Scroll To Top

Museu Municipal de Loures – Quinta do Conventinho (Loures)

O Museu Municipal de Loures, fundado em 26 de Julho de 1998, está instalado no antigo convento dos Arrábidos, o 13º, que teve o início da sua construção em 1573/75.

A utilização destas vastas áreas – primeiro, pelos Franciscanos Arrábidos; depois de 1834, pelo próprio Conde de Tomar, Costa Cabral e posteriormente por proprietários de várias origens e profissões – deixou neste espaço uma riqueza de vivências e registos arquitectónicos, artísticos e ambientais que dão a este Museu Municipal uma particular identidade.

No acervo do Museu Municipal de Loures destaca-se uma importante colecção de Arqueologia: artefactos provenientes de recolhas de superfície e de escavações de vários períodos.

Acervo Romano 

 

Caixa de selo Romana  «cursus publicus» – Recolhida no âmbito dos trabalhos arqueológicos que decorrem na villa romana de Frielas, a caixa de selo foi encontrada no interior de uma de várias bolsas que, num período de pós-abandono da villa, foram abertas para despejo de lixos domésticos.

Esta caixa de selo, com 35 mm de comprimento, 20 mm de largura e 8 mm de espessura, piriforme, em bronze, apre…senta-se completa, mantendo os seus dois elementos constituintes: a base, com três perfurações numa formação triangular e duas fendas laterais e uma tampa.

O serviço de correio romano «cursus publicus» – foi instituído pelo Imperador Augusto  em 63 a.C. – 14 d.C,  e estava afecto unicamente aos organismos do Estado. Para garantir que só o destinatário tivesse acesso ao conteúdo das mensagens ou encomendas, recorreram à caixa de selo, normalmente, feita de bronze, cuja dureza protegeu não só os selos da época, como permitiu que estas chegassem até hoje como testemunho arqueológico.

Fíbula Romana

As origens das fíbulas – acessórios de utilidade, de adorno e de luxo – perdem-se na noite dos tempos.

Como fíbula identifica-se todo o tipo de peças metálicas utilizadas na Antiguidade para unir ou prender as indumentárias civis ou militares, com função e funcionamento idênticos aos dos actuais alfinetes-de-dama. Podemos dizer que são, efectivamente, alfinetes de segurança que, genericamente, permitem unir por um sistema de mola duas extremidades.

Existe grande variedade de formas de fíbulas, com e sem decoração, provenientes de toda a Época Romana, o que comprova a importância atribuída a este complemento de antigos trajes como túnicas, togas e capas.

 Proveniente do Sítio Romano das Almoínhas, em Loures, o presente exemplar, em forma de ómega (Ω), não tem mola e é composto por um aro onde estaria preso, originalmente, um fusilhão ou alfinete. Apresenta as extremidades do aro a terminar “em bolbos decorativos”.

As fíbulas deste tipo, bastante robustas e muito funcionais, são conhecidas como “anulares romanas” e estão presentes ao longo de vários séculos, entre os séculos I e IV d. C. Estas são as fíbulas romanas de tipologia menos espectacular no que respeita à profusão decorativa – geralmente centrada nos remates – e no que respeita à complexidade técnica, dado que lhe falta um dos elementos característicos: a mola. Feitas a partir de um molde, são por norma em bronze, embora se conheçam exemplares em metais nobres. 

Não sendo o caso deste exemplar, é interessante referir que os textos clássicos contêm referências à utilização de fíbulas para manter as feridas fechadas, quando não era possível suturá-las. Para este fim, as fíbulas seriam mais pequenas e leves de que as utilizadas no vestuário. 

Ungentário Romano

Os unguentários, normalmente pequenos recipientes de vidro, serviam para conter perfumes, óleos essenciais ou unguentos.

Estes preparados eram obtidos a partir de matérias-primas vegetais (frutos, flores, sementes, raízes), animais (veado-almiscareiro, gato de algália, castor) e, ainda, de resinas. Eram utilizados para perfumar pessoas ou locais, preparar unguentos medicinais ou para massagens, pós para maquilhagem e também em cultos religiosos ou funerários.

  Este conjunto de unguentários foi recolhido numa necrópole de incineração, em Unhos, no interior de uma sepultura construída com tijoleiras. Corresponde a uma oferenda fúnebre que, em conjunto com outros objectos, acompanhava uma mancha de ossos fragmentados com sinais de exposição ao fogo, resultado da incineração
 

Acus crinalis – Alfinetes de cabelo

A expansão da romanização pelo mundo antigo propiciou a troca de influências entre os povos indígenas e a potência colonizadora. 

O povo romano levou novos hábitos, práticas e costumes a todos os territórios onde se fixou. Mas foram, por seu lado, igualmente permeáveis às influências dos povos locais.

O mundo romano assistiu, na sua longa duração, a muitas mudanças na moda de vestir, adornar e pentear.

A beleza feminina do mundo romano chegou até aos dias de hoje através das imagens pintadas nos frescos que ainda se conservam em alguns pontos do antigo império.

