Sítio arqueológico implantado num pequeno cabeço com 56 m de altitude, sobranceiro ao rio Guadiana, entre o Barranco das Córias e o Barranco do Rosal, conhecido na região pelo topónimo de “Castelinho dos Mouros”.
Esta estrutura foi identificada na década de setenta do século XX por Manuel Maia que a classificou do período romano, pertencente a uma linha de pequenas fortificações de apoio à mineração do Baixo Alentejo e Serra Algarvia.
Este tipo de edifício romano, com características fortificadas e de época republicana romana, podem assumir diferentes designações na Península Ibérica, entre as quais a de “Castellum”. Os dados até agora divulgados, permitem apontar o “castellum” de Alcoutim como o mais antigo de Portugal.
Escavações desvendam totalidade do edifício em 2011
Foi possível datar de forma definitiva a origem do edifício que remete ao século I A.C durante a quarta campanha que decorreu em 2011. As escavações permitiram também observar a dimensão total do mesmo, rodeado por uma muralha e com uma torre central.
O espólio encontrado designadamente recipientes cerâmicos, enquadra-se na primeira metade do século I antes Cristo, embora a presença de fragmentos de ânforas vinárias, importadas de Itália, e a presença de cerâmica campaniense, que surgiram em anteriores campanhas, permitissem estender a janela cronológica até meados da segunda metade do século II.
Objectos encontrados no interior dos compartimentos revelam, cada vez com mais certezas, que a sua origem poderá ascender ao final do século II a.C., correspondente ao período republicano romano, segundo Alexandra Gradim, arqueóloga da autarquia de Alcoutim. O espólio detectado durante as ultimas escavações, recipientes cerâmicos, enquadra-se cada vez mais na primeira metade do século I a.C., acrescentando que alguns fragmentos de ânforas vinárias, importadas de Itália, e a presença de cerâmica campaniense, poderão estender a baliza cronológica até meados da segunda metade do século II.
Dúvidas que esta última campanha dissipou. Este é, portanto, o monumento mais antigo no território português, um exemplar até aqui único. Embora já esteja a descoberto uma grande área, a extensão da construção justifica mais uma campanha, a realizar-se durante 2012.
Entretanto foi já identificada uma muralha exterior, com um perímetro de 400 metros quadrados que inclui a área ocupada pelo edifício central de dois andares, cujos muros se conservam até aos três metros de altura e um metro de largura.
«Escadas de acesso escavadas na rocha»
***
Também já se sabe que o acesso à fortificação era feito pela zona sul do edifício, onde subsiste uma escada, com degraus directamente talhados na rocha, zona em que as escavações permitiram encontrar muros correspondentes a construções exteriores à muralha.
O trabalho desenvolvido foi fruto da primeira cooperação científica portuguesa-austríaca, no campo da arqueologia portuguesa em que participam as universidades de Innsbruck (Aústria) e de Frankfurt (Alemanha) a par do departamento de Arqueologia da Câmara Municipal de Alcoutim, entidade responsável pelos trabalhos.
Estão agora a ser apurados pelos arqueólogos em função dos vestígios e do tipo de construções descobertas as características dos habitantes que ali permaneceram, se seriam apenas romanos, legionários a que se juntariam comerciantes e provavelmente navegadores.
O IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico) já sugeriu à Câmara Municipal de Alcoutim para avançar com o processo de classificação.
«Bibliografia»
Carta Arqueológica de Portugal (1995) Fortalezas romanas do sul de Portugal/Zephyrus (1978) O Algarve oriental durante a ocupação islâmica – povoamento rural e recintos fortificados/Al- Ulyã (1997) Roman Portugal (1988)***
Sites consultados: http://www.igespar.pt/pt/ http://www.cm-alcoutim.pt/portal_autarquico/alcoutim/v_pt-PT






Comentários Recentes