave. Templo dedicado ao culto imperial. Évora. Fotografia Filomena Barata.
Nos capitéis coríntios a decoração assemelha-se a um cesto de plantas (acantos) cujas folhas, em número de oito, se elevam da sua base. Por detrás destas, outras se apresentam em igual número. A parte superior apresenta um ábaco quadrado.
http://www2.cm-evora.pt/arqueologia/biblio_roma.htm
Ordem Compósita, compósito – ordem arquitectónica com grandes semelhanças com a ordem Coríntia, residindo a principal diferença no capitel da coluna, reforçando-se a decoração coríntia (cesto de acantos) com volumétricas volutas e um friso de óvulos.
Ordem Jónica, jónico – uma das três ordens arquitectónicas da arquitectura clássica; caracteriza-se principalmente pela coluna apresentar fuste estriado assente sobre base ática e ábaco rectangular com volutas a ladear o coxim.
Ordem Toscana, toscano – ordem arquitectónica de origem romana que deriva da clássica ordem Dórica grega; as colunas apresentam o fuste liso e base com duplo toro assente em plinto.
Carbelhas -
Carceres – Locais reservados às cavalariças e onde se recolhiam os carros de corrida.
Cardus- também designado por cardus maximus , era a via ou eixo principal cidade romana, orientado Norte-Sul. O centro da cidade localizava-se no ponto de intersecção deste eixo com a decumanus maximus orientado a este – oeste).
Cavea – Estrutura do teatro romano, composta por bancadas e destinada aos espectadores. A raiz da palavra parece ter origem no facto de, geralmente, construirem os degraus escavados na rocha.
Cella – A cella ou naos é a parte interior e central de um templo, podendo também significar uma loja fronteira à rua na arquitectura doméstica romana . É o local onde ficava a estátua da divindade.
Cetárias – Tanques ou reservatórios revestidos a opus signinum usados para conservar e armazenar preparados de peixe nas unidades fabris. Existem de várias dimensões de acordo com os vários tipos de pescado.
Cetárias junto ao Castelo de Sines. Fotografia de Rui Pedroso.
Cetárias de uma unidade fabril de Tróia.
Cingulum – o cinturão é um dos elementos fundamentais do vestido de noiva e que é apenas desatado pelo noivo no lectus genialis. Simboliza a virgindade da noiva.
http://hortushesperidum.blogspot.com.es/
Circo – Lugar de espectáculo para corridas de cavalos, ou seja os ludi circensis. Os carros habituais de corridas eram as bigas e as quadrigas, sendo estas últimas as mais apreciadas.
Ver Tertuliano, «Os espectáculos»;
Ver ainda sobre os lugares de espectáculo Suetónio, pp: 222, 244, 246.
Marcial, Epigramas, X 48, 23.
História da Vida Privada: a Vida Quotodiana em Roma.
LVDI ROMANI (ver referência abaixo).
Cisternas – Segundo Plínio, as cisternas deviam construir-se «com uma mistura de cinco partes de areia pura de grão grande e duas de de cal viva e com fragmentos de sílice (…)construídas desse modo deve reforçar-se o solo e as paredes com umas barras de ferro» Plínio, N.H., 36, 173. Segundo Torrego, 1988, 170.
Ciuitas (latim) -pequena cidade de província sem importância política e que dependia da “capital de ciuitas“.
Proveniente de Conímbriga que foi capital de ciuitas, é conhecido um tabularium, livro de leis e regras da política romana para a região.
Segundo Vitrúvio, as cidades deviam organizar-se segundo os princípios de firmitas, utilitas e venustas.
Ver: Bibliografia das Cidades Romanas, neste mesmo blogue
José Maria Blázquez, Urbanismo y Sociedad en Hispania, 1991, Madrid.
Juan Manuel Abascal, La Ciudad Hispano Romana, Urbano Espinosa
Carcopino, Vida Quotodiana em Roma.
Jorge de Alarcão, in «As Cidades e a História»
Jorge de Alarcão, ” O Domínio Romano” in Nova História de Portugal.
Ciuitate — subdivisão territorial de um conventus onde se levou em consideração os factores étnicos dos seus habitantes.
Ciuitates stipendiariae – Povoações que deverão ter-se entregue a Roma, tornando-se os seus habitantes livres, não desfrutando, contudo, os membros destas comunidades de todos os direitos de cidadania romana, pois ficavam submetidos a todo o tipo de imposições e cargas fiscais. Deviam pagar tributo, o vectigal ou stipendium, ao qual se adicionavam outras contribuições de carácter pessoa (v. Oppidum stipendiarium).
Cloaca - Conduta de esgoto
Cocus (latim) – cozinheiro
Collegia (latim) – Associações profissionais romanas
Columbarium– Edifício funerário familiar com sepulturas e nichos para urnas assim designado pela similitude com os que recebiam as pombas.
Columbarium das Ruínas Romanas de Tróia.Ver: O Homem Romano, pp: 236-7.
Coluna- Elemento construtivo que se compõe de várias partes: base, fuste, capitel.
Base e fuste de coluna. Desenho de Ivone Tavares.
Pormenor de bases de coluna. Templo comummente designado por «Templo de Diana». Mérida.
Colunata – sequência ritmada de colunas, suportando um entablamento ou uma série de arcos.
Compluvium – Tanque que recolhia a água das chuvas
Conventus — Circunscrição político-administrativa. Subdivisão de província. Na Lusitânia existiam três conventus: o pacense, o escalabitano e o emeritense. Um conventus era constituído por várias civitates.
A sua função administrativa era fundamental à organização das Províncias e do Império e era por norma na cidade capital de um conventus , cujos habitantes eram genericamente cidadãos romanos de origem itálica, que se sediavam os tribunais. Também eram denominados Conventus Ciuium Romanorum.
Coortes urbanas - a primeira força da polícia citadina, criada por Augusto.
Copo (latim) – taberneiro.
Cores - LATIM ->PORTUGUÊS
pratinus, -a, – um. verde
purpureus, -a, -um. púrpura
caeruleus, -a, -um. azul
lividus, -a, -um. azul escuro
niger. preto
atrus, -a, -um. escuro
fuscus, -a, -um. escuro
ravus, -a, -um. cinza
canus, -a, -um. branco acinzentado
albus, -a, -um. branco
flavus, -a, -um. amarelo
fulvus, -a, -um. amarelo ouro
croceus, -a, -um. Açafrão
ruber. vermelho
roseus, -a, -um. rosa
Filomena Barata partilhou a foto de Grupo BONA DEA
- Rojo y ocre: sulfuro de mercurio,;
-Púrpura: murex, un molusco;
-Negro: marfil, huesos y madera calcinados, y hollín;
-Blanco: carbonato de calcio
- azul: silicato del cobre y calcioFoto: http://www.flickr.com/photos/nimbusaeta/4634941078/

Cornija – É a designação da parte superior do entablamento
Criptopórtico– Conjunto de galerias subterrâneas destinadas a criar uma plataforma horizontal onde se erguiam edifícios.

Crismon- monograma cristão formado pelas letras regas alfa e ómega; após a conversão de Constantino, torna-se a sua insígnia oficial.
Crismon de Tróia segundo desenho de Marques da Costa.***
Cupa– sepultura em forma de barril ou meio barril.
Veja-se:
A ideia de forrar exterior ou interiormente um edifício foi generalizada em princípios da Época Imperial, quando de “marmorizaram” as cidades e se difundiu a exploração de mármores e do seu corte à serra. Eram também utilizados cálcários, conglomerados ou brechas e é recorrenteencontrá-los em balneários públicos ou privados.
Cubiculum – compartimento que funcionava como quarto.
Cursus publicus – via pública
Curatores viarum – funcionários incumbidos pelo Senado, durante a República, da construção das pontes e vias, tais como cônsules, pretores, censores. Com o império incia-se a prática do evergetismo.
Os possessores que tinham propriedades junto das vias , bem como as comunidades que usufruiam da rede viária em determinada região também participavam no financiamento da construção das pontes.
Cultrarius ou gladiarius (latim) – fabricante de espadas ou facas.
Dado- objecto de jogo
Damnati ad Metalla – Contingentes de criminosos que trabalhavam nas minas. No caso da Lusitânia não está comprovado que a mão de obra das minas fosse escrava, tratando-se maioritariamente de homens livres de baixa condição social os trabalhadores das minas.
Em Vispasca, administradas por um procurador do estado que arrendava os filões mineiros, as célebres «Tábuas» contêm parte da legislação por que se regia o couto mineiro e o regime de exploração das minas, dando conta das várias profissões que ali se exerciam também.
Ver: Portugal Romano, A Exploração dos Recursos Naturais, MNS, 1997.
Decurião: O decurião é o responsável pelo controlo
de sua fileira numa centúria romana, sendo responsável por organizar a sua fileira e executar as formações e alinhamentos militares que são ordenadas pelo líder geral da centúria, o centurião.
Imagem e Adaptação a partir de http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm
Defruntum (latim) – Mosto. O vinho era bebido quente ou fervido até ficar um concentrado, o defrutum. Era aquecido e adoçado em panelas de chumbo.
Diatretum – Vaso encolvido por uma estrutura vasada fazendo como que uma rede e a ele ligada por pontes quase invisíveis, resultante de um hábil e paciente trabalho de desbaste de uma única matriz.
Diatetrarius – fabricante ou lapidário que fabricava o diatretum
Dies Natalis - dia de aniversário
Dies Solis, Domingo ou «Dia do Sol» em Latim pagão. Dia destinado ao culto mitraico.
Ver neste blogue «O Culto Mitraico em Portugal».
Digitus e o Palmus – dimensões utilizadas nos tijolos ……………………………
Dispensator – espécie de intendente das finanças do senhor
Dollium – Grande recipiente cerâmico para armazenamento e transporte de produtos.