Imagens de mulheres elegantemente vestidas e penteadas foram igualmente reproduzidas nos mosaicos que forravam os pavimentos das casas romanas mais abastadas.

 Entre os objectos de adorno típicos do mundo feminino romano contam-se os alfinetes com que as mulheres romanas prendiam os cabelos, os acus crinalis. A sua utilização exigia a aprendizagem dessa técnica e estaria associada à criatividade e moda dos penteados da mulher romana ou romanizada. 

O conjunto de alfinetes que divulgamos, provenientes do sítio romano das Almoinhas (Loures), tem paralelo em todo o mundo romano, com cronologia tão ampla quanto a duração da própria romanização.

São dos exemplares mais modestos. Alguns dos alfinetes mais vistosos eram feitos de bronze com cabeça ricamente trabalhada, ou podiam, até, ser feitos de osso e forrados a folha de ouro. Eram, pois, factor de distinção entre as mulheres que com eles enfeitavam os seus penteados simples ou os seus ricos toucados 

Capitel de Época Romana

Na Antiguidade Clássica, foram definidas ordens arquitectónicas pelas quais se baseavam a ordenação, a disposição e as relações entre as partes de toda a arquitectura antiga. As ordens, em número de cinco, correspondem a três ordens gregas – Dórica, Jónica, Coríntia – às quais se acrescentaram, na cultura romana, as ordens Toscana e Compósita.

  Este capitel, recolhido na villa romana de Frielas, integra-se na ordem Jónica. Embora de pequenas dimensões, é uma peça que se enquadra nos modelos decorativos da época, muito provavelmente elaborada numa oficina local de média qualidade e que trabalharia com encomendas particulares.

Na villa, este capitel localizar-se-ia, muito possivelmente, no peristilo, delimitando um espelho de água. O peristilo correspondia ao pátio interior da casa e integraria espaço ajardinado, espelho de água, pórtico com chão revestido a mosaico e, eventualmente, impluvium (tanque de recepção das águas pluviais). 

Jarro Romano – Século II d. C. 

Durante as escavações arqueológicas no sítio romano das Almoinhas, em Loures, foram encontradas várias sepulturas. Entre elas, uma – em forma de caixa rectangular, com paredes de tijoleira e chão de terra batida – apresentava um conjunto de objectos diversos que nos remetem para o quotidiano do indivíduo falecido.

 Era prática comum entre os Romanos serem acompanhados na sua sepultura por objectos que usavam na sua rotina diária.

Nesta sepultura de incineração, tombada junto à parede do lado direito, apareceu uma jarrinha, de pequeno porte, em argila, de tom rosa-alaranjado, e pequeno pé plano. Conserva intacta apenas uma das suas duas asas.

De aspecto frágil e fabrico cuidado, corresponde a um exemplar de louça de mesa. O gargalo, estreito e ligeiramente alongado, identifica a sua função de verter líquidos, que podiam ser água, azeite, vinho ou algum dos famosos molhos usados para temperar a comida romana.

Dados de Jogo Romanos

Na Época Romana, os jogos eram tão viciantes que se apostavam objectos pessoais, familiares e até a própria vida. Os dados eram sobretudo utilizados em jogos de azar, levando rapidamente muitos dos seus jogadores à ruína.

Em determinadas ocasiões, os dados eram igualmente utilizados para fins de adivinhação.

 

Estes dados de jogo foram recolhidos em Unhos, numa necrópole de incineração, rito funerário utilizado na época romana até ao século II d.C., quando, face à crescente influência cristã, começou a ser substituído pela inumação.

Havia o costume de sepultar os mortos acompanhados de oferendas que simbolizavam objectos do quotidiano e de que necessitariam na sua vida no Além.

Os dados encontravam-se envolvidos numa mancha de ossos fragmentados, com sinais de exposição ao fogo, correspondendo, muito possivelmente, aos restos mortais incinerados do defunto

***

Em 2002, o Museu Municipal de Loures, recebeu da APOM – Associação Portuguesa de Museologia, a distinção pelos seus serviços de Extensão Cultural.

Edições do Museu relacionadas com período romano:
- Da Vida e da Morte. Os Romanos em Loures (1998)
- Loures um Território com História (2000)
- Redescobrir a Várzea de Loures. Rios, Riachos e Ribeiros de Loures. Ambiente, Geologia e Pré-   história Antiga na Várzea (2001)
- Arqueologia como documento ( 2004)
 
 
 
Morada:
Museu Municipal de Loures
Quinta do Conventinho
2670 Loures
 
Telef.: 211 150 660
Fax: 211 151 702
E-mail: dc@cm-loures.pt
site: www.cm-loures.pt
 
Horário:
Segunda a Sábado das 10h às 13h e das 14h às 18h
Encerra ao Domingo e Feriados
 
Centro de Docum. Anselmo Braamcamp Freire:
Segunda a Sexta-feira das 10h às 12h30 e das 14h às 17h

About the author

Raul Losada

Leave A Response

You must be logged in to post a comment.