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Lancobriga – A cidade dos Turduli Veteres (Fiães, Santa Maria da Feira)

Castro de Fiães

No monte de Santa Maria, também conhecido por monte do Redondo, foram identificados vários vestígios arqueológicos. Presume-se ter existido naquele local uma cidade celta denominada “Langobriga” (ou  Lancobriga). Langobriga é apontada como a possível capital dos Turduli Veteres.

«Foto de Mendes Corrêa, anos 70 do séc.XX»
***
 

Trata-se de um castro localizado na elevação a sul do monte das Pedreiras. Nas sondagens de 1980 foi identificada uma muralha com a face interna bem conservada e em ruína para o exterior, cujos limites não foram determinados. É construída com pedras de tamanho médio e grande, sem argamassa de permeio. Esta muralha apresenta o aspecto de um forte paredão, com parâmetro interno bem delineado e em ruínas para o exterior.

Por volta do século II a.C., os romanos ocuparam o referido monte, que já conheceria um certo desenvolvimento por volta do século IV. O “itinerário de Antonino” refere que na estrada romana que ligava Olissipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga) encontrava-se Langobriga a 18 milhas de Talabriga e a 13 milhas de Cale, distâncias que correspondem à localização de Fiães, onde ainda hoje se pode vislumbrar restos do pavimento dessa via no lugar de Ferradal.

Povoado importante que parece corresponder ao Oppidum dos  Turduli Veteres, um povo antigo de Celtiberos, e um dos grupos que pertencia aos Lusitanos, e situavam-se na parte Sul do Rio Douro.

A sua capital foi Langobriga actual monte de Santa Maria ou Monte Redondo em Fiães, concelho de Santa Maria da Feira. Outras cidades atribuídas aos Turduli Veteres foram Talábriga (1) e possivelmente Oppidum Vacca (2).

«Durante as pesquisas arqueológicas forma descobertos restos de colunas e um fragmento de friso que podem ter pertencido a um monumento publico romano.

A ara descoberta no local e dedicada a “Iuppiter” tenha possivelmente sido consagrada oficialmente pelo Oppidium:

» IOVI O(ptimo) M(aximo)  P(osuit)  L(aetus)  L(ibens) ou

P(osuit) L (angobriga) L (ibens)»

Foram recolhidos no local mais de 800 moedas, predominantemente do Baixo-Império, e dois tesouros monetários do Sec. IV d.C. Actualmente parte deste acervo encontra-se no Museu Convento dos Lóios em Santa Maria da Feira.

A Necrópole do Oppidium  foi destruída no Séc. XVIII e ficava situada onde hoje se ergue um conjunto escolar.

Já em 1758 “As Memórias Paroquiais” do reitor Paulo Antunes Alonso, referem o vasto espólio aqui encontrado e que actualmente se encontra depositado, na sua maioria no sector de Arqueologia do Museu de História Natural da Universidade do Porto – Núcleo de arqueologia»

Acervo Arqueológico do castro de Cinfães

As colecções do Núcleo de Arqueologia e Antropologia do
Museu de História Natural da Universidade do Porto

O Museu de História Natural da Universidade do Porto foi criado em 1996.

O Núcleo de Arqueologia e Antropologia Mendes Corrêa, foi fundado em 1911 pelo mesmo diploma que criou a Universidade do Porto, sendo seu primeiro director António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-1960).

Este núcleo possui um conjunto de colecções de diversas áreas: Arqueologia, Etnografia, Antropologia, Numismática, Fotografia, Filmes, Documental, Bibliográfica e Instrumentos Antigos.

Este espólio, amplo e diversificado, tem sido ao longo destes 100 anos de existência do museu, objecto de múltiplos projectos de investigação e integrar exposições nacionais e internacionais.

Na área da Arqueologia dos mais de 400 sítios registados, apenas estão inventariados cerca de 50%.

Actualmente desenvolve-se um projecto desenvolva um projecto mais abrangente de musealização do espólio deste núcleo, que simultaneamente respeite o valor científico das colecções e valorize a sua função e lugar no discurso expositivo, para que todos possam dele usufruir.