Domus – Habitação que se desenvolve no sentido horizontal (vivenda), constituída pelos seguintes compartimentos fundamentais: uestibulum (corredor) fauces; atrium; alae; triclinium (local das refeições); tablium (compartimento onde se guardavam as recordações familiares ou as insígnias de cargos públicos exercidos pelo proprietário); peristilo (zona com colunata).
Peristilo de Conimbriga.
No cento do pátio (atrium) ou pátios havia communmente um impluvium, reservatório quadrado pouco profundo que recolhia as águas pluviais. Por vezes era coberto por um toldo.
(Ver Vitrúvio; Jorge de Alarcão, A Casa Romana; A Vida Quotodiana em Roma e la Casa Urbana Hispanoromana, Instituicón Fernando el Catolico.
Duunviro – Magistrado a quem competia a gestão pública. Deviam convocar as reuniões do senado local e presidiam, sem voto, às suas sessões, fixando a «ordem do dia» e moderando os debates. Propunham o calendário anual para as actuações administrativas do município, convocavam as eleições e controlavam o escrutínio. Os duunviros nomeavam os «juízes da cidade» e formulavam propostas para os gastos da cidade, se bem que sob o controle dos decuriões. Os duunviros assumiam também algumas funções religiosas, propondo também o calendário das festividades e a nomeação, com carácter anual, dos responsáveis pelos templos, os magistri.
Edicula – Nicho, altar

Edícula proveniente de Mérida, onde se associa o retrato e o respectivo altar com uma inscrição. Da figura da mulher conserva-se a “palla” e a túnica coberta pela “stola”. A figura masculina enverga a toga. «Os Retratos de Roma», 2011, Museu Arqueológico Nacional, Espanha.
Editor – responsável pelo circo.
Embarcação -
Entablamento – Coroamento de uma ordem arquitectónica e da construção. Compunha-se por vários elementos, designadamente: arquitrave, friso e cornija.
Eques – cavaleiro. A partir de Augusto, o cidadão que, no censo, fizesse prova, no censo, de ter uma fortuna que superasse um milhão de sestércios era senador; Por sua vez, eques seria aquele que possuía 400 mil sestércios. A forma como se vestiam (roupas, jóias) espelhava os 33 lugares cimeiros na escala social, bem como outros atributos de riqueza, como a casa ou o uso da liteira que os transportava.
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf (p. 32)
Equus (latim) – cavalo de montar.
(Ver Mela: 2,68; Marcial: 8,28,6; 12, 86,2).
Segundo Plínio (8, 166) ed. Amílcar Guerra, «Consta que próximo do ópido de Olisipo e do rio Tejo, na Lusitânia, as éguas viradas para a brisa do favónio recebem um sopro fecundante e deste modo se gera uma cria muito veloz, mas que não ultrapassa os três anos de vida».
Estela -
Estela funer'aria epigrafada. Finais do s'eculo II – in'icios do III. Proveniente da Quinta do Marim, Olhão.o
Estrigilo - instrumento utilizado para retirar os óleos do corpo depois das massagens, também teve uma função médica, servindo para aplicar medicamentos líquidos, dada a sua forma côncava. É composto por um cabo, que pode ter várias formas, e uma colher longa com secção transversal côncava e secção longitudinal em forma de nave
(adap. de http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1782/1/22837_ulfl076027_tm.pdf)
Estuque - revestimento das paredes para lhe dar um tratamento homogéneo. Por vezes, para que o mesmo se agarrasse à parede era necessário existir espigões de bronze ou pedras salientes que o ajudavam a fixar. Pode ser decorado, a exemplo dos estuques de Conimbriga.
Evergeta – espécie de mecenas que financiava os espectáculos ou construções públicas . Normalmente a ascensão na carreira política ou administrativa dependia desse financiamento.
Evergetismo – Acto de realizar boas acções em prol dos outros. Durante o Império romano, tornou-se usual que os detentores de cargos públicos demonstrassem o seu empenho pelo bem comum. Deste modo, a elite romana, e não apenas o Imperador, custeava a construções de edifícios públicos ou a oferta de espectáculos à cidade.
Para o financiamento dos jogos concorriam capitais públicos e privados.
Exedra – Local em forma de nicho ou pórtico semicircular
Estruturas Hidráulicas – ver artigo sobre «Aproveitamento da Água em Miróbriga»
Faber – fazer
Faber aerarius – artífice que trabalhava o cobre e o bronze
Faber argentarius – artífice que trabalhava a prata
Faber aurarius– artífice que trabalhava o ouro
Faber ferrarius – quem se ocupava de trabalhos em ferro e de serralharia
Faber marmorarius – até ao século IV designava-se assim o pedreiro, o marmorista, o escultor e também o lapidador de pedras preciosas.
Faber tignarius – artesão que trabalhava a madeira
Fabri cisarii – artífices que trabalhavam carros
Fabri navales – artesãos que fabricavam barcos
Família urbana
Fermentum – fermento/levedura. Os Romanos tinham pão fermentado e pão que não usava levedura.
Fibula (ae) - espécie de alfinete usado no vestuário
«Estes objectos de adorno, sendo ao mesmo tempo acessórios imprescindíveis para prender as peças de roupa tais como túnicas, togas, e capas, desempenharam uma função que poder-se-á comparar, em termos modernos, à desempenhada pelos alfinetes de dama de tamanho grande. A utilização destes utensílios era já conhecida desde períodos que remontam ao século XI a.C., tendo sido proficuamente usados durante todo o Império Romano», e o seu uso prolongou-se após a sua derrocada.
http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/12_1/12_1artigos/189_196.pdf
Fictiliarius – oleiro
Fide – fé, confiança, crédito ou o que produz confiança.
Fiscates (latim) – gladeadores sustentados pelo imperador.
Forceps – pinça de hastes separadas com que se extraíam as raízes dos dentes e os quistos, mas que, com maiores dimensões era também utilizado na construção.
Ver: http://www.vergaranunes.com/latim/cultura/medicina.htm
Forum (pl. fora) – Centro monumental da vida política, comercial, religiosa e mundana de uma cidade.
(Ver Vitrúvio)
A caminho do Forum de Miróbriga. Fotografia Filomena Barata.
Fullonica e ou officinae lanifricariae - oficinas de preparação de
tecidos.
Frescos – pintura mural, feita a fresco, que revestia as paredes interiores dos edifícios
Frescos da Basílica de Tróia.
Fragmento de pintura a fresco, Rua de Burgos, 5, Évora
Pese tratar-se de um trabalho escolar, considero que vale a pena consultar:
http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com/2009/03/arte-da-antiguidade-classica-arte_26.html
Frigidarium – compartimento frio do balneário.
Friso – zona plana do entablamento, entre a arquitrave e a cornija.
Frons scaenae – Parte da frente de cena do teatro que delimitava o palco, ostentando grande ornamentação. Possuía dois ou três andares de colunas, com respectivos os entablamentos e arquitraves. Era comum o uso de estatuária neste local.
Funales (latim) – cavalos que iam atados por uma corda, um de cada lado do carro de triunfo, ao lado dos cavalos de puxar. Nas corridas do circo são os cavalos que se localizam mais à esquerda nas quadrigas, dependendo deles as manobras mais complicadas nas voltas.
(Sobre os cavalos ver Suetónio, pp: 200, 201, 222).
Fundus (latim) – terra
Fuste (lat.) – fuste. Significar pau de madeira, e é, de certo modo, a própria coluna, ou o elemento vertical de apoio) que faz faz a ligação entre a base e o capitel. Pode ser monolítica ou segmentado pela sobreposição de diversos blocos (também designados tambores). Constrói-se de madeira de pedra ou ainda de segmentos cerâmicos (quadrantes) unidos por argamassa. Quando a coluna só apresenta fuste, o extremo inferior deste designa-se imoscapo e o superior sumoscapo.
Gadir - feitoria fenícia; cidade do Mediterrâneo ocidental fundada pelos Tírios, habitantes da cidade de Tiro na Fenícia, actual Líbano, em 1100 a.C. na foz do Guadalquivir. Constituída por várias ilhas, numa delas localizava-se o famoso templo ou Santuário de Melqart/Herakles, onde estavam depositadas as cinzas deste deus. Deu origem à actual cidade de Cádiz (Espanha).
Ver: Referências ao Garum, Plínio, Livro IX, XXXI.
Two Industries in Roman Lusitania, Mining and Garum Production, BAR International Series, 1987.
“Garum” et Industries antiques de Salaison dans le Mediterranée Occidentale, Paris, 1965.
M. Ponsich, Aceite de Oliva y Salazones de Pescado, factores geo-económicos de Bética y Tingitana, Madrid, 1988.
A. Moreno – L. Abad, «Aportaciones al estudio de la Pesca en la Antiguidad», Habis, 2.
S. Jiménez Contreras, «La Industria del Pescado en la Antiguidad», Revista de Arqueologia, nº 68. PP: 20-34.
Gladiadores– profissionais do anfiteatro que combatiam na arena. O nome de gladiador provém da curta espada usada por este lutador, o glaudius. Os lutadores pertenciam a grupos diferentes e as lutas eram organizadas de molde a que nenhum ficasse em desvantagem. Os Trácios usavam como protecção um capacete qutoda a cabeça e um escudo quadrado,além de caneleiras. Utilizavam também as espadas curvas, as sicas.
Foto enviada por Bernardo Nunes para o Portugal Romano
Gregarii milites - militares
Ver«O Soldado» in Homem Romano
Groma - instrumento utilizado na construção civil que permitia não só criar linhas horizontais, como verticais, através de prumos colocados na extremidade da cruzeta de madeira que o constituía. Essa cruzeta estava, por sua vez, agarrada a um braço colocado sobre um pé.
Para além da construção, o Groma permitia ainda fazer a centuriação dos terrenos.
