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«Torrejam» Torrão na Antiguidade (Torrão, Alcácer do Sal)

Lenda da Ermida de São João dos Azinhais

Quando os romanos estiveram instalados no lugar de Torrejam (Torre Grande), actual Torrão, tinham um templo dedicado a Júpiter. No ano 304 d.C., os romanos executaram, dois irmãos de 7 e 9 anos, chamados Justo e Pastor.

(Ermida de São João dos Azinhais)
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Este acto fez com que a população se revoltasse e derrubassem o templo. No seu lugar, pelo ano de 682 d.C. foi construída uma igreja que tem o nome de Igreja São João dos Azinhais.

(Lápide com a inscrição da fundação da igreja paleocristã de São João dos Azinhais.Património do Museu Municipal de Alcácer do Sal, depositado pelo município alcacerense na Igreja da Misericórdia do Torrão, nos anos 80 do século passado, dado que não existia nessa altura um pólo museológico.)

Tradução

Este edifício iniciado, em honra dos Santos Mártires, Justo e Pastor, a quem consta que foi consagrado finalmente foi terminado este trabalho na Era de César ou Espánica corresponde ao ano de 682 d.C.

Foi aqui que Dom Afonso Henriques acampou o exército um dia antes de reconquistar Beja. Diz-se que a reconquista foi bem sucedida graças ás preces a Justo e Pastor. Assim ficou o Templo classificado pelo Rei como Templo Pagão.

Justo e Pastor

Justo e Pastor, também conhecido como as Santas crianças, nascidos em Tielmes (Madrid), estavam entre os mártires Hispanos executados em 304 d.C., em Complutum (1), actual Alcalá de Henares, pelo governador Daciano, durante a grande perseguição aos cristãos promovida por Diocleciano.

(1) A cidade romana de Complutum foi construída no século I d.C., embora tenha sido renovada em grande medida no século III C. Localizado na actual Rua do Juncal, no extremo sudoeste da cidade moderna de Alcalá de Henares – Comunidade de Madrid.
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Justo e Pastor de 7 e 9 anos respectivamente recusaram-se a renunciar ao cristianismo. No local em que foram executados e com cristianismo aceite no império romano em 404 d.C. foi construída uma capela para abrigar os seus restos mortais.

«Urna gravado em prata e ouro, obra dos irmãos Zureno (1702), na qual repousam os restos mortais dos santos e as pedras em que foram martirizados.»
 
«Relevo da execução de Justo e Pastor – Catedral de los Santos Niños Justo y Pastor de Alcalá de Henares»
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Durante o período visigótico, tornou-se uma catedral – Catedral de los Santos Niños Justo y Pastor de Alcalá de Henares

Torrão na Antiguidade -  A primeira abordagem à presença romana na freguesia de Torrão, deve-se a André de Resende, que numa carta a Ambrósio de Morales datado de 1570, deu a conhecer as inscrições romanas existentes nas paredes laterais da ermida de São João dos Azinhais. Séculos depois, nos finais do século XIX, graças aos trabalhos de prospecção arqueológica, recolha e pesquisa de Joaquim Correia Baptista, responsável na época pelo Museu Municipal de Alcácer do Sal, é que se deu início ao registo da ocupação romana no Médio Sado.

Deve-se a este pioneiro da arqueologia alcacerense, num conjunto de estudos Publicados em 1896, no “O Arqueólogo Português”, no qual deu as primeiras notícias referentes à presença romana, na:

- Casa Branca, Porto Carro e a Herdade dos Frades.

Depois tivemos os contributos de Leite de Vasconcelos, Mário Saa e Abel Viana. José d´ Encarnação tem-se dedicado ao estudo dos monumentos epigráficos identificados no território, enquanto Dias Diogo tem concentrado os seus estudos sobre ânforas do Sado e cerâmicas exógenas, de Alcácer para jusante.

O grande salto qualitativo e quantitativo do estudo da romanização do território “Salaciano” foi iniciado na década de 80 do século XX, graças aos trabalhos conjuntos de João Carlos Faria e Marisol Aires Ferreira em “Torrão do Alentejo: Arqueologia, História e Património”

 Locais Romanos

 Calçada Romana


Restos muito bem conservados de um troço de calçada romana,  tem de comprimento 318,7m por 2,4m de largura. Pode tratar-se dos restos da via romana que ligava Salacia (Alcaçer do Sal) a Ébora (Évora) –  Itinerário XII .

Localiza-se num pequeno morro, atravessando um olival descendo para o rio Xarrama, não o atingindo, chegando perto de uma ponte romana.

 

Ponte Romana

Ponte sobre o rio Xarrama. Conhecida por Ponte da Calçadinha Romana e que se pensa datar do século V d.C.

Fonte Santa

Possível fonte de origem romana.  Em 1903 num sítio conhecido como Fonte Santa, foram identificados alguns materiais de construção aparentemente romanos, dos quais se destacam algumas tegulae e restos de uma construção revestida a opus signinum. Foi também identificada uma coluna de mármore, aparentemente romana e localizada junto ao mercado da povoação e proveniente da Igreja de São Roque.

De salientar uma ara anepigrafada, decorada com um jarro e uma patera com umbo, depositada no claustro da Igreja da Misericórdia, mas da qual se desconhece a proveniência exacta. Recolheram-se ainda fragmentos de vidro romano no Cemitério da Matriz.

Ermida de São João dos Azinhais

 

Neste local foi descoberta uma inscrição funerária e uma outra consagrada a Iuppiter Optimus Maximus. Eventualmente correspondente a uma villa romana pertencente a uma das familias mais importantes do municipio de Salacia. Este sítio apresenta uma ocupação durante a época visigótica.

Na actual capela (Capela de São João Baptista construída no século XVII) que lhe é adjacente encontra-se uma inscrição dedicada aos SS. Justo e Pastor datada de 682 d.C.

“…A ara consagrada por Flavia Rufina, talvez num templo situado no local da capela de S. João dos Azinhais, perto do Torrão, trata-se do único testemunho do culto de Júpiter Óptimos Máximo, no território do município salaciense.” (João Carlos Faria)

Centro Escolar do Torrão

 

“É uma série de tanques associados a muros, numa área de dispersão de cerca de 500 metros quadrados, com um grau de conservação elevado, bem como dois enterramentos, um do sexo feminino e outro do masculino, sendo o do sexo feminino associado também a uma criança”, revelou a arqueóloga responsável pelas escavações, Catarina Cabrita.  (Noticia de 2009)

Nota Final:

Para melhor compressão da presença romana na vila de torrão aconselhamos a leitura da publicação editada por António Rafael Carvalho e disponível em PDF:

Torrão do Alentejo: Arqueologia, História e Património
De António Rafael Carvalho
Link:http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Documents/Torr%C3%A3o%20Arqueologia%20Historia%20e%20Patrim%C3%B3nio%20Vol%201.pdf

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