O mosaico de Baco da Villa Romana de Vale de Mouro é apenas o quinto exemplo desse tema na arte musiva romana localizado no território nacional e, mesmo no âmbito peninsular este tema de mosaico se contam poucas dezenas, sendo um achado de grande relevância.
O mosaico encontra-se num pequeno compartimento de planta quadrangular com cerca de 9 metros quadrados.
O mosaico é composto por um quadro figurativo centrado numa composição ortogonal de círculos e quadrados emoldurados com linhas de grandes redentes, ornada de elementos geométricos tais como nó de Salomão, linha de espinhas, círculos com secções policromáticas, discos e, nos espaços residuais, florões longiformes estilizados.
Num fundo branco de tesselas dispostas em escama, o quadro central da figura.
Dionísio (o romano Baco), ostentando os seus atributos clássicos: Um triso (thyrsus) na mão esquerda Um Kantharus na mão direita Uma coroa de cachos de uva na cabeça Conduz um carro de duas rodas, parcialmente conservado no mosaico, puxado por dois leopardos, dos quais apenas se conserva parte de um. À esquerda do Deus, uma figura feminina, uma ménade ou bacante, completa a representação iconográfica.
O Deus Baco
Dionisio em pé sobre o carro ocupa mais do que metade do quadro. O triso que empunha na mão esquerda, com cabo rematado a folha de parra (?), constitui uma das três variantes mais comuns, mas o Kantharus, mostra um interessante e inusitado tratamento plasmado na representação de um liquido branco-cinza escorrendo para a terra.
Na Cabeça, sobre um cabelo muito curto, ostenta a coroa de cachos de uva que marca a sua condição. Veste uma túnica curta de mangas compridas e ombros destacados, deixando entrever a musculatura da sua coxa direita (a coxa esquerda encontra-se parcialmente destruída).
Em cima, usa a Pardálide (Pele de Leopardo) cobrindo o ombro esquerdo e cingida à cintura, reafirmando o sentido trinfual da sua postura.
A Bacante
A ménade, para os romanos denominada Bacante, ocupa a metade direita do quadro, conservou-se apenas o tronco e a cabeça, sem o rosto que infelizmente um raiz destruiu, percebe-se que direcciona a cabeça a esquerda, olhando para Dionísio.
Os cabelos soltos e ondulados, cingidos à cabeça com uma fita, constituem um atributo destas personagens. Das varias representações conhecidas, esta constitui uma das mais simples, com uma túnica branca realça a rosa e debruns cinzentos, presa ao ombro com uma fíbula redonda, e é bem diferente das suas congéneres “dançantes” que conferem maior dinamismo aos quadros.
Empunha um objecto constituído por um longo cabo vermelho, podendo tratar-se de um archote.
O carro de Baco
Regra geral, o carro é puxado por quatro tigres nos casos Africanos e , nos Hispânicos, apenas por dois, no entanto, constitui um caso singular a representação do carro puxado por leopardos , aqui tratados a cinzento e rosa. Não sendo invulgar nos exemplos norte-africano, é o único conhecido na Hispânia. No mosaico da Villa romana de vale de Mouro apenas se conservou um animal, mas o outro seguramente equilibrava a atrelagem.
O tipo de Kantharus virado para o chão, vertendo liquido, também se conhece apenas um exemplar na Hispania: Trata-se de um mosaico de Itálica (Santiponce, Sevilha) dos finais do séc I, tendo sido considerado aí como uma adaptação local (Fernández-Galiano,1984,p.105).
O mosaico da Coriscada reduziu ao mínimo a iconografia, justapondo duas personagens e um carro com os seus respectivos atributos num único plano, contrariamente aos múltiplos palnos de composições hispânicas.
Esta forma resumida do cortejo conhece-se em quadros de mosaicos hispânicos, em Andelos (séc.I-II) com quatro personagens; em Ecija (datado da época Severiana) onde figura apenas Dionísio, Ariadna e um sátiro; em Cabra (inícios do séc. III) onde figura Dionísio, uma vitória, um sátiro e uma personagem feminina; em Italica são também quatro personagens, num mosaico datado de fins do séc. III.
O Mosaico da Coriscada é um exemplar que poderá estilisticamente se situar entre o III e o séc. IV.
Contactos: CSC—Coriscada — csc@csc-coriscada.pt Câmara Municipal da Meda: 279 880 040Visita a Villa Romana
A visita ao sítio é aconselhável com o serviço/auxilio da Junta de Freguesia ou do Centro Socio-cultural da Coriscada, devido ao mau estado permanente do caminho agrícola até a Villa Romana. Encontra-se neste momento em curso um processo de estabilização e musealização do sitio pelo que as visitas devem sempre ser efectuadas através dos contactos acima descritos.
Exposição de Arqueologia “Os Romanos no Vale do Mouro”– Centro de interpretativo da Villa Romana de Vale de Mouro – Localiza-se na Junta de Freguesia, no largo principal. Todavia, é necessário ir ao “Café Moreira”, situado a cerca de50 m, para pedir para visitar, uma vez que não é possível ter um funcionário a tempo inteiro.
Fontes consultadas: CSC-Coriscada: http://www.csc-coriscada.pt/arqueologia.htm Sá Coixão, Côa Visão, Nº9/2007 – Cap.VII: http://www.arte-coa.pt/Ficheiros/Bibliografia/1645/1645.pt.pdf







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