Hipocambo: monstro marinho da mitologia grega; cavalo-marinho.
Hiposcaenium - Zona do teatro romano situada por baixo do palco. Poderia ser usado para a colocação de mecanismos que auxiliassem na remoção e troca de cenários ou para guardar elementos utilizados durante a representação cénica.
Honestiores (latim) – proprietários, em sentido lato.
Horticultura -
(Ver Políbio; Plínio)
Humiliores - Trabalhadores (em geral).
Hypocaustum (hipocausto) – Sistema de aquecimento numa câmara subterrânea onde circula ar quente produzido numa fornalha ou praefurnium.
Fornalha dos balneários das Ruínas de Tróia. Nas salas onde há sistema de aquecimento o chão assenta em pequenos pilares ou arcos (pilae, suspensurae).
Imbrex (Imbrice) – Telha de forma semi-cilíndrica que cobria cada união de duas tegulae, ou telhas rectangulares com rebordos laterais. Uma das extremidades era mais estreita para permitir o encaixe.
Materiais de construção civil da Olaria da Quinta do Rouxinol. Em primeiro plano são visíveis ímbrices.
Imma cavea – Parte inferior das bancadas num teatro romano, conhecida por primeiro anel.
Impluvium: Cisterna ou tanque que recebe as águas pluviais do telhado.
Incubatio – Forma de leitura dos sonhos, induzindo-se o sono.
Infula – trança ou faixa usada pelas vestais, pelos sacerdotes e pelos imperadores para prender os cabelos.
Ingales – Cavalos de corrida.
Inscrição -
Sepultura de Tróia, Grândola
Insula (ae) – Prédio de habitação que se desenvolve no sentido vertical, com vários andares, normalmente arrendados, constituindo um quarteirão.
Uma insula é composta de vários Cenacula (apartamentos).
Instrumentum (latim) – utensílios usados na vida agrícola.
Intercolunio – intervalo entre as colunas. poderia ser pycnostyle (colunas colocadas com um intervalo e meio de diâmetro); systyle (dois diâmetros de intervalo), eustyle (diâmetros de dois anos e um trimestre de intervalo);diastyle (três diâmetros de distância), ou araeostyle (mais do que três diâmetros de intervalo).
http://www.arquiteturarevista.unisinos.br/pdf/64.pdf
Jogos – Havia de vários tipos, desde dados a malhas, existindo mesmo tabuleiros de jogar
Jogo de dados – O dado tinha quatro fazes com um número. A melhor jogada, chamada Vénus, era quando cada dado saía com um número diferente. A pior, chamada cão, era quando todos os dados saíam com o mesmo número.
(Ver Suetónio, pp: 111 e 233).
Latrunculi – Jogo do Soldado (Latrunculi)
Merellus – Jogo do Moinho (Merellus)
Duodecim Scripta – Jogo Tabula
Jugerum dimensões utilizadas no mundo agrário =de 2522,88m2 . A Centuria mede 504576m2
Junctura, (pl. ae) - barragem
Ver: «Aproveitamentos Hidráulicos Romanos a Sul do tejo», 1986, António de Carvalho Quintela; João Luís Cardoso; José Manuel Mascarenhas e edição mais recente.
Congresso sobre o Tejo (Alcantara) e respectivos aditamentos.
La Construction Romaine, Pierre Adams.
Lacus (latim) – fontes públicas.
Lagoena – jarro para água ou vinho
Lanio (latim) – magarefe.
Lanternarius (latim) – fabricante de lanternas.
Latrunculi – jogos VerLudus latrunculorum ou Latrunculi
http://ablemedia.com/ctcweb/showcase/boardgameslat2.html
Lapidação - Técnica de decoração que provoca no vidro um aspecto muito brilhante, resultante das facetas e relevos da sua superfície. A lapidção obtém-se através do desgaste do vidro, usando-se para o efeito tornos verticais aos quais se fixaram rebolos (discos verticais) com abrasivos (ferro, grês, esmeril). Depois de desbastado, o vidro é polido, primeiro com um rebolo de madeira coberto com uma mistura de óxido de chumbo e de estanho e, finalmente, com um disco de cortiça humedecida com água.
Esta técnica foi usada pelos Romanos e Muçulmanos e, dos séculos XVII ao XX, sobretudo na Boémia, Alemanha e Inglaterra.
Lápide – pedra que contém inscrição para comemorar um acontecimento, celebrar a memória de alguém, cumprir um voto ou invocar uma divindade.
Lares – as divindades domésticas.
Larário – altar onde se guardavam as divindades domésticas.
Lateres – Tijolos de argila secos ao sol ou cozidos no fogo.
Lectuli (latim) – leitos de um só lugar.
Lectus genialis (latim) – leito para casal.
Lecti pavonini (latim) – ostentosos leitos com seis lugares, feitos em madeiras exóticas de linhas ondulantes.
Legio - A legião romana era a unidade militar de infantaria básica que existiu durante a República e o Império Romano, sendo constituída por 10 mil legionários e centenas de cavaleiros. Eram diferenciadas por um nome e um número, sendo comum afirmar-se que no auge do Império Romano existissem cerca de 50 legiões. Ver Armas.
http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm
(Ver Tácito e Apiano que refere três legiões na Lusitânia).
Legionário - Um legionário é alistado numa legião para um tempo de serviço de 25 anos e deve ter menos de 27 anos de idade quando é alistado.
Normalmente os últimos 5 anos de serviço de um legionário veterano é prestado em serviços mais leves.
Um legionário é um soldado bem treinado e, como tal, é submetido a uma disciplina rigorosa, fundamental para qualquer legião e é obrigado a marchas forçadas com toda a carga que poderá carregar e em formação de guerra.
Os legionários são como que a elite guerreira do império, motivo pelo que quaisquer infracções são severamente castigadas pelos centuriões!
Após os 25 anos de serviço, o legionário recebia um bónus que lhe permitia fixar-se na província onde houvesse servido em último lugar, comprando um pedaço de terra ou abrindo um negócio, motivo pelo que se tornavam fazendeiros, comerciantes ou artesãos, acasalando-se com mulheres locais, de forma a que os seus filhos pudessem futuramente a tornar-se também legionários. Dessa forma, as Legiões, para além de sua importância militar, foram também um poderoso elemento de difusão da cultura romana.
http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm
Libertus (latim) – liberto.
Escravo liberto que continuava ligado ao seu patrono, patronus, através da prestação de serviços ou de rendas pecuniárias, ficando obrigado a um respeito quase filial: obsequium. Ao momento da sua libertação chama-se manumissio. Não obstante, não lhes era reconhecido o seu direito a ser ciuis de pleno direito, e apenas na terceira geração da sua descendência podia exercer os direitos políticos em toda a plenitude, igualando-se aos homens livres.
Na sociedade romana, a manumissio era uma forma do senhor, dominus, recompensar o seu seruus pelos serviços prestados, passando assim o seruus passava à condição de libertus. Contudo, os libertos eram considerados apenas semi-cidadãos, já que não tinham pleno do direito à cidadania.
“ … estes antigos escravos eram mais ricos, e por vezes bastante mais, do que a maioria da população livre, que se sentia espezinhada pela prosperidade de indivíduos que não tinham nascido na liberdade; suportava-se mal uma opulência que se acharia legítima e admirável num senhor.”
Paul Veyne
Por vezes assumiam dentro da família, familia urbana, funções importantes, a exemplo de dispensator do seu senhor, uma espécie de intendente das finanças ou mesmo de puer delicatus da domina, como bem satiriza Petrónio.
(Ver Petrónio, Satyricon, a história de um liberto)
Géza Alfödy, 1989, A História Social de Roma, Editorial Presença
O Homem Romano.
Ligulae, – colheres que eram eram utilizadas para «medir, misturar, aquecer e aplicar medicamentos, existindo nas mais variadas formas e tamanhos. Uma dessas formas é a cyathus, utilizada para comer marisco e ovos, no entanto, este tipo de colher já foi encontrado entre instrumentos de medicina. Normalmente são de bronze, mas também havia noutros materiais, como a prata.
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf
Colheres medicinais- «Mas, na vossa opinião – disse ele – qual é, segundo as letras, a profissão mais difícil? Quanto a mim, afirmo: o médico e o cambista.
O médico, porque sabe o que os pobres humanos têm no ventre e o momento em que chega a febre – […]”
Tarmalquião, O Satíricon
«Os romanos acreditavam que as doenças
eram consequência da desobediência aos deuses e que se curavam com práticas de cariz ritual e supersticioso. Na obra de Catão o Censor (234-149 a.C.) – De Medicina
domestica (hoje perdida) – podemos encontrar uma medicina de cariz tradicional, sem fundamento científico e onde se mistura superstição e magia (SOUSA, 1981, p. 89-90).
In «Os materiais médico-cirúrgicos de época romana do Museu Nacional de Arqueologia»
Se bem que as mais comuns sejam as cerâmicas, também as há metálicas.
O disco onde se localizava o orifício para o azeite e o canal, tinha genericamente uma forma concâva e podia ser ou não ornamentado, sendo mais comum sê-lo.
Molde para fabrico de lucernas, Olaria da Quinta do Rouxinol.
Pese a vastíssima bibliografia existente sobre lucernas em Portugal, recomendo o estudo de Maria Maia sobre as lucernas de Santa Bárbara dos Padrões, Castro Verde, pelo grande interesse do conjunto e sua iconografia. Sobre as lucernas de Tróia, por se tratar de um estudo recente referente à Necrópole da Caldeira, partilho a seguinte tese disponível em PDF.
http://algarvivo.com/arqueo/romano/lucernas-romanas.html
Laconicum – Sala circular, destinada a banhos quentes e de vapor.
http://arqueologia.igespar.pt/POC/?sid=sitios.resultados&subsid=53561
lectus genialis – leito de casamento
Libertus – liberto
“ … estes antigos escravos eram mais ricos, e por vezes bastante mais, do que a maioria da população livre, que se sentia espezinhada pela prosperidade de indivíduos que não tinham nascido na liberdade; suportava-se mal uma opulência que se acharia legítima e admirável num senhor.”
