Há referências escritas, desde o século XVII, da sua presença urbana em um local muito próximo do edifício do teatro na cidade romana de Bracara Augusta. Possivelmente ambos foram construídos simultaneamente no início do século II d.C.
Os edifícios foram colocados no eixo da máxima Decumano fórum e leste. O disposição entre os dois edifícios é semelhante em Emerita Augusta.
«Emerita Augusta, Mérida (Espanha)»
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Urbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta Por Maria Manuela Martins * O Anfiteatro de Bracara Augusta *«Bracara Augusta possuíu um anfiteatro, hoje totalmente soterrado e parcialmente destruído.
Testemunhos que comprovam a sua existência são as referências a ele feitas pelos eruditos bracarenses dos séculos XVII e XVIII, particularmente D. Rodrigo da Cunha (1634) e Jerónimo Contador de Argote (1728; 1732-34).
Ao primeiro é devida a expressa menção da existência, na paróquia de S. Pedro de Maximinos, de um meio círculo, lugar onde estava o anfiteatro (Cunha 1634). J. Contador de Argote é ainda mais preciso na sua localização, afirmando que se encontrava no sítio da antiga igreja de S. Pedro de Maximinos, referindo que era redondo e que, no tempo de D. Rodrigo da Cunha, ainda se apreciavam vestígios claros da sua “fábrica” (1732-34).
«Fragmento de Lucerna, 27 a.C. – 37 d.C., encontrado em Braga, Representação de um gladiador segura na mão esquerda um escudo rectangular e na direita a sica ou espada curta. Veste um saiote curto e usa um elmo com penacho, protege as pernas com as botas e grevas e o antebraço esquerdo com um protector metálico articulado.
Museu D. Diogo de Sousa, Braga»***
O texto de Argote deixa perceber que, na sua época, as ruínas do edifício eram já difíceis de perceber. A última referência escrita ao anfiteatro surge pela mão de Pereira Caldas, reportando-se a 1852, constando de um roteiro sobre as obras artísticas que a rainha D. Maria I e o Príncipe D. Fernando poderiam ver na viagem ao Distrito de Braga.
Nele se referem “os restos escassos que ainda apparecem, nas escavações, d’antigo amphitheatro romano” (Caldas 1852).
Tendo seguramente deixado de ser visível na segunda metade do séc. XIX, altura em que também foi destruída a antiga igreja de S. Pedro de Maximinos, a localização aproximada deste anfiteatro pode ser estimada com base na análise da fotografia aérea. O ensaio realizado por Rui Morais sobre os fotogramas de 1964, resultaram na confirmação da existência de um meio círculo, correspondente a uma grande estrutura soterrada, situada no eixo da R. de S. Sebastião, cujo traçado corresponderia, aproximadamente, ao decumano máximo oeste de Bracara Augusta (Morais 2001, figs. 3, 4, 5 e 6).
Considerando a localização deste importante edifício lúdico, não deixa de ser sugestivo correlacionar o seu alinhamento com o teatro, recentemente identificado na colina do Alto da Cividade, sendo igualmente de salientar que ambos os edifícios se encontram no eixo do forum e do decumano máximo oriental.
Tendo em conta que a construção do teatro data dos inícios do séc. II, parece-nos aceitável admitir a mesma cronologia para a construção do anfiteatro, considerando a natureza lúdica dos dois equipamentos.
De facto, ambos constituem importantes elementos de prestígio das cidades e veículos de expressão ideológica que permitiam, nas cidades provinciais, a reprodução das grandes manifestações de vida pública romana, como eram os munera e os ludi scaenici (Fuentes Domínguez 2000). Por outro lado, a articulação visual dos dois edifícios, de acordo com a sua topografia, sugere terem sido concebidos como elementos interligados na cenografia da cidade, facto que reforça a ideia da sua construção mais ou menos simultânea.
Hoje soterrado e sobreposto por várias construções,este grande equipamento deverá ter sido bastante arrasado, sendo possível que tenha servido de pedreira para a cidade medieval e moderna. No entanto, estamos em crer que, tal como aconteceu com o teatro do Alto da Cividade, o anfiteatro pode ter sido abandonado nos finais do séc. III /inícios do IV, tendo-se iniciado, então, o seu desmonte para obtenção de material para a construção da muralha.»
Fonte: Urbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta. Balanço dos contributos da Arqueologia Urbana Maria Manuela Martins http://bib.cervantesvirtual.com/portal/simulacraromae/libro/c8.pdf


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