A escavação do sítio de Vale do Mouro foi iniciada em 2003, após uma visita ao local da parte do arqueólogo António de Sá Coixão.
Após uma série de prospecções na zona, identificou-se o potencial arqueológico do sítio, vários materiais domésticos e de construção diversos e uma ara dedicada a Júpiter. Nesse mesmo ano, na primeira campanha de escavação, foi encontrada a estrutura das termas, localizadas no extremo sudeste da zona escavada (A).
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Nas campanhas seguintes, dirigidas pelos arqueólogos A. S. Coixão e Tony Silvino, com uma equipa composta por estudantes e arqueólogos portugueses e franceses, descobriram-se toda uma série de edifícios e estruturas que permitem-nos identificar Vale do Mouro como uma villa, ou seja, como uma quinta romana.
Uma villa, no seu sentido clássico, divide-se em várias zonas, cada uma com finalidades específicas, tal como uma quinta dos nossos dias. Em Vale do Mouro podemos identificar as três zonas em que uma villa clássica estaria normalmente dividida: a pars urbana, a pars rustica e a pars fructaria.
A pars urbana consiste numa série de edifícios construídos em torno de um pátio central, rodeado por um corredor em peristilo (Ou seja, um corredor seme murado, com um telhado suportado por uma série de pequenas colunas. ), com um reservatório de água no meio desse pátio. Outras zonas de armazenamento de água podem ser observadas próximas do triclinium, sala com acabamento em arco, que seria a sala de jantar do dominus.
«Zona residencial, Norte da pars urbana»
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Seria na pars urbana que o dominus, ou proprietário da villa, viveria com a sua família numa zona residencial, e alguns servos domésticos. Aqui também encontramos os escritórios, cozinhas, salas de trabalho e convívio e jantar e o lagar de vinho. Nesta zona existem também termas privadas e vários jardins.
«Entrada principal da pars urbana»
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A pars rustica seria a zona de habitação dos trabalhadores rurais e a principal zona de transformação de matérias-primas (como mineral, fibras e cereais) em produtos (como objectos em metal, tecidos ou farinha). No caso de Vale do Mouro é possível observar um pátio central que acomoda também todos estes edifícios, embora com muito menos ostentação e luxo do que aqueles que compõem a pars urbana.
«Estrutura em hipocausto, Este da pars urbana»
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Finalmente, a pars fructaria compõe todos os terrenos de exploração e obtenção de matérias primas. Sabemos hoje que na época de ocupação da villa, entre os séculos IIº e IVº da nossa Era, a pars fructaria utilizada se estenderia entre o rio Massueime e uma zona próxima da capela de Santa Bárbara. Seria nestes terrenos que se iriam cultivar o cereais, a vinha, a azeitona e seria igualmente aqui que seria praticada a caça, pastorícia, pesca e mineração.
«Localização da Coriscada na Península Ibérica (em relação à província romana da Lusitânia)»
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A Ara da Coriscada
Uma ara votiva de granito de grão médio foi encontrada na parede de uma casa da aldeia da Coriscada. Também foram encontrados na aldeia elementos de colunas. Estes vestígios poderão ter vindo de outro local das proximidades, mais precisamente da zona do Gravato, onde abundam os vestígios romanos, ou da Quinta do Campo.
A ara foi partida ao meio e os toros foram destruídos. A leitura da sua inscrição poderá demonstrar a existência de um vicus cujo nome não é totalmente conhecido mas que poderá ter sido chamado de “Segoabonca” ou Sagoaboiaco.
Trata-se de uma Dedicatória ao Deus Júpiter feita pelos VICANIS SANGOABONIENSES, segundo o Arqueólogo Sá Coixão (Sá Coixão, 2004).
Iovi · O[pt]/umo · M[ax]/umo · sa[cr]um · / vicani S[-]/goaboaic(enses)
“O Tesouro Romano do Ferreiro”
Um tesouro monetário romano do século IV d. C., com 4.526 moedas, foi encontrado no sítio arqueológico do Vale do Mouro, segundo o arqueólogo António Sá Coixão, as moedas de cobre e bronze estavam escondidas numa parede, juntamente com objectos de ferro, provavelmente na casa que teria pertencido a um ferreiro.