Paul Veyne
Na sociedade romana, o senhor podia recompensar o seu seruus pelos serviços
prestados, dando-lhe a liberdade (manumissio). E o seruus passava à condição de libertus. Os libertos eram considerados semi-cidadãos, uma vez que não tinham o gozo pleno do direito de cidadania.
A maioria das vezes o liberto devia a sua condição não só à generosidade do seu senhor mas, também, à teia de relações sociais que a sua situação servil lhe viabilizava, como é o caso dos escravos das grandes famílias. Alguns eram instruídos para desempenharem cargos e funções importantes, como serem secretários do seu senhor ou preceptores dos filhos da família a que pertenciam.
A personagem Trimalquião, da obra Satyricon escrita por Petrónio em tempos de Nero, é um exemplo de um liberto enriquecido.
Ludi – Jogos
Representações teatrais (ludi scaenici), as corridas de cavalos (ludi circenses) e as lutas de gladiadores (munera gladiatoria) “são, portanto, muito mais do que meros entretenimentos públicos, oportunidades ideais para testar o equilíbrio entre as várias classes e componentes da vida social romana e para reafirmar o poder das elites que são, afinal, os verdadeiros mecenas/evergetas” F.B.
Ver neste mesmo blogue «Espectáculos na Antiguidade».
Ver ainda: «El Circo en Hispania Romana». Museo Nacional de Arte Romano, Mérida, 2001.
Ludus latrunculorum ou Latrunculi – é um jogo que se associa como o próprio nome indica a bandidos e ladrões, de latrunculus , diminuitivo de latro, mercenário ou salteador. Trata-se de um jogo de tabuleiro já conhecido pelos gregos e vulgarizado entre romanos, lembrando de algum modo o xadrez. Contudo, defende-se que é geralmente aceite como tratar-se um jogo de tácticas ou estratégias militares.
Pedine
Queste minute “pedine” multicolori (Sanp, inv. 7167b) in pasta vitrea e vetro dalle misure variabili tra 0,7 e 1,7 centimetri, vennero rinvenute a Pompei nella bottega sita al civico 12 dell’insula 8 della Regio I. P robabilmente si trattava dei calces utilizzati per il famosissimo e misteriosissimo “ludus latrunculorum”, più semplicemente detto “latrunculi”. Il diffusissimo gioco di strategia militare, un ibrido tra la dama e gli scacchi, evidentemente anche a Pompei come a Roma appassionava e coinvolgeva grandi e piccini».
Macellum (pl. macella) – mercado
Mansiones (lat. Plural de mansio) – significa estalagem, pousada, mansão, onde repousariam os viajantes no tempo de dominação romana
Media Cavea – Anel intermédio das bancadas do teatro, composto por degraus. Como o próprio termo indica, pressupõe a existência de um anel inferior (imma cavea) e de outro superior (summa cavea).
Metae – Nas extremidades do circo romano existiam as metas.
Mathematicus – em latim designava a pessoa que se dedicava às matemáticas, mas também os astrólogos que delas se serviam nas suas adivinhações.
Matrimonium - Matrimónio
Ver os vários tipos de matrimónio entre os Romanos:
confarreatio; coemptio; usus (in A Vida Quotodiana em Roma, p: 105). http://ancienthistory.about.com/od/marriage/a/RomanMarriage.htm
Medicus -Médico.
Em Miróbriga é conhecida uma inscrição que refere a existência de um medicus pacensis: verosimilmente, Gaio Átio Januário, que deixou dinheiro para que se pudessem efectuar os quinquatrus ou jogos no circo.
Em Roma já havia vário tipo de especialistas, designadamente dentistas, cirurgiões, ginecologistas ou mesmo oculistas, os Medici oculari
Imagem obtida a partir de: https://www.facebook.com/pages/Museo-Nacional-de-Arte-Romano/121327647938617
https://www.facebook.com/pages/Museo-Nacional-de-Arte-Romano/121327647938617
Militia Vigilum – os Vigiles eram um corpo instituído por Augusto em 6 d.C. para para fazer vigilância à cidade e combater os incêndios usando baldes e bombas de água, bem como ganchos para derrubar prédios e controlar o avanço das chamas. Funcionavam também como uma força policial.
Mineração e Metalurgia -
Ver : Plínio
Apiano (p.78)
Estrabão (3,2,8-10); Diodoro (5, 33, 3 – 4)
T. Lívio (31, 34, 4)
«Urbanismo y Sociedade en Hispania», José Maria Blázquez, pp: 76 a 80).
«Agricultura y Mineria romanas durante El Alto Imperio», José Maria Blázques
«O Homem Romano», p. 184
«Fishing processing and Mining in Lusitania»
«Two industries in Roman Lusitania, Mining and Garum prodution».
Boletim do Conselho da Europa sobre Mineração.
«Portugal Romano, a Exploração dos Recursos Naturais», MNA, 1997
Para pesquisa de bibliografia actualizada, pode consultar:
«Alguns aspectos da mineração romana na Estremadura e Alto Alentejo / On Roman mining in Portuguese Estremadura and Upper Alentejo
Alguns aspectos da mineração romana na Estremadura e Alto Alentejo / On Roman mining in Portuguese Estremadura and Upper Alentejo
Cardoso, J.L.; Guerra, A.; Fabião, C.
published in: Cardoso, J. L. / Almagro-Gorbea, M. (Eds)
Segundo Plínio, (4,115), «Também se têm cometido erros a respeito de rios célebres. Segundo Varrão, o rio Minho, que atrás referimos, dista duzentas milhas do Emínio, que alguns autores pensam ser noutro lugar e a que chamam Lima, pelos antigos chamado “do Esquecimento” e a que andam associadas muitas lendas. O Tejo dista do Douro duzentas milhas, ficando entre eles o Munda. O Tejo é famoso pelas suas areias auríferas. Distando dele cento e sessenta milhas, ergue-se o promontório Sacro, aproximadamente a meio da parte frontal da Hispânia». (Seg. edição «Plínio o Velho e a Lusitânia», Almílcar Guerra, Edições Colibri).
Maietas (lat.) – exaltação do poder imperial.
Maltha – mistura de cal, banha de porco e sumo de figos verdes, utilizada como impermeabilizante.
Mansae (latim) – No Alto Império, as mansae eram mesas de pé de galo, de madeira ou de bronze, ou prateleiras de mármore assentes num só pé e destinadas a expor à admiração do visitante os objectos mais preciosos da residência (cartibula). Utiliza-se ainda este termo para um tipo de sepulturas muito específico, como se podem encontrar nas Ruínas da Península de Tróia, descrevendo-se a sua forma como apropriada para serem feitas libações junto dos defuntos.
Sepulturas de mansae. Ruínas romanas de Tróia.
Melqart: divindade favorita de Gadir (Cádis). Deus da navegação e dos navegantes fenícios. Segundo Esmeralda Gomes Merlão: o mesmo que ameia Neptuno: divindade marinha protectora dos colonizadores e comerciantes.
Modiolus – o trépano consistia numa lâmina, redonda e dentada na parte inferior, unida a uma broca, e com um espigão no interior. Era utilizado na medicina para realizar trepanações, e eram maioritariamente de ferro.
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1782/1/22837_ulfl076027_tm.pdf
Molendinum – jogo
Mós -
Mó proveniente de Tróia. Fotografia Manuel Heleno. MNA.
Mosaico -A técnica da arte musiva consiste na colocação pequenos fragmentos de pedras – tesselas – a exemplo do mármore e granito moldados pedras semi-preciosas, pastilhas de vidro, seixos e outros materiais, sobre qualquer superfície.
Ver Opus tesselatum - pavimento revestido com tesselas ou tesserae.
http://iha.fcsh.unl.pt/uploads/RHA-6-8.pdf
http://www.dosalgarves.com/revistas/N2/6rev2.pdf
http://algarvivo.com/arqueo/romano/mosaico-romano.html
Gradualmente o conceito foi definindo uma organização territorial particular, com a sua administração própria: senado, comícios e magistrados, sob a alçada de um praefectus, funcionário estatal.
O município romano podia aplicar as suas leis próprias e os seus habitantes tinham direito de servir nas legiões, de casar com cidadãos romanos e de comercializar com os residentes na Urbe.
Musas-

Sarcófago das Musas. Museu do Carmo.
As Musas são deusas das artes e da ciênca, filhas de Zeus e de Mnemosyne. São nove:
Calíope - Eloquência
Calíope (“linda voz”) é a mãe de Orfeu e Linus com Apolo. Ela foi árbitro da disputa de Adônis entre Perséfone e Afrodite. Os seus símbolos são um pergaminho, tábua de escrever e estilete.
Clio - História Outros nomes Kleio
Significado do nome “Proclamadora” Clio A Musa da História. Com Pierus, rei da Macedônia, ela é a mãe de Jacinto. A ela é atribuída a introdução do alfabeto fenício na Grécia. Seus símbolos usuais são um rolo de pergaminho ou um conjunto de tábuas para a escrita.
Clio: Muse of history. (detail) Moregine, Triclinium A, 1st century AD, fresco, Ufficio Scavi, Pompeii. Imagem a partir de: Ancient Rome
Erato - Poesia amorosa. Significado do nome: “Adorável”
Euterpe - Música
Significado do nome : “Delícia”.
