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Pedreira Romana de Colaride

Pedreira Romana de Colaride

«Vista aérea da Pedreira Romana»

Com a chegada dos Romanos a Península Ibérica existiu uma introdução de novidades tecnológicas na área dos materiais de construção, dando origem a uma indústria de elevado valor económico, a Pedra.

Infelizmente são praticamente inexistentes os vestígios arqueológicos de pedreiras ou oficinas de cantaria ou estudos realizados sobre a origem da pedra utilizada nas construções de Monumentos, escultura ou epigrafia.

«Pedreira Romana de Colaride, foto de Julho de 2010»

Durante a intervenção de emergência realizada em 1998, no sítio arqueológico de Colaride, em Sintra, na sequência dos trabalhos de implantação da Rede Primária de Gás Natural. A arqueóloga Catarina Coelho releva-nos no seu estudo(1) a  identificação de uma pedreira explorada a céu aberto durante a ocupação romana de Colaride, bem como do telheiro que lhe estava associado, para trabalho da matéria-prima então recolhida.

Apresenta-mos as principais conclusões desta importante descoberta e a necessidade de se efectuar uma alargada investigação e a musealização desta pedreira romana.

(…)

«A pedreira, identificada na sondagem, é composta por três degraus escavados directamente no calcário margoso visando a obtenção da plataforma de calcário com calcite, pretendida para exploração.

«Pormenor dos entalhes, foto de 1998 (1)»


Neste último degrau são visíveis duas cunhas, perfeitamente talhadas, denunciando a existência de um bloco preparado para a extracção.

O nível de exploração apresenta entalhes de corte que aproveitam as descontinuidades, fissuras naturais e orifícios petrográficos para acção do escopro.

«Pedreira de Colaride, foto de 1998 (1)»


Tal como foi identificado noutras pedreiras romanas, há uma associação entre as técnicas de exploração propriamente ditas e a observação das características geológicas da rocha, no sentido de minimizar o esforço técnico que a extracção da matéria-prima implicaria.

«Produto da escombreira, foto de 1998 (1)»


 

No interior da pedreira foi possível observar o produto da escombreira, resultante da exploração da matéria-prima, composta por pedras com dimensões médias entre 0,27 m x 0,20 m x 0,10 m; 0,40 m x 0,20 m x 0,16 m e 0,18 m x 0,14 m x 0,06 m. Trata-se de um aglomerado de blocos heterogéneos resultantes do desmonte das camadas superiores ao nível de exploração.

 

A pedreira de Colaride, pensa-se que a matéria-prima ali recolhida se destinaria ao abastecimento das construções existentes no habitat próximo.

De facto, as dimensões — ainda que não totalmente averiguadas — parecem caracterizar uma exploração modesta.

«Perspectiva final dos trabalhos efectuados na pedreira romana de Colaride,  foto de 1998 (1)»


 

A primeira grande conclusão a retirar dos trabalhos efectuados reside no facto de ter sido posta a descoberto uma realidade deveras importante e raramente conhecida no panorama arqueológico nacionalpedreira romana e respectivo telheiro de exploração.

Por se tratar de uma zona mais destacada da área onde julgamos estar localizado o núcleo de habitat, as realidades postas a descoberto, nomeadamente a pedreira e o telheiro, revelaram que de facto se tratava de um espaço de trabalho, claramente distinto do recinto habitacional.


«Exemplos de exploração de pedreiras romanas,

 segundo Adam, 1984, p. 29, 33»

 

 

 

Por isso mesmo, levanta-se à partida a hipótese da exploração da pedreira estar ligada à necessidade de matéria-prima para a construção dos edifícios do núcleo de habitat próximo.

Através dos materiais arqueológicos exumados, podemos apontar para uma exploração da pedreira entre os séculos I-III, época durante a qual, também, se verificou o seu entulhamento.

Normalmente existem telheiros nos limites das pedreiras romanas, destinados à instalação de oficinas de talhe — situação verificada frequentemente na Gália (Bedon, 1984).

 

De acordo com os dados acima referidos, pensamos que o sítio arqueológico de Colaride se destaca pela sua singularidade no panorama arqueológico nacional.

De futuro será essencial gerar as condições necessárias que permitam a investigação e a musealização desta pedreira ímