Conhecidas durante muito tempo por uma informação documental do séc. XVIII, somente entre 1991 e 1994 foi possível colocar a descoberto esta estrutura termal datada do séc. I a.C., conhecida como Termas dos Cássios.
Descobertas aquando da colocação dos cabos telefónicos, foi aberta uma vala com cerca de 60cm de largura e 1,50m de profundidade, onde surgiu uma grande concentração de cerâmicas romanas.
A intervenção aqui realizada em 1993 revelou-se muito importante para a compreensão das escavações efectuadas no Palácio de Penafiel. Aqui o traçado da via pombalina, aberta após o terramoto implicou a remoção da generalidade das camadas posteriores à construção das Termas dos Cássios.
“Apesar da topografia da cidade romana ser ainda mal conhecida, admite-se que nas proximidades do teatro se situaria o fórum, juntamente com outros edifícios públicos que por regra a ele se associam (Alarcão, 1994, p. 58-61; Ribeiro, 1994, p. 84 e Fig. 3).
«Perspectiva da face frontal do capitel jónico das termas dos Cássios»
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Essa circunstância explica a importância de algumas das novidades epigráficas proporcionadas por trabalhos arqueológicos nessa zona. As escavações realizadas no edifício situado no Palácio do Correio-Mor, no cruzamento da Rua das Pedras Negras com a Travessa do Almada, onde se situariam as Termas dos Cássios, de acordo com o que se atesta numa inscrição pintada (CIL II, 191) levaram à identificação de um interessante conjunto, de ampla cronologia, no qual sobressai uma excepcional epígrafe, em que se patenteia a homenagem que a cidade promove a L. Cornelius L. f. Gal. Bocchus, Salaciensis (Diogo e Trindade, 1999a, FE 275; HEp 8, 608; González Herrero, 2002, p. 70).”(Amílcar Guerra)
Cipó de Bocchus – Termas dos Cássios
«Cipo paralelepipédico de lioz de veios rosados, achado, em reutilização, nas Termas dos Cássios, em Lisboa. Dimensões: 99 × 49 ×48,5 cm.
Identificação sem margem para dúvidas: salaciense, filho de Lúcio; flâmine provincial, prefeito dos artífices por cinco vezes; tribuno da VIII Legião augusta. »(José D’Encarnação)
Monumento mandado erigir por decreto dos decuriões.
l(ucio) · cornelio
l(ucii) · f(ilio) · gal(eria tribu) · boccho
salaciensi
flamini · provin
ciae · lvsitania[e]
praef(ecto) · fabrvm · v (quinquies)
trib(uno) · milit(um) · leg(ionis) · viii (octavae)
avg(ustae)
d(ecreto) d(ecurionum)
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A partir da época dos imperadores júlio-cláudios (27 a.C.-68 d.C.), a encosta meridional da cidade adquire uma nova paisagem urbana de traços monumentais. São construídos edifícios públicos, de natureza administrativa, religiosa e civil, de que são exemplo o conjunto balnear designado por Termas dos Cássios e o Templo de Cíbele, este último conhecido pelas inscrições que a ele fazem referência. É neste contexto que surge o teatro romano, edificado a meia encosta, não muito longe daqueloutros edifícios. Esta importante obra pública atesta a plena participação da população nas novas vivências de cidadania romana.
Simultaneamente, desenvolvem-se na linha ribeirinha múltiplas instalações portuárias e surgem numerosas pequenas fábricas de transformação de pescado. Nesta área, um dos monumentos mais importantes, quer pela grandeza quer pelo bom estado de conservação, é o criptopórtico, localizado sob os quarteirões da parte sul da Baixa Pombalina, entre a Rua da Prata e a da Conceição.
Esta intensa actividade piscatória e comercial contribui decisivamente para colocar Lisboa a par dos grandes centros marítimos do Império Romano, sendo designada por alguns investigadores como a “capital marítima” da Lusitânia.
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De acordo com o texto de uma inscrição epigráfica, este edifício sofreu obras de remodelação ainda no séc. IV, comprovando o seu longo período de utilização.