Euterpe, pela cultura grega, é uma das nove Musas de Apolo. Seu nome significa “plena alegria” ou “delícia”. Nascida de Zeus e de Mnemosyne, a deusa da memória, juntamente com as outras oito irmãs, Euterpe é a Musa da música e da poesia lírica. Ela também é a Musa da alegria e do prazer e do tocar de flauta, e a ela atribui-se a invenção da flauta dupla, que é o seu símbolo. Originalmente as Musas eram as divindades da primavera, depois foram chamadas de deusas das várias inspirações humanas. As nove Musas cantavam e dançavam, lideradas por Apolo, nas celebrações de deuses e heróis. As Musas induziam a memória dos humanos e inspiravam escritores e artistas.
Melpômene - Tragédia
Significado do nome: “Coro”
A Musa da tragédia. Ela é usualmente representada com uma máscara trágica e usando os coturnos (botas tradicionalmente gastas e usadas pelos atores). Algumas vezes ela segura uma faca ou bastão em uma mão, e a máscara na outra.
Polínia - Poesia lírica. Significado do nome: “Muitas canções”
Polínia é a Musa grega do hino sagrado, da eloqüência e da dança.
Ela é representada usualmente numa posição pensativa ou meditativa. Ela é uma mulher de olhar sério, vestindo num longo manto e descansando um ombro num pilar. Algumas vezes tem um dedo na boca
A Musa da poesia lírica (elegia), particularmente a poesia amorosa ou erótica, e da mímica. Ela é representada usualmente com uma lira.
Terpsícore - Dança. Significado do nome: “Delícia de dançar”
Urânia - Astronomia. Significado do nome: “Rainha das montanhas”
A Musa grega da astronomia e da astrologia. Ela é representada com um globo na mão esquerda e um prendedor na direita. Urânia veste-se com um manto bordado com estrelas e ela mantém seus olhos fixos no céu.
A partir de : Compton’s Encyclopedia
Encyclopedia Mythica
http://www.lunaeamigos.com.br/mitologia/musas.htm
A Musa Terpsícore. Seu símbolo é a lira. De acordo com algumas tradições, ela é a mãe da sereias com o deus ribeirinho Aquelau.
Talia - Comédia. Significado do nome: “Festividade”
Talia é uma das Musas gregas, e ela preside a comédia e a poesia leve. Seus símbolos são a máscara cômica e um cajado de pastor. Talia também é o nome de uma das Graças (Cáritas).
Lucerna proveniente das Ruínas Romanas de Tróia com representação da Musa Erato, Nº Inventário : 983.461.3, MNA.
Inúmeras são as representações de Musas, quer em elementos arquitectónicos ou objectos escultóricos, quer em objectos de uso doméstico, podendo apenas para exemplificar aqui referir o célebre mosaico das Musas, proveniente da Villa romana de Torre de Palma e o sarcófago das Musas de Cós, que se encontram no Museu Nacional de Arqueologia e ainda citar o exemplo da estátua de Urania, Musa da Astronomia,
Ver artigo publicado neste mesmo blogue sobre a Villa romana da Quinta das Longas, Elvas.
Mas ainda e somente a título de exemplo gostaríamos de relembrar a Musa Erato, representada numa lucerna de Tróia, pertwencente ao acervo do Museu de Arqueologia (Nº Inventário 983.461.3), publicada também por João Almeida (Estampa II), podendo consultar-se:
Mão esquerda feminina segurando globo cósmico. Foto-composição Portugal romano
O braço do qual partiria esta mão estaria em posição horizontal e terminava no bordo de uma túnica da qual se conserva o remate do tecido da manga. O globo apresenta os símbolos astrais, sol e lua em faces opostas. A posição do globo faz pensar que a figura estaria de pé, segurando o “radius” com a mão direita. Esta mão pertenceria certamente a uma representação da musa Urania, tema frequente nos reportórios iconográficos ibéricos»
Mosaico das Musas proveniente de Torre de Palma. Século IV. MNA
Sobre o célebre mosaico da Villa romana de Torre de Palma, pode consultar o catálogo da exposição «Deuses e heróis da Antiguidade» in http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/?a=2&x=3&i=33 ou
| O Mosaico das Musas, | Janine Lancha |
| Editora | Museu Nacional de Arqueologia, 2002 |
Molendinum – moinho
Muralha -
Mutationes ou stationes – infraestruturas de apoio ao longo das estradas para apoio dos viajantes e muda dos cavalos.
Natatio – Tanque utilisado como piscina, comum nos balneários e termas. Nas uillae estes tanques serviam também para apoiar as hortas e pomares.
Naumaquia (latim) – representação de batalha naval, sendo o teatro (ou anfiteatro) coberto de água para esse efeito.
Necrópoles – Cemitérios. Podem ser de icineração ou inumação.
http://www.geira.pt/bracara/necropoles.html
Nemora tonsilia (latim) – poda dos arbustos para terem formas caprichosas.
Oppidum (lat.; plur. Opidda): povoação fortificada, geralmente situada no alto de uma colina ou de um monte geralmente com uma intensa ocupação da Idade do ferro; designando-se vulgarmente por castro.
Oppida rusticus – eram os antigos povoados indígenas que por se situarem em montanhas ou lugares recônditos, não tinham foram alvo de romanização, certamente por terem pouca relevância económica. Pagavam imposta à cidade stipendiária.
Oppidum stipendiarium – Povoação ou lugar fortificado, que tendo-se tornado romana por direito de guerra, e tendo-se-lhe rendido sem condições, devia pagar tributo: o vectigal ou stipendium.
Opus - trabalho, obra
Opus caementicium – betão usado usualmente no interior de uma construção, misturando argamassa de cal e areia com um inerte feito à base de pedras de pequeno calibre, tijolo, areia, servindo muitas vezes de enchimento.
Opus doliare – actividade ligada ao fabrico de telhas e tijolos
Opus incertum – aparelho construtivo de alvenaria irregular, sem serem desbastadas, ou apenas afeiçoada na face à mostra.
Opus latericium – aparelho construtivo com tijolos secos ao sol.
Opus mixtum – aparelho executado com alternância de opus reticulatum ou incertum com opus testaceum.
Opus quadratum - (ver quadrati lapides) – aparelho construtivo de alvenaria de pedra talhada ou silhares regulares, paralelepipédicos, com o lado menor quadrado, ou seja, com os silhares em formas de amarração.
Ver: Garcia Bellido, Arte Romano, pp: 47-49, entre outros abaixo citados.
Opus reticulatum - aparelho de construção regular, formando de pequenas pirâmides de base quadrada.
http://users.skynet.be/bk239267/techniek2.htm
Opus sectile – revestimento formado por pedras coloridas.
Opus signinum – argamassa feita de cal hidráulica, areia e tijolo moído, usada para construção de pavimentos e impermeabilização de tanques e paredes. Costuma designar-se por formigão.
Opus testaceum – ladrilho ou aparelho construtivo utilizando cerâmica cozida vulgarizado a partir do imperador Tibério, ao ponto de se ter tornado quase o sistema de edificação oficial.
De acordo com as suas dimensões que foram normalizadas no Século I, podem designar-se:
Bessales – 2/3 pés, 19,7 cm
Sesquipedales – 1 pé 1/2 44,4 cm
Bipedales – 2 pés 59, 2 cm
Ver G. Bellido pp:50-51.
Pierre Adams, pp: 158-159
Opus vermiculatum - mosaico fabricado com pequenas tesselas.
Opus Vittatum – tipo de aparelho com pedras colocadas na horizontal, vulgarizado a partir do Século II, podendo ter fiadas de tijoleiras.
Orchestra – Parte semicircular do teatro romano, entre o palco e as bancadas, destinada aos assentos dos magistrados e outras individualidades de prestígio. Situava-se defronte à cena e ao proscenium.
Ordo decurionum (ordem dos decuriões). A ordem decurional categorizava os indivíduos que podiam exercer funções governativas, de tal maneira que à Assembleia ou senado municipal de notáveis: magistrados, sacerdotes e juizes se chamava Ordo decurionum. O Senado era portanto o órgão supremo de governo dos municípios. O facto da inscrição na ara dedicada ao deus Esculápio, aparecida em Miróbriga, fazer referência à splendidissimus ordo implica, portanto, a existência duma organização de tipo municipal neste Sítio.
Paganus - camponês; “civil”; pagão
Ver: O Homem Romano: 91.
Parapegmata – calendários gravados na pedra

Foto de Museo Nacional de Arte Romano
Palaestra – Pequeno pátio destinado a exercícios, comum nos Balnea.
Pane– pão
Na sua origem o pão era fabricado em casa, situação que com o crescimento das cidades e do Império se alterou. Segundo Plínio, o Velho, isto ter-se-á dado a partir da conquista da Macedónia, em 168 a.C. Ao que se sabe, foi com os Gregos que os Romanos aprenderam a fabricar pão e, durante o Império, os padeiros eram geralmente Gregos. Consta que, em 100 a.C. haveria em Roma cerca de 258 padeiros, tendo a técnica sido difundida por todo o Império.
O pão mais comum era um pão redondo, feito de Emmer, um cereal da família do trigo.
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fig. 1 e 2 – Desenhos ilustrativos do fabrico e venda de pão na Roma Antiga, a partir de: http://pinto2003.no.sapo.pt/hproma/hp_roma.htm |
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«Com o tempo, melhoraram o processo de moagem, e como resultado disso foram os primeiros a produzir pão branco. Anteriormente, faziam-se pães escuros, de grãos integrais. Por volta de 100 a.C. Roma possuía mais de 200 padarias comerciais. Uma escola para padeiros foi criada pelos romanos no século I. A grande expansão do pão em Roma causou o nascimento da primeira associação oficial de panificadores. Os seus membros gozavam de um estatuto muito privilegiado. Eles eram livres de alguns deveres sociais e isentos de muitos impostos. A panificação tornou-se tão prestigiada durante o Império Romano, que era considerada ao nível de outras artes, como escultura, arquitectura ou literatura». A partir de: http://pinto2003.no.sapo.pt/hproma/hp_roma.htm |
Panis quadratus – Pese o nome, este pão não é quadrado, mas circular. O nome deve-se às barras no topo do pão que a divide em quartos.
