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Castelo da Lousa – Fortificação Romana

O Castelo da Lousa é a prova da ocupação militar romana na freguesia da Luz (Mourão).

Vários foram os investigadores que, desde então, se referiram a este sitio, discutindo, sobretudo, a sua função. Uma das actuais propostas, que de alguma forma retoma e desenvolve outras teses, procura interpretar o Castelo da Lousa como uma fortificação militar cuja função seria a de vigilância, talvez em articulação com outros locais, de uma via de comunicação e policiamento de um território que seria muito sensível, dadas as numerosas explorações mineiras aí existentes.

«Foto de João Nunes»

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Outras hipóteses avançadas defendem que o Castelo da Lousa seria antes uma “casa agrícola fortificada”, edificada por um cidadão romano de origem itálica no âmbito de um programa de colonização cesariano ou pompeiano. Esta proposta, que procura ver neste tipo de sítios a primeira geração de estabelecimentos rurais romanos de âmbito civil que se implantaram numa região conquistada mas não passificada, é matizada por outros autores quando procuram reforçar as relações privilegiadas e inequívocas que estes locais mantinham com a mineração mas, sublinham, de uma forma indirecta. Isto é, estes estabelecimentos, situados em terrenos com fraca aptidão agrícola e na orbita de explorações minerais, poderiam destinar-se a aprovisionar bem essenciais que abasteceriam os povoados estreitamente associados à mineração.
A hipótese de entreposto comercial também se depreende no que recentemente escreve Jorge de Alarcão, quando sugere que o “castelo” poderá ser “uma instalação de colono-negociante que, em período tardo-republicano, importaria materiais, para deles abastecer as populações indígenas da região, eventualmente obtendo delas lingotes de metal”.

Situado na freguesia de Luz, está inserido num meio rural e isolado, tendo como acesso um caminho vicinal de difícil acesso. A sua arquitectura é militar e remonta ao início da ocupação romana do território português.

No alto de uma escarpa em posição dominante sobre o rio Guadiana, cuja travessia vigiava, a fortificação romana de pequenas dimensões, de planta rectangular, em aparelho de xisto, material abundante na região.

Este sítio arqueológico, testemunho da Invasão romana da Península Ibérica, foi datado entre o século I a.C. e o século I d.C..

Entre 1962 e 1967, foram feitas uma série de campanhas de escavação no interior do edifício principal e nas construções anexas. Esta escavação revelou um edifício aparentemente de um piso, de plana aproximadamente quadrangular, com cerca de 23,5 x 20 m, com muros exteriores em xisto de 2 m de espessura que, em alguns casos, se conservam até 5,70 m de altura, apresentando uma única porta de acesso virada a leste.

O interior do edifício apresentava diversos compartimentos, de dimensões distintas, providos de frestas de iluminação e ventilação abertas para o exterior, e dispostos em redor de um pátio central. No centro da estrutura existia uma cisterna com 8 m de profundidade. Toda a construção é regular, em alvenaria de xisto com blocos cuidadosamente aparelhados e sem argamassa.

Este poderoso monumento, em rocha escarpada sobre o rio, obedece a um padrão que só tem paralelo remoto com alguns monumentos do Norte de África e do Reno.

Entre 1997 e 2002 realizaram-se outras escavações que incidiram nas áreas edificadas nas plataformas NO e norte, anexas ao edifício principal, e na plataforma NE, já próxima do rio, todas integradas no mesmo contesto cronológico foi ainda posta a descoberto uma outra área edificada, em parte mais antiga do que este núcleo central, da plataforma NO inferior, junto ao leito do rio. O alargamento da área construída nesta zona não permitiu escavar integralmente as estruturas identificadas, nem definir os limites da área de ocupação.
As construções identificadas nas plataformas Norte e Noroeste
apresentam uma planta irregular, adaptando-se à configuração do patamar rochoso, de forma a aproveitar integralmente o espaço. As paredes são construídas em alvenaria de lajes de xisto e terra, sem argamassa, sendo algumas parcialmente talhadas no afloramento rochoso.
Nesta área registou-se um conjunto de cerca de 30 compartimentos, de entre os quais destacamos: uma estrutura circular, possivelmente de um pequeno torreão de vigia, implantado no patamar superior, ao nível da base do edifício principal; dezanove salas de planta quadrangular ou rectangular de dimensões muito diversas, consideradas como espaços habitacionais ou de armazenamento; um corredor ou pequena azinhaga, por onde se faria a circulação, dando acesso às entradas para os compartimentos; e uma estrutura circular interpretada como forno ou forja.

O Castelo da Lousa encontra-se actualmente submerso
pela Barragem de Alqueva
Coordenadas: 38º 21′ N 07º 24′ O
 
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MUSEU DA LUZ

Colecção Arqueológica
A partir do ano de 2006 o Museu da Luz passou a ser depositário do espólio arqueológico da freguesia da Luz recolhido por ocasião das escavações arqueológicas empreendidas entre os anos de 1998 e 2003 no quadro do Plano de Minimização de Impactes Patrimoniais de Alqueva.

Este espólio é representativo da longa diacronia da ocupação deste território ribeirinho, incluindo importantes sítios desde a pré-história até à época moderna. Salienta-se o importante conjunto de artefactos proveniente do emblemático Castelo da Lousa, monumento de época romana classificado como Monumento Nacional.

Museu da Luz
Largo da Igreja de Nª Sr.ª da Luz
7240-100 Luz Mourão
Tel. 266 569 257
Fax 266 569 264
infomuseudaluz@edia.pt

Info:

Arqueologia nas terras da Luz, nº 01 ‘Colecção Museu da Luz’, Beja: Museu da Luz/ EDIA, 2004
Reúne artigos de diversos autores, nomeadamente dos responsáveis das intervenções arqueológicas realizadas na Luz e Alqueva antes do enchimento da barragem (António Carlos Silva; António Valera; Ana Gonçalves e Pedro Carvalho; Valdemar Canhão; Conceição Lopes; Heloísa Santos, Paula Cosme e Paula Abranches). O livro trata do património histórico e arqueológico submerso deste concelho, com destaque para o monumento do Castelo da Lousa.

Castelo da Lousa – intervenções Arqueológicas de 1997 a 2002 , Mérida: STVDIA LUSITANA, nº 5, 2010 – Jorge de Alarcão, Pedro C. Carvalho, Ana Gonçalves (coord.)

Castelo da Lousa: testemunho da civilização romana no Guadiana , EDIA,S.A_ Interacções do Futuro, 2001 – António Carlos Silva (coord.)

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