O espólio estava dentro de um saco de serapilheira que quem escondeu o “tesouro” executou “um alinhamento de pedras, colocou as moedas no interior de um saco de serapilheira, deitou uma camada de terra e, por cima, disfarçou com ferragens diversas (uma foice, uma picareta, argolas para lareira, duas chaves, etc.) e mais terra, para as pessoas pensarem que era uma tulha de ferreiro”. “Ou seja – admite o arqueólogo -, o dono das moedas enterrou-as no local, mas depois terá morrido e já não as desenterrou, tendo elas permanecido escondidas até agora”.
António Sá Coixão mostrou-se surpreendido com o achado, constituído por um número “invulgar” de moedas. Os tesouros romanos são encontrados nos sítios mais esquisitos”. Segundo o responsável, o espólio tem “um valor muito grande”, tendo em conta a futura musealização do sítio arqueológico e a criação de um museu onde todo o material ali encontrado será mostrado aos visitantes.
Segundo Sá Coixão, as 4.526 moedas “não podem ficar por aqui, têm que ser rapidamente inventariadas”, aponta o arqueólogo, adiantando que serão contactados especialistas que as irão estudar, limpar e inventariar, como aconteceu com o achado de Freixo de Numão. “Não podem ficar fechadas num cofre, têm que ser preservadas”, defendeu, acrescentando que “as moedas de bronze conservam-se melhor, mas as de cobre estão muito deterioradas
O Mosaico de Baco
O mosaico de Baco da Villa Romana de Vale de Mouro é apenas o quinto exemplo desse tema na arte musiva romana localizado no território nacional e, mesmo no âmbito peninsular este tema de mosaico se contam poucas dezenas, sendo um achado de grande relevância.
O mosaico encontra-se num pequeno compartimento de planta quadrangular com cerca de 9 metros quadrados.
O mosaico é composto por um quadro figurativo centrado numa composição ortogonal de círculos e quadrados emoldurados com linhas de grandes redentes, ornada de elementos geométricos tais como nó de Salomão, linha de espinhas, círculos com secções policromáticas, discos e, nos espaços residuais, florões longiformes estilizados.
Num fundo branco de tesselas dispostas em escama, o quadro central da figura.
Dionísio (o romano Baco), ostentando os seus atributos clássicos: um triso (thyrsus) na mão esquerda, um Kantharus na mão direita, uma coroa de cachos de uva na cabeça. Conduz um carro de duas rodas, parcialmente conservado no mosaico, puxado por dois leopardos, dos quais apenas se conserva parte de um. À esquerda do Deus, uma figura feminina, uma ménade ou bacante, completa a representação iconográfica.
Saber mais consulte: http://www.portugalromano.com/2012/01/o-mosaico-do-cortejo-de-baco-coriscadameda/
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Direcção e responsabilidade científica: António do Nascimento Sá Coixão e Tony Silvino.
Créditos fotográficos e infografia: Damien Tourgon e Pedro Pereira. Todas as fotos foram tiradas por membros da equipa de investigação que estudou Vale do Mouro.
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Localização: Coriscada – Concelho de Mêda
Contactos: CSC—Coriscada — csc@csc-coriscada.pt Câmara Municipal da Meda: 279 880 040Visita a Villa Romana
A visita ao sítio é aconselhável com o auxilio da Junta de Freguesia ou do Centro Socio-Cultural da Coriscada, devido ao mau estado permanente do caminho agrícola até a Villa Romana. Está neste momento em curso um processo de estabilização e musealização do sitio pelo que as visitas devem sempre ser efectuadas através dos contactos acima descritos.
Exposição permanente de achados no Centro Sociocultural da Coriscada.
Exposição de Arqueologia “Os Romanos no Vale do Mouro”– Centro de interpretativo da Villa Romana de Vale de Mouro localiza-se na Junta de Freguesia, no largo principal. Todavia, é necessário ir ao “Café Moreira”, situado a cerca de 50 m, para pedir para visitar, uma vez que não é possível ter um funcionário a tempo inteiro.
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Fontes consultadas: CM Meda: http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx Epigrafia da Lusitânia: http://eda-bea.es/pub/record_card_3.php?refpage=%2Fpub%2Fsearch_select.php&quicksearch=coriscada&rec=18512 CSC-Coriscada: http://www.csc-coriscada.pt/arqueologia.htm










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