Segundo: http://webzoom.freewebs.com/earlyperiod/PANIS%20ROMANVM.pdf
Panis mustaceus - Pão-comumente cozido em um anel com uma coroa de louros no topo. Cato dá-nos uma lista de ingredientes: 660g. gordura, 330g. queijo fresco, 8,7 litros Farinha, anis, cominho. (Cat. RR CXXI). Este pão era comumente consumidos no casamento e festas, daí as quantidades maiores de ingredientes.
xxi
Panis farreus - pão feito de farinha de espelta grossa para ser quebrado e partilhado por uma noiva e noivo na noite de núpcias.
Panis adipatus-Uma espécie de pizza ou pão achatado, que continha uma boa quantidade de bacon e gordura de bacon.
Panis militaris – pão usado pelos soldados. É comumente veio em duas variedades.
Casternsis: Pão acampamento
Mundus: Pão de marcha
Ambos foram um tipo de biscoito seco duro que teve que ser embebidos antes de comer. (N.H. Pliny. XVIII-68)
Panis nauticus – Muito parecido com pão soldado. Conhecido como biscoitos navio. (XXII-Pliny. N.H.
138)
Panis Picentino- Outro tipo de pão duro que exigia a imersão, geralmente no leite ou mulsum * antes de se comer. Picentino era um pão de luxo feito de alica, encharcado nove dias e depois amassado com uvae passae suco (o sumo doce de uvas secas ou sumo de uva). Era moldado com um rolo de comprimento, colocada num vaso de argila e cozido no forno até a ruptura do pote. (Pliny.N.H. XVIII-106)
Panis quadrado-Apesar do nome este pão não é quadrado, mas circular. Ela deve seu nome às barras no topo do pão.
Panis boletos – Pão que aparents a forma de um cogumelo. Era coberto com sementes de papoula e colocadas em um molde de vidro. As sementes de papoula garantiu que o pão não grudar. Ele era da cor do queijo defumado.
Panis alexandrinus – pão popular, frequentemente mencionada em receitas e textos. Continha
Cominho egípcio e foi importado de Alexandria, daí o nome.
Panis cappadocianus – Um pão estilo ‘turco’ que foi produzido com massa de farinha e leite. A isto foi adicionada uma grande quantidade de sal. Ele foi cozido em forno muito quente durante um curto período de tempo e tinha uma crosta suave.
Panis secundarius-Um tipo comum de pão branco. Durante a República, comer pão branco era considerado muito luxo e um empreendimento caro. No momento em que o Império estava no seu auge, o pão branco era considerado comum e, portanto, conhecida como uma segunda escolha ou secundus. Com o imperador Augusto, veio a popularidade de pão integral ou produtos menos refinados, receitas, assim, a reintrodução de que há muito tinham sido esquecidos; pães mais pesados foram de novo usados.
Pane sordidus (latim) – pão de má qualidade.
Orindes - pão, feito de farinha de arroz
Cybus Cube-pão feito com anis, queijo de ovelha fresco e azeite.
Mazas- biscoitos de cevada
Cribana - Pão-feito com queijo coalho. Tinha uma forma a assemelhar-se peito de uma mulher.
Sobre a expressão «Pão e Circo» de Juvenal, veja-se: http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&ved=0CE4QFjAD&url=http%3A%2F%2Fwww.brapci.ufpr.br%2Fdownload.php%3Fdd0%3D10954&ei=M5WzUJjZKsmWhQe8qoH4Cg&usg=AFQjCNGOCkpty3SMVledNq_QHWfuj4nF3A&sig2=aDpz9S6f-hMkaPhANl9dKw
Sabia-se que, em Roma, eram usados selos para marcar o pão.
http://derecoquinaria-sagunt.blogspot.com.es/2013/01/signa-pistorum-sellos-de-panadero.html
Pater familias - o Pater familias exercia poder sobre os filhos, os escravos, a mulher e os bens da família, ou seja exercía a Res Familiaris.
Ver: Gèza Alfödy, A História Social em Roma, p: 24.
Pátera – recipiente fundo de forma redonda podendo ter com cabo horizontal liso ou decorado.
No MNA, Sala de Ourivesaria, podem ver-se vários exemplares em prata.
Patria Potestas - autoridade absoluta do pai sobre os filhos; do marido sobre a mulher colocada in manu.
(Ver artigo sobre a Mulher em Roma neste mesmo blogue)
Pinacotheca(latim) – salão de pintura.
Ver Vitrúvio
Pondus – peso
Pregos-
Patroni e clientes- patrono e cliente.
«A amicitia fazia depender de um homem rico, abastado (o patronus), um número maior ou menor de homens menos abastados ou mesmo pobres (os clientes). O poder e a influência do patronus mediam-se pelo número de clientes que o seguiam. Qual o interesse neste elo? Ambas as partes retiravam dele proveito: o patrono podia sempre contar com o apoio dos seus clientes nas eleições, ou em qualquer outra circunstância em que fosse útil a
manifestação de apoio, como no decurso de processos em tribunal; o cliens, por seu lado, contava com o apoio material (a sportula diária, que lhe permitia pelo menos sobreviver) e,também, jurídico, no caso de se ver envolvido em processo judicial» in Lucinda Maria da Silva Cavaco .JUVENAL, SATVRAE. Tipos e Vícios.
.Pax Romana - expressão que se refere à estabilidade política e económica e à tranquilidade social que o Império romano trouxe às populações.
Pecunia publica - dinheiro público obtido das cobranças de impostos e dos rendimentos do ager publicus.
Pensum – peso para tear de lã.
Peristylium – O peristilo era um pátio ou jardim de colunas formado por um pórtico para o qual davam as habitações da casa. Era composto por um átrio (atrium) rodeado por colunas e fornecia luz e arejamento à casa e o tanque que recebia as águas da chuva provenientes do telhado tornava a casa mais fresca
Era em torno deste que, normalmente, se desenvolviam as diversas salas da casa, quartos, escritório, sala de jantar,biblioteca, etc.
Pes dimensão de utilizada na construção das paredes = 0,296m. Por sua vez o Passus mede 147,9 cm.
Pesca -
Estrabão refere que o rio Tejo era rico em peixe e ostras (3, 3, 1)
ver bibliografia referida em Garum
Pilum – arma de arremesso usada pela infantaria (dardo ligeiro da cavalaria)
Piscis salsus -peixe salgado.
Plebs – plebe
ver: vulgus; turba; multitudo; pauperes in
Homem Romano, p. 23o e
Géza Alfödy, H. Social de Roma, p: 25
Ver também «Homem Romano».
Podium – Plataforma sobre a qual se eleva o templo romano. O mesmo podium podia ter vários templos.
Possessores – proprietários ou pessoas detentoras de terrenos
Praefurnium – Fornalha dos balneários romanos.
Praesidium – quartel de guarnição.
Psique -
Pontes -
(lat.) – ver Arco e flecha) – A ponte é para os Romanos um grande indicador de civilização, pois é ele que permite vencer a natureza e assegurar que a rede viária do império é, de facto, uma realidade. Ou seja, é um grande elemento romanizador. Sejam construídas de madeira ou de pedra, ou apenas pontes flutuantes com barcos ancorados às duas margens, elas garantem também a passagem dos exércitos, sendo, por vezes destruídas algumas edificadas só para esse efeito, a exemplo do que se sabe que aconteceu com a que foi construída por César para atravessar o Reno (César, A Guerra das Gálias, Livro I, Capítulo XIII; Lisboa, Edição Estampa, 1989).
A partir de Augusto, a exemplo com o que se passa com a monumentalização das cidades, as pontes passam também a ter um caracter monumental, e a partir da Pax Romana, a ponte perde o seu carácter fortemente estratégico e militar, para assumir um aspecto mais civil ou mesmo honorífico, sendo comum ornamentá-las até com Arcos de Triunfo.
Por sua vez, porque agora encarada como “obra de arte”, a sua concepção passa a ser garantida por arquitectos, sendo os engenheiros relegados para segundo plano.
Segundo alguns autores, o Pontifex romano era o “construtor da ponte”, ou seja, o que une dois mundos separados, uma espécie de ligação entre o Céu e a Terra.
Talvez por isso mesmo o Pontificado, título que era reservado ao imperador romano, Pontifex, hoje Papa, significa exactamente construtor de pontes”, ou seja mediador entre esses dois mundos, e tenha como símbolo o arco-íris, essa “passagem” que Zeus lançou entre os dois mundos – o terrestre e o celeste – e que Ísis, a sua mensageira da boa nova percorre.
Ver: Pontes Romanas de Portugal, (Direcção de Paulo Mendes Pinto), Associação Juventude e Património.
Garcia Bellido, Arte Romano
CVRIA ORDINIS, Jean Ch. Balty, Académie Royale de Belgique. 1991
Pierre Adams, La Construction Romaine
Ponte de Miróbriga. Fotografia Filomena Barata. 2011
http://www.portugalromano.com/2011/11/as-pontes-antigas-no-alentejo/
(ver Apuleio in opus cit. p:81).
Pontes tumultuarii e longi - pontes flutuantes e de estacaria sobre grandes extensões de terrenos alagadiços.
(Ver Plínio).
Pontifices - Formavam um dos mais importantes colégios de sacerdotes de Roma, dirigindo o essencial dos cultos cívicos da cidade. Também eram responsáveis pela construção das pontes, ou seja, eram “fazedores de pontes”, pontem+facere
Popularia (latim) – lugares destinados ao povo nos locais de espectáculo romanos.