Museu Convento dos Lóios

O Museu Convento dos Lóios é um espaço dedicado à História do concelho de Santa Maria da Feira e da região.

O primeiro grande núcleo da exposição permanente é dedicado às origens do povoamento do território, desde os primeiros vestígios pré-históricos até à época altimedieval.

A exposição inicia-se com um painel com um levantamento arqueológico do concelho de Santa Maria da Feira, onde são cartografados os principais sítios, monumentos e achados registados na região.

A Idade do Ferro e a Romanização têm como sítios emblemáticos do concelho os castros de Romariz e de Fiães, já com uma longa história de trabalhos arqueológicos que, no primeiro caso, remonta aos meados do século XIX.

A caracterização do castro é feita através de uma maqueta geral da estação, complementada por diverso material gráfico, fotográfico e um texto explicativo. Um destaque especial é dado à domus, apresentando-se uma maqueta com a sua reconstituição e uma encenação de um cartibulum aparecido no átrio desta casa, com recurso a fotografias de enquadramento.

Seguem-se as vitrinas onde estão expostos os materiais arqueológicos mais representativos do povoado, desde cerâmicas micáceas, gregas, púnicas e romanas museologicamente tratadas, materiais líticos, armamento e moedas. Em plintos próprios, aparece a estatuária e outros elementos líticos de maior dimensão, bem como uma epígrafe aparecida nas imediações do castro e a ara votiva encontrada em Duas Igrejas.

O Castro de Fiães, cuja divulgação à comunidade científica se deve a A.A. Mendes Corrêa, professor da Universidade do Porto, no primeiro quartel do século passado, apresenta uma longa diacronia desde a Idade do Ferro até à Alta Idade Média. Este povoado localizado nas proximidades da via romana que ligava Olisipo a Bracara, tem sido identificado como a Lancobriga referida no Itinerário de Antonino (séc. III).

 «Moedas Romanas do Castro de Fiães. ed. Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, 2009»

Devido à localização privilegiada, este castro passou por um grande desenvolvimento, sobretudo durante o século IV, bem atestado pela riqueza dos materiais arqueológicos aqui recolhidos.

O claro nível de incêndio, que motivou o abandono generalizado do povoado, e a sua proximidade dos territórios dominados pelos Suevos sugere que a sua destruição parece ter ocorrido anteriormente às razias de 465/68 que vitimaram, nomeadamente, Conimbriga.

A apresentação do Castro de Fiães começa por um painel com o historial das escavações arqueológicas e uma selecção dos materiais exumados é exibida em vitrinas, onde, para além das cerâmicas, vidros e outros materiais, se destacam os dois tesouros tardo-romanos encontrados em 1973 e 1974. Em plinto próprio encontra-se exposta a ara dedicada a Júpiter, aparecida em 1964.

Contactos
Praça Dr. Guilherme Alves Moreira
Santa Maria da Feira

A Lancobriga desapareceu…

Em 1999 uma visita dos Arqueólogos do ex- IPA – extensão de Viseu encontrou o castro quase todo destruído visto que parte da vertente foi ‘engolida’ por uma pedreira. Na parte restante edificou-se um conjunto de piscinas e no centro do referido monte uma moradia.

Apesar de ter permanecido incólume durante séculos o património arqueológico do castro de Fiães não resistiu ao crescimento desordenado e atroz de fim do século XX. Hoje em dia o castro encontra-se severamente destruído na sua quase totalidade. A mítica povoação de Lancóbriga desapareceu…

 Localização:

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(1)    http://www.portugalromano.com/2011/11/civitas-talabriga-marnel-agueda/

(2)   (Em elaboração)

Castro de Fiães - http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3107.pdf

Cerâmica Romana de Fiãeshttp://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3316.pdf

Notas sobre Castro Fiãeshttp://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo4302.pdf

Bibliografia
Centeno, 1976, p.171-185;
Almeida, C.A.F., 1971 p. 157-159;
Alarcão, Roman Portugal, V2, p.91, 3/29

About the author

Raul Losada

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