Barragem Romana
Construída em opus incertum (através de cofragem, onde no interior era depositada uma espécie de “pasta” de areia pedras e argamassa), possui cerca de 40 metros de comprimento e seis contrafortes tendo actualmente a altura máxima de 3 metros (e que deve estar próxima da altura máxima inicial).
Em 1877, quando foi descoberta, detectaram-se igualmente outros edifícios, com os quais poderá estar relacionada. Um deles, formado por vários compartimentos, com dois tanques contíguos, é considerado uma oficina, talvez uma tinturaria, a qual exigiria um consumo constante de água. O outro poderá ter sido um templo, dado terem-se encontrado, além das sepulturas escavadas nos pavimentos, restos de três estátuas.
Villa Romana
A presença dos romanos é atestada por um conjunto de edifícios e sepulturas pertencentes a uma abastada “villa”, do espolio recolhido encontram-se moedas, cerâmica e frescos. Mais recentemente foram identificados vestígios islâmicos nesta área, nomeadamente junto ao actual caminho (Catarino, 1988).
Estácio da Veiga escavou um conjunto de sepulturas . A cerca de 100 metros existe da barragem, neste local foi encontrada uma das maiores estátuas do país, actualmente exposta no Museu Nacional de Arqueologia.
Estátua de Apolo – séc II dC.
A escultura foi descoberta em 1876 na Herdade do Álamo, concelho de Alcoutim, por Estácio da Veiga.
Estátua de vulto inteiro representando Apolo, nu, erecto. Um carcaz de setas de tampa aberta foi posto sobre a parte superior de um tronco de árvore, elemento de suporte que adossado à perna direita contribui para a estabilidade da peça.
Nas costas junto aos ombros, formando um relevo quadrangular, ficaram as extremidades das madeixas onduladas do cabelo, que também cai à frente em duas pontas helicoidais sobre os ombros. Apresenta-se mutilada, cortada a cabeça pela base do pescoço, os braços pelas axilas e a perna esquerda pela coxa, embora esta última tenha sido reconstituída recentemente.
Estamos perante uma das estátuas de divindades clássicas de maiores dimensões (altura: 163; largura: 77; espessura: 45) existentes no nosso território com características formais, boas proporções, regular desenvolvimento das massas corporais, movimentação do tronco e das pernas imitando de perto os modelos policleicos, mas o que resta dos cabelos indica que a cabeça foi feita segundo modelos helenísticos arcaicos. Este tipo de estátuas ecléticas foi comum nos meados do século II, época de Adriano ou Antonino o Pio. É um trabalho oficinal tendo por base um modelo cujas cópias foram difundidas por todo o Império. (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos).
A barragem está classificada como Monumento de Interesse Público desde 1991.
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Bibliografia
ALARCÃO, Jorge de, Roman Portugal, 2, Warminster, 1988: CARDOSO, João Luís, Barragens Romanas do Algarve, Boletim Informativo Encontro de Arqueologia do Algarve, Faro, 1990; MARQUES, Teresa, org., Carta Arqueológica de Portugal: concelhos de Faro, Olhão, Tavira, Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim, Lisboa, 1995; QUINTELA, António Carvalho et. alt., Aproveitamentos hidráulicos romanos a sul do Tejo. Contribuição para a sua intervenção e caracterização, Lisboa, 1986; SANTOS, Maria V. A. dos, Arqueologia Romana do Algarve, Vol.2, Lisboa, 1972. Sites consultados: http://www.monumentos.pt http://www.igespar.pt/pt/ http://www.cm-alcoutim.pt/portal_autarquico/alcoutim/v_pt-PT






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