Prefeito – tinha por missão, durante o Império, assegurar a tranquilidade de Roma, num raio de 100 milhas. Estava à frente das coortes urbanas e tinha jurisdição criminal sobre Roma e a sua região.
Proscaenium – Estrutura do teatro romano correspondente ao cenário. Era a parte posterior da scaena, tratando-se de uma estrutura de grandes dimensões que delimitava o espaço cénico da restante área. A zona compreendida entre a fachada cénica e esta estrutura era muitas vezes aproveitada para os camarins dos actores.
Prumo- instrumento utilizado na construção para definir a vertical.
pullmentum – uma papa que se obtinha com a mistura de farinha de trigo e água e que mais diluída funcionava como refresco.
http://www.monografias.com/trabajos11/histgast/histgast.shtml
Pulpitum – Parte da frente da scaena, ou seja, mais próxima da orchestra, a zona do teatro clássico onde se desenrolava a representação teatral. Era o lugar destinado aos actores, localizado a seguir ao proscaenium.
Púnico: derivado de Phoenix ou Fenícia/Fenício; diz-se do que se relaciona com a civilização púnica; do período púnico, compreendido entre os séculos VI a IV a.c. em que as colónias fenícias do Ocidente mediterrânico, tendo como centro Cartago, se reorganizam e readquirem importância económica, política e cultural (v. Fenícios).
Putto – representação de figura infantil alada
Quadrantes – fragmentos cerâmicos unidos por argamassa que são constituintes do fuste de uma coluna.
Quadrati lapides - silhares de forma paralipédica, de lado menor quadrado, de mais ou menos dois pés (0.60 cm) e com o comprimento de mais ou menos o dobro ou o triplo.
Queijo – Já conhecido nos textos bíblicos, o queijo foi usado entre os Gregos. Em Época Romana o queijo foi levado para todas as partes do Império, tornando-se numa iguaria indispensável nas refeições dos nobres e em grandes banquetes, sendo também consumidos por soldados e atletas, pois eram conhecidas as suas qualidades nutritivas e calóricas. Segundo a mitologia, o queijo teria sido descoberto por um dos filhos de Apolo, Aristeu, Rei da Arcádia e era feito com leite de cabra e de ovelha.
Rete, is = “rede ou teia”
Religião -
Ver: Religiões da Lusitânia, MNA.
Retiarius (latim) – Combatente de circo que usava um forcado de três pontas (tridente) e uma rede.
Rudus – Espécie de base ou leito para o assentamento de um pavimento de mosaico ou estrada, constituído por pedras colocadas sem argamassa.
Sacerdotes –
Ver: «O Homem Romano» e Le Génie Romain.
Sagarius – fabricante de mantos.
Salsamenta - Preparados de peixe com com consistências pastosas. Enquanto o piscis salsus era um alimento, os salsamenta funcionavam como condimentos.
Salsum – carne salgada ou com vinagre, tal como o bacon.
Santuário – espaço onde se concentram templos ou um qualquer local onde se pode cultuar uma divindade. Há santuários ao ar livre, concentrações de edificado, ou rupestres, existindo, em Portugal, de variadíssimas tipologias.
http://www.portugalromano.com/category/santuarios-romanos/
«Um santuário é, por definição, um espaço onde a comunicação com o divino é possível, onde a re-ligio se concretiza em si mesma e se torna realidade. Esta noção encontra-se estreitamente vinculada ao lugar em si mesmo,
independentemente de este apresentar estruturas construídas ou não. Um lugar
sagrado revela-se por si próprio e, mais do que as características físicas que este
possa apresentar — tais como a sua situação topográfica, a eventual presença
de eminentes afloramentos rochosos, nascentes ou cursos de água, determinadas espécies vegetais que possam estar aí localizadas —,
1
é o impacto emocional que a dada altura desperta nos indivíduos que assinala a sua sacralidade.
Por conseguinte, um lugar sagrado nunca é escolhido: ele revela-se por si mesmo, e é justamente essa revelação que Séneca descreve ao seu amigo Lucílio
Júnior, governador da Sicília».
http://ifc.dpz.es/recursos/publicaciones/30/23/10correiasantos.pdf
http://www.portugalromano.com/category/santuarios-romanos/
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70273/
http://imprompto.blogspot.pt/2006/08/monte-figo-i-o-santurio.html
Sapa – vinho novo reduzido pela fervura.
Sartago – frigideira plana, redonda ou de ferro, tendo algumas delas asas articuladas, motivo pelo que, pela facilidade de transporte, eram utilizadas pelos militares.
Scaenae – Palco onde eram realizadas as representações cénicas no teatro. Esta fachada ou parede monumental era geralmente muito decorada com estatuária, colunas e pinturas, funcionando como um cenário permanente.
Scutum – Escudo que pode ter várias formas, ao longo dos tempos.
Ver:
Scutum. A partir de: http://www.larp.com/legioxx/scutum.html
Scutarius – fabricante de escudos (V. Homem Romano, p: 190).
Secutor – gladiador cuja função erra correr atrás do inimigo, depois de lançada a rede, a ver se podiam feri-lo de haver tempo para a preparar de novo.
Senatus -
Sepulturas -
De inumação:
Sepultura de inumação. Ruínas Romanas de Tróia.Templo dedicado ao culto imperial. Évora.
Ver «A História Social em Roma».
Servi - escravos
Servi atriensis - servos de casa.
Servi cursores, viatores - servos de fora.
Ver: «A Vida em Roma», P. Grimal e «A Vida Quotodiana», pp: 80-100.
Sextarius- unidade de medida equivalente a 1/48 de uma ânfora, ou 547 ml.
Ver medidas romanas em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1
Sigilo – trigo do inverno; trigo muito duro. Trigo de primeira qualidade (Vaar. R. Rust. 1, 23)
Signa Pistoris – Selos de padeiro
http://derecoquinaria-sagunt.blogspot.com.es/2013/01/signa-pistorum-sellos-de-panadero.html
Skyphos – Taça baixa com duas asas dotadas de apoio para os dedos. Copiavam taças de prata usadas para beber vinho.
Silentiu – Silêncio, ausência de qualquer defeito na tomada de auspícios ou agouros. Repouso.
Silhar – pedra aparelhada, esquadriada.
Soleira – Parte inferior do vão da porta, ao nível do piso, constituída por pedra, mármore ou peça de madeira, onde entram também os encaixes da porta.
Soldado (lat. militas; militia – serviço militar)
Ver Armas.
No Império Romano, os legionários estavam organizados em pequenos grupos de 10 elementos que formavam grupos maiores de 80, sob as ordens de um centurião.
As legiões podiam variar em número de efectivos, mas a sua maioria
tinha 4.800 homens.
A partir de Augusto o exercito romano torna-se uma profissão,
chamando-se “milites mei” o laço que unia o soldado ao imperador e que estabelece as suas obrigações e privilégios.
O legionário romano era normalmente um cidadão com a idade inferior a 27 anos, era alistado para servir 25 anos, sendo os seus últimos anos como veteranos mais leves, sendo-lhe atrinuídas terras depois das reformas agrárias do século I D.c. Ao soldado (militia) era atribuído um soldo (stipendium) e ainda tinha vários tipos de benefícios intermédios, financeiros ou jurídicos. As armas mais comuns que utlizava e transportava consigo eram:
gladius – espada curta
pugio – adaga
lorica segmentata – armadura
scutum – escudo
galae – capacete
pilum – dardo
Consigo levava ainda alimentos que deveriam permitir-lhe sobreviver
quase quinze dias, utensíliios de cozinha e as sandálias – caligae.
Como era altamente disciplinado e preparado fisicamente, fazia marchas longas com esse equipamento que poderia pesar entre 20 e 50 quilos.
Mas existiam também soldados especializados em actividades secundárias, tais como a engenharia, a carpintaria e a medicina e, embora fossem poupados a algumas das tarefas mais duras, podiam ser também colocados em campo de batalha.
Marte era normalmente figurado com os atributos militares: capacete, couraça, lança e escudo. Em Torre de Palma, Monforte, há um altar onde Marte está assim representado.
Em território português há também alguns exemplares de capacetes, designadamente o encontrado em Aljezur e em Cabeço de Vaiamonte, Monforte.
http://drjoseformosinho.blogspot.com/2009/10/aljezur-e-o-dr-jose-formosinho.html
Sonus (latim) – sono (ver incubatio como se usava nos tratamentos, designadamente os de Esculápio).
A Fábula do Sono, Marco Cornélio Frontão, século II
«Não roubes tempo ao sono e respeita os limites entre o dia e a noite. Imagina que dois deuses muito ilustres e nobres, a Tarde e Lúcifer, mantiveram um litígio sobre umas fronteiras ainda por delimitar. Cada parte fez as suas alegações sobre os seus respectivos territórios. O sono solicita intervir no seu litígio porque diz que o assunto também o afecta e que se sente prejudicado».
O sono nasceu, pois, porque Júpiter, ao verificar que os Homens passavam a noite sem descansar, dedicando-se na mesma aos seus afazeres e negócios, resolveu criar o deus sono, dotando-o de asas, como Mercúrio mas, desta feita, nas costas. E o sonho foi a forma que Júpiter encontrou para que o sono dos Homens fosse mais agradável».
Specullum– Espelho. Normalmente era de bronze polido numa das faces e decorado na outra.
Spathomele - sonda espatulada que numa das extremidades termina em
forma de espátula. Podia ter várias formas, a maioria de remo, mas algumas de bico de pato ou de lanceta, e podiam ter os bordos afiados, formando gume.
specilum – as sondas eram utilizadas nas mais variadas actividades da vida romana, como a medicina, a cosmética e ainda pelos pintores. A maioria era fabricada em bronze, mas também existem exemplares decorados com ouro ou prata, ou mesmo totalmente fabricadas em prata, osso, madeira e chumbo. Na medicina eram utilizadas na pequena cirurgia, na exploração de feridas, e na preparação e aplicação de medicamentos.