« Emílio Hübner deu conta no seu CIL II nº191 de uma inscrição encontrada em Lisboa, no ano de 1771, nas ruínas dumas termas, nas casas do correio-mor do Reino, conde de Penafiel (actual Ministério das Obras Públicas) na rua das pedras Negras.
THERMAE CASSIORVM
RENOVATAE A SOLO IVXTA IVSSIONEM
NVMERI · ALBANI · V · C · P · P · L
CVRANTE AVR · FIRMO
NEPOTIANO ET FACVNDO COSS
Não oferecia, por outro lado, qualquer espécie de dúvida de leitura nem de interpretação, pelo que passou a ser transcrito habitualmente sem objecções:
THERMAE CASSIORVM / RENOVATAE A SOLO IVXTA IVSSIONEM /
NVMERI(i) · ALBANI · V(iri) · C(larissimi) · P(raesidis) · P(rovinciae) · L(usitaniae)
/ CVRANTE AVR(elio) · FIRMO / NEPOTIANO ET FACVNDO
CO(n)S(ulibu)S
Tradução:
«Termas dos Cássios. Reconstruídas desde os alicerces, a mandado de Numério Albano, varão muito ilustre, governador da província da Lusitânia, sendo encarregado Aurélio Firmo, no ano em que foram cônsules Nepociano e Facundo».
Estava-se perante um edifício termal, cuja construção original se ficara a dever à família dos Cássios, de que a epigrafia olisiponense guardava outros testemunhos.
Por outro lado, informava-se que o estado de degradação do edifício era tal que só uma reconstrução total seria viável: renovatae a solo.
O próprio governador da Lusitânia se empenhara a fundo na questão, certamente a pedido dos Olisiponenses, que há muito se veriam privados de um edifício público que muito lhes agradaria; daí que tivesse emitido ordem (iussio) nesse sentido. Trabalho de certa envergadura necessitaria de um responsável, perito; e também isso ficou acautelado, sendo Aurélio Firmo nomeado para o efeito.
Orgulho haveria igualmente na obra consumada e conviria registar-se para a eternidade o ano em que tal iniciativa se dera por concluída: os cônsules referidos são Flávio Popílio Nepociano e Facundo, do ano 336 da nossa era.»(José D’Encarnação)
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Termas dos Cássios que são inacessíveis e ficam no Edifício do Ministério das Obras Públicas, Rua das Pedras Negras em Lisboa.
Estes importantes vestígios de época romana, aguardam ainda um processo de musealização que permitam compreender melhor a sua funcionalidade integra-los na malha urbana, a meio caminho entre a área portuária/industrial da cidade romana e a área civil que se erguia ao longo da colina de Olisipo, actual Lisboa.
Saber mais:
(1)AS TERMAS DOS CÁSSIOS EM LISBOA – FICÇÃO OU REALIDADE de JOSÉ D’ENCARNAÇÃO https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/12857/1/As%20termas%20dos%20C%C3%A1ssios%20em%20Lisboa.pdfOs mais recentes achados epigráficos do Castelo de S. Jorge, Lisboa de AMÍLCAR GUERRA, http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/9_2/3/14-p.271-298.pdf
Capitel das Thermae Cassiorum de Olisipo – Lídia Fernandes http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/12_2/191_207.pdf
Arqueologia Urbana de Lisboa – Carlos Fabião, pag. 150 http://www.penelope.ics.ul.pt/indices/penelope_13/13_12_CFabiao.pdf
Cornelii Bocchi de olisipo, scallabis e salacia – José D’Encarnação https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/17865/1/Cornelii%20Bocchi%20de%20Olisipo%20Scallabis%20e%20Salacia.pdf
Bibliografia MOITA, Irisalva, O Livro de Lisboa, Livros Horizonte, Lisboa, 1994 SILVA, Vieira da, Epigrafia de Olisipo, Lisboa 1945, nº 22
Site consultados http://www.cm-lisboa.pt/ http://www.museudacidade.pt/ http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt http://www.igespar.pt http://www.museuteatroromano.pt Fotos em: http://smobile.blogs.sapo.pt






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