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Introdução Histórica – Distrito de Bragança

Projecto «Roteiro Romano»
Levantamento de sítios arqueológicos, Museus e Colecções Visitáveis

Bragança – distrito do nordeste de Portugal, pertencente à província tradicional de Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte e a leste com Espanha (províncias de Ourense, Zamora e Salamanca), a sul com o Distrito da Guarda e com o Distrito de Viseu e a oeste com o Distrito de Vila Real.

 

Introdução ao Histórica

Julga-se que as comunidades proto-históricas terão surgido em maior número na Terra Fria transmontana, provavelmente do final da Idade do Bronze (1000-700 a.C.). Estes povoados – castros -, eram, em geral, estruturas urbanas fortificadas, por vezes com diversas linhas de muralha, e situavam-se em locais elevados e com bom alcance da paisagem envolvente, o que facilitava a sua defesa. As comunidades praticavam uma economia de subsistência.

Colonização romana

A colonização romana, que se foi impondo de forma muito lenta, veio actuar sobre as civilizações existentes, contribuindo para minorar as diferenças étnicas e culturais resultantes dos primitivos povoamentos e para homogeneizar as culturas indígenas. As mudanças operadas foram profundas, inclusivamente nas zonas de montanha, por isso menos acessíveis, tendo afectado as paisagens e os modos de viver. A presença romana contribuiu, em parte, para a passagem do regime de exploração colectiva dos solos para o da propriedade privada e, muito provavelmente, para um recuo da floresta. Os romanos são também responsáveis por significativas alterações de índole administrativa, material e cultural. São inúmeros os vestígios arqueológicos (e alguns únicos) que atestam a presença, a disseminação e a influência deste povo na região. Os vestígios dos castros luso-romanos formam uma malha evidente no actual concelho de Bragança. Refiram-se, a título de exemplo, os castros de Sacoias e o de Castro de Avelãs. Aí têm aparecido lápides funerárias, moedas e material votivo. Castro de Avelãs (a 3 quilómetros de Bragança) teria mesmo constituído um importante centro de passagem na estrada militar de Astorga, como o atestam os marcos miliários que aí se encontraram. É ainda de realçar a existência de divindades locais de que é exemplo o deus Aerno.

A secção epigráfica do Museu do Abade de Baçal, particularmente rica, reúne uma excelente colecção de lápides funerárias. Os vestígios da presença romana têm surgido um pouco por todo o concelho (Alfaião, Aveleda, Carrazedo, Castro de Avelãs, Donai, França, Gostei, Meixedo, Pinela, Quintela Lampaças, etc.).

Com efeito, no local onde hoje se ergue a cidade de Bragança têm aparecido alguns vestígios romanos, como por exemplo telhas e algumas moedas, uma das quais em bronze, encontradas em diversas escavações, como nas obras da Igreja de S. Francisco. Têm sido efectuadas outras escavações mais recentemente na cidade de Bragança que permitiram confirmar a presença romana nesta área.

Zoelae e Banienses

O distrito de Bragança parece ter sido dominado por duas comunidades étnicas – os Zoelae, pertencentes ao povo astur, com a capital em Castro de Avelãs, e uma civitas lusitana pertencente ao povo Baniense, já na zona Sul do distrito.

A cartografia latina – Atlas de Gotha, de Justus Perthes – menciona apenas três povoações: Aquae Flaviae (Chaves), Veniatia (Vinhais) e Zoelae (sede dos Zoelas, actual Castro de Avelãs) não havendo qualquer referência a um povoado com toponímia próxima de Bragança. Neste período do domínio romano a região bragançana integrava a Gallaecia e dependia, do ponto de vista administrativo, de Astorga.

O Domínio de suevos e visigodos – Povoado de Vergancia

As primeiras referências a um povoado (pagus), antepassado toponímico de Bragança, surgem nas actas do Concílio de Lugo (569 d. C.) sob a designação de Vergancia. Posteriormente, já na divisão administrativa de Wamba (666 d. C.) surge já uma referência a Bregancia. Salvaguarde-se, contudo, que esta referência pode não corresponder totalmente à verdade um vez que a cópia das actas a que se teve acesso é de elaboração posterior, podendo ter sido alvo de interpretação.

O domínio de suevos e visigodos, acerca dos quais tão pouco se sabe, veio contribuir para que se acentuasse a ruralização da economia. Com efeito, supõe-se que alguns traços da vida pastoril e comunitária desta região se ficam a dever à ocupação destes invasores. O centeio, cereal realmente importante que o mediterrâneo recebe da Europa média e que através dos séculos tem desempenhado um papel tão importante na economia das terras altas, foi, muito provavelmente, introduzido pelos suevos. Orlando Ribeiro, refere que as afinidades desta zona da Terra Fria com a “Europa Média, marcadas no clima e na floresta de folhas caducas, e na decorrente economia rural e pastoril, recebeu um contributo nórdico que embora mal conhecido não é lícito menosprezar”. É ainda sob o domínio dos visigodos que se estruturam os grupos sociais que vão caracterizar, de forma geral, a sociedade medieval. Uma sociedade, essencialmente, trifuncional. Refiram-se ainda alguns topónimos locais, cujas terminações parecem ser herança destes povos: Gimonde, Guadramil e Samil.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança; Museu do Abade de Baçal

(Documento em elaboração)

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Raul Losada

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