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1782/1/22837_ulfl076027_tm.pdf
Spina ou Euripus – Muro de baixa altura que divide longitudinalmente o circo em duas metades, sem o atravessar na totalidade. Nos extremos da spina localizam-se as metae: meta prima e meta secunda. Os carros – bigas ou quadrigas – corriam à volta da spina e junto às metae colocavam-se os fiscais, ovaria, que contavam as voltas que os concorrentes tinham percorrido. Sobre a spina podiam existir estátuas, altares, fontes, ou mesmo obeliscos.
Scribilita, sriblita – pastelaria, tipo de panqueca. Pastel de quijo (Pet. 35.4)
Stilus - instrumento metálico (executado em ferro ou bronze) ou em osso que servia para escrever nas tábuas de cera. Através da utilização de uma espátula podia apagar-se e voltar a ecrever.
Substitius - substituto
Suspensura – Pavimento que acentava sobre pilares ou arcarias de sustentação que viabilizavam a circulação do ar quente das termas ou balneários.
Stabulum – Hospedaria
Statumen – Espécie de uma base de assentamento de um pavimento ou estrada, que forma um betão constituído por pequenas pedras, cal e areia ou saibro.
Sudatorium – Sala onde se praticava o banho de vapor ou sudatio. Trata-se de uma zona húmida e quente dos balneários.
Suspensura (pl. suspensurae). Pavimento suportado por pilares ou arcarias.
Sutor – sapateiro ou o artesão que coze peles e cabedais.
Tabellarii – Os mensageiros do correio, assim denominados pelo facto de conduzirem as tabellae – pranchetas de madeira, que transportavam em bolsas de couro.
Taberna – Pequena loja comercial.
Ver «O Homem Romano», p: 240.
Tablinum — sala principal ou divisão nobre da casa romana.
Teatro – Local para representações cénicas que tendo os Romanos herdado dos Gregos, normalmente eram a tragoedia e a comoedia, se bem que a pantomima (mímica e dança) o mimus , géneros populares tivessem sido muito apreciadas na Época Imperial, onde podiam participar mulheres ao contrário do que acontecia nos outros casos.
As representações cénicas romanas combinavam dança, canto e música.
Ver LVDI ROMANI
Os profissionais do teatro por excelência eram os actores e os dramaturgos, se bem que sejam conhecidos muitos mimos.
«Segundo consta, Roma conheceu a tragédia e a comédia áticas no século III a.C. É possível que novos testemunhos venham a confirmar a suspeita de inícios mais remotos. Todavia, houve em Roma manifestações pré-literárias com elementos dramáticos que datam da segunda metade do século III a.C. Antes da entrada do teatro grego em Roma temos outras manifestações com elementos cênicos. Entre essas manifestações, podemos destacar o fescenino, a atelana, o mimo e a paliata. O fescenino é uma manifestação genuinamente romana, composta por versos improvisados. Expressos em satúrnio, versos de origem controvertida, eram cantos dramatizados, com característica licenciosa e grosseira que foram em Roma o instrumento de expressão poética popular até o desenvolvimento da linguagem literária em Roma e a provável introdução da métrica grega ou Ênio (239-169 a.C.). Nessa fase rudimentar do teatro romano, o fescenino era ligado ao culto telúrico, da fecundidade dos campos; apresenta a essência do cômico, que, com os outros elementos, de ação e diálogo, unidos ao espírito irônico, zombeteiro, escárnio, irreverência, espalhando rústica injúria, como relata Horácio (Ep., 2, 1, 139-63), acerca da “fescennina licentia”, deliciou o espírito romano.
A segunda fase foi representada pela satura, apresentação de dança e música sobre o tablado, uma novidade para os romanos, acompanhada de gestos e versos fesceninos, fazendo concordar os gestos com as palavras dos versos. A satura era improvisada em intervalos regulares por amadores e é dessa representação mímica que teriam 24 COSTA, 1978, p. 14. 27 surgido os atores romanos, pois a mesma é fruto da contaminação do fescenino com os elementos etruscos e possivelmente a primeira manifestação do teatro genuinamente romano. Além do fescenino e da satura, Roma teve também outro tipo de manifestação dramática, a atelana. É possível que a atelana tenha surgido em Roma antes do drama grego, mas com algumas características da comédia grega. A farsa e o uso da máscara contribuíram para o sucesso entre os romanos, acresce-se a isso a improvisação, que lhe era peculiar. As personagens fixas com máscaras individualizadas foram inovações da atelana. Estas personagens possuíam alguns detalhes que permitiam a platéia identificá-la pela roupa, pelo nariz adunco, pelo ventre enorme, pelo focinho de porco, pela boca exagerada, pelo duplo queixo, pela corcunda ou pelas rugas. Suas principais personagens eram: Maco, voraz, devasso e infeliz em suas conquistas amorosas; Buço, tagarela, fanfarrão, glutão e de bochechas grandes; Papo velho; Dorseno, o corcunda astucioso; Manduco, de longos dentes e boca grande; alguns monstros da superstição popular e o bobo, que era conhecido como Sannio.25 A atelana, sob a influência da palliata, passa à forma de comédia organizada com dimensões literárias com Pompônio (?) e Névio (270 a.C.? – 204 a.C.?). Satirizava camponeses e provincianos no princípio, mais tarde começa a satirizar os magistrados, altas autoridades e até o imperador. Sabe-se, por exemplo, que Calígula mandou queimar um autor de atelana que o ridicularizara. O mimo latino foi uma espécie de farsa muito popular em Roma, contemporâneo da atelana. Sua característica essencial era a ação mímica da dança, da gesticulação, da expressão fisionômica; seu enfoque era os gestos, além de trazer a atuação de mulheres. De origem grega, os romanos imitaram-no em todas as suas formas. Os mimos romanos tiveram acrobatas de rua e de mercado, exibidores e imitadores de animais, palhaços, cantores de 25 Idem, p.20. 28 banquete e de palco.26 Inicialmente, os mimos foram destinados a abrir espetáculos ou entreter o público nos intervalos. No entanto, mais tarde passa a ser representado depois das comédias ou das tragédias, assumindo um caráter paródico. O ator desse espetáculo era conhecido como mimo e a atriz como mima. Usavam o ricinium, uma espécie de capa quadrada dos romanos antigos. O mimo, que tinha uma característica realista, explorava o gosto popular pelo escandaloso, pois sua característica era a grosseria, o cômico, a licenciosidade dos ditos, as danças sensuais, em que havia o desnudamento das mimas. Juntamente ao seu caráter irreverente, encontramos um cunho melodramático, de atrocidades e de sadismo, aspectos que viriam influenciar a tragédia de Sêneca. É a manifestação pré-literária que dá origem a dois outros gêneros teatrais, a saber, a pantomima, representada por atores mascarados, que tratavam de assuntos mitológicos ou extraídos da realidade; e o arquimimo, espetáculo grandioso e majestoso, com muitos personagens, com histórias complexas em seu repertório, cuja parte musical ficava a cargo da orquestra e do coro. O mimo e a atelana tinham a preferência do público romano27. A palliata foi revelada aos romanos por Lívio Andronico e não pertence às manifestações pré-literárias da poesia dramática em Roma. Ênio e Névio, Plauto (254-184 a.C.?) e Terêncio (184-158/159 a.C.) cultivaram a palliata, inspirada na “comédia nova” grega. Em Roma a “comédia nova” grega sofreu a contaminação das manifestações pré- literárias citadas anteriormente. A comédia romana, não obstante, imitada da grega, introduziu alterações estruturais profundas, dando-lhe um traço de originalidade latina. O tema da palliata é, em geral, o mesmo da comédia grega. Porém, a forma como os latinos tratam os temas é diferenciada. A ação cômica se desenvolve por meio de atores que dialogam falando ou cantando, ou que declamam. O desenrolar da ação obedece a uma única forma: alternância de falas, cantos e declamações musicais. O mimo e a atelana encontram a sua continuidade na Commedia dell’ Art italiana. À mesma maneira da comédia, a tragédia foi introduzida em Roma por Lívio Andronico. Contudo, a tragédia romana desenvolvida por Névio e Ênio atingiu seu auge com Pacúvio (220-130 a.C.) e Ácio (170-86 a.C.). Ela ou imitava as tragédias gregas, ou era uma tradução das mesmas».
A partir de: UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS TEREZA PEREIRA DO CARMO DIDASCÁLIAS NO OEDIPVS DE SÊNECA
Tegula (p. tegulae) – telha plana utilizada quer no pavimento, quer nos telhados, geralmente feita de argila cozida ao fogo.
Conjunto de duas tegulae e um imbrex. Quinta da Torre, Portimão. Museu de Portimão




























































![Foto: Mas, na vossa opinião – disse ele – qual é, segundo as letras, a<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />
profissão mais difícil? Quanto a mim, afirmo: o médico e o cambista.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />
O médico, porque sabe o que os pobres humanos têm no ventre e o momento em que chega a febre – […]” </p><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />
<p>Tarmalquião, O Satíricon</p><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />
<p>Objectos cirúrgicos de Época Romana, provenientes da Praia da Luz. Museu Municipal de Lagos.” width=”403″ height=”403″ /></div>
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<p><strong>Lintel</strong> - Parte superior de uma porta ou arco, também denominada por “verga” que podia ser monolítica ou composta por vários elementos (aduelas).</p>
<p><em><strong>Lucernae </strong></em>– lamparinas ou candeias de azeite tendo genericamenteum uso doméstico ou votivo.</p>
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