Durante a Antiguidade, foi o período Romano, muito possivelmente, aquele em que o espaço grandolense atingiu os maiores índices de povoamento e desenvolvimento económico e social.
O primeiro núcleo descoberto do período romano tratava-se de um conjunto de estruturas, possivelmente antigas termas formando compartimentos entre si, com muros pavimentados em opus signium, formadas por 4 pequenos tanques, uma piscina e duas salas.
Sob a piscina, descobriram-se dois fornos circulares para o fabrico de imbrices (telhas de canudo), tendo sido utilizados na sua construção lateres tubulares.
Num terreno contíguo, apareceu uma sepultura de inumação, formada por lateres, donde foi exumado um colar de ouro, engastado, moedas de bronze de Augusto, de Alexandre Severo, de Constantino e uma de Emérita.
A referência mais antiga que se conhece remonta ao início do século XX quando Leite de Vasconcelos, ao visitar o concelho de Grândola, anota:
“Contíguo à Vila há dois campos largos e planos cortados por uma estrada que fica sobranceira à Várzea do Rio Davino, chamados, o da esquerda, para quem sai da Vila, Castelo, e o da direita, Castelinho. O primeiro é, além disso, cortado por outra estrada. Nestes dois campos, que ocupam grande extensão, aparece numeroso entulho, constituído por cacos, e também alguns restos de paredes e lanços de formigão (opus signinum). Entre os cacos reconheci restos de vasilhas finas e telhões (…). Nos mesmos campos apareceram várias moedas de bronze, algumas das quais vieram para o Museu: de Augusto, de Alexandre Severo (Séc. III), de Constantino (Séc. IV) e uma Emérita (…). Estes campos, apesar do nome que o povo lhes deu, não podem considerar-se castros, são porém assento de uma antiga Grândola.”
Em: José Leite de Vasconcelos, Excursão Archeologica à Extremadura Transtagana, in O Archeologo Português, Vol. XIX, s. I, Lisboa, 1914, pág.310.
As termas devem ter sido abandonadas antes da exploração agrícola e, por isso, embora a residência tenha sido abandonada pelo proprietário, continuou a ser trabalhada pelos servidores.
Na piscina das Termas – natatio -, por cima da qual encontraram-se dois fornos circulares para o fabrico de imbrices, ou seja, telhas de canudo.
A construção destes fornos deverá ter ocorrido numa altura em que o local foi completamente abandonado, embora seja possível que os fornos pertencessem a um hipocaustum, e que tenham sido sujeitos a uma ulterior reutilização.
Estas últimas evidências parecem indicar a existência de estruturas habitacionais às quais se encontrariam agremiadas as termas, além de um provável povoado -, como se poderá deduzir pela proximidade da ribeira de Grândola e pela existência de uma barragem romana localizada próxima destes vestígios arqueológicos.
A ribeira de Grândola, assim como a existência de uma barragem romana(1) situada sensivelmente, a dois km a sul, a uma cota mais elevada, proporcionava uma fácil irrigação dos terrenos de cultivo e facilitava o abastecimento de águas às termas romanas; a existência neste local das termas pode indiciar a existência de um pequeno povoado, possivelmente integrado no conjunto de uma villa, que ficaria entre duas importantes cidades: Salacia (Alcácer do Sal) e Miróbriga (Santiago do Cacém); o mesmo poderia servir como estação de muda e local de descanso.
A Villa romana terá sido construída durante o século I dC com uma contínua ocupação, sendo visível algumas modificações das estruturas, o seu abandono ocorreu entre o século III e IV dC.
Em 1914 é referido pela primeira vez por José Leite de Vasconcelos.
Nos anos 40 do século XX durante a construção da escola primária no local são destruídas estruturas da Villa romana e danificados muitos vestígios arqueológicos. Entre 1989-1990 realiza-se uma nova escavação arqueológica do local, dirigidas por Marisol Ferreira e João Faria, onde se identificam alguns restos arqueológicos no recinto da escola.
As intervenções arqueológicas, faseadas em duas campanhas, tiveram como principal objectivo a realização de sondagens no terreno contíguo à escola (local onde estava prevista a construção de novas instalações) e a tentativa de delimitar com maior exactidão a real extensão da estação arqueológica.
Estes dois anos revelaram-se, felizmente, suficientes para se identificarem vestígios de algumas das estruturas preexistentes, o que se revelou determinante para a sua classificação em 1996.
Localização: Situa-se no recinto da escola primária de Grândola.
Acesso: EN 120, Rua D. Nuno Álvares Pereira, Rua Nossa Senhora da Penha.
Protecção: IPP, Desp. 12 de Agosto de 1996, Dec. N.º 67/97, DR 301 de 31 Dezembro 1997.
Bibliografia Título: Estação Romana do Cerrado do Castelo Autores: Marisol Aires Ferreira e João Carlos Lázaro Faria Edição: Câmara Municipal de Grândola (Separata da Revista Conímbriga, Vol. XXX) Data: 1991 VASCONCELOS, José Leite de, Excursão Archeologica Extremadura Transtagana, Archeologo Português, Vol. 19, Lisboa, 1914; MATEUS, Manuel, Grândola Antiga, Álbum Alentejano, s/d; ALARCÃO, Jorge de, Portugal Romano, Lisboa, 1973; ALARCÃO, Jorge de, Cerâmica comum local e regional de Conimbriga, Coimbra, 1974; DELGADO, Manuea, Mayet, Franco, Alarcão, Adília, Les sigillés Fuilles de Conimbriga, Vol. 4, Paris, s/d; QUINTELA, António de Carvalho, et alt., Aproveitamentos Hidráulicos Romanos a Sul do Tejo, Lisboa, 1986; ALARCÃO, Jorge de, O Domínio Romano, in Nova História de Portugal, Vol. 1, Lisboa, 1990; FERREIRA, Marisol, Jornal Público, 24 Fevereiro de 1992; Catálogo Tesouros da Arqueologia Portuguesa, Lisboa, s/d.
(1) ver: http://www.portugalromano.com/2011/12/barragem-romana-do-pego-da-moura-grandola/






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