Localiza-se na freguesia e povoação de Alfeizerão, concelho de Alcobaça.
Em virtude de alguns achados e vestígios arqueológicos, e, interpretando o geógrafo Ptolomeu, que junto a Alfeizerão se tenha localizado Araducta, cidade lusitana.
Araducta
Esta tese é defendida pelo Prof. Vasco Gil Mantas.
Em época romana, Alfeizerão poderá ter sido um vicus portuário cujas funções se relacionavam directamente com as actividades portuárias (Mantas, 1996c). V. Manta não hesita em articular este raciocínio com o próprio traçado da estrada, apontando para Alfeizerão uma possível identificação com a Araducta referida por Ptolomeu:
“A directriz da estrada, provavelmente renovada e balizada por Adriano, não permite quaisquer dúvidas quanto ao facto do seu objectivo consistir na povoação existente junto à lagoa que outrora ocupava a zona(…)” (Mantas, 1996c, 1, p. 704),
e ainda:
“Este sector da costa oferecia excelentes condições de abrigo à navegação romana pois possuía características semelhantes à da actual Lagoa de Óbidos, correspondendo razoavelmente ao que Vitrúvio classificava como um “portus naturaliter bene positus”. O tipo de fundos correspondia também ao que os Romanos preferiam, de areia ou vasa, e a entrada do plano de água do porto, protegida da nortada pela Ponta do facho e com 150 metros de abertura, garantia uma manobra segura no período crítico que era o do ingresso de um navio no interior do porto.” (Mantas, 1996c, 1, p. 705).
O mesmo autor reconhece ao porto romano de Alfeizerão a capacidade de ter servido não só a navegação de longo curso, atlântica, como a de cabotagem:
“certamente activa ao longo de toda a costa lusitana e muito bem adaptada ao sector costeiro entre Peniche e a Nazaré, com as suas várias lagunas abrigadas e facilitando as comunicações com o interior” (Mantas, 1996c, 1, p. 705).
Também refere duas cidades com as quais o porto correspondente a Alfeizerão poderá ter-se relacionado: Collipo e Eburobritium. No entanto, no caso desta última cidade, localizada perto de Óbidos, ter-se-á verificado a utilização do espaço navegável e portuário que lhe era bem próximo, a lagoa de Óbidos na sua antiga forma de vastidão navegável.
O Castelo de Alfeizerão
Com base no topónimo e nas referências ao castelo, é costume atribuir aos Muçulmanos a fundação de Alfeizerão no século VIII.
Nos nossos dias, porém, o Prof. Moisés Espírito Santo, da Universidade Nova de Lisboa, fez recuar a data da fundação ao tempo dos Fenícios, sustentando que o topónimo tem origem nos dialectos Púnicos que, segundo afirma, os Lusitanos falavam.
O castelo teria planta rectangular, em estilo românico, as suas muralha em cantaria de pedra eram reforçadas originalmente por oito cubelos semi-circulares. Na praça de armas descentrada a Leste, ergia-se a Torre de Menagem. Até aos nossos dias chegaram a parte inferior de um pano de muralha, ligando o resto de dois cubelos (sobre um dos quais está implantado um marco geodésico) À fortificação estaria associada uma estrutura portuária ainda não identificada.
O castelo e seus domínios permaneceram na posse da Abadia de Alcobaça até à extinção das ordens religiosas por D.Maria II, tendo em 1834 passado para a Fazenda Nacional.
O terreno do Castelo esteve desde então na posse de particulares de Rio Maior e das Caldas da Rainha. Desde 1920 até 1970 foi propriedade do Dr. Júlio Ferrari e de então para cá está na posse de uma família de Alfeizerão. Em 1973 foi formulada uma proposta de limpeza e consolidação das ruínas e prospecção arqueológica do sítio, que infelizmente nunca viriam a ter lugar, tendo o espaço continuado a degradar-se.
O sítio encontra-se aparentemente em vias de classificação…







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Acacio Nascimento
2012/01/07 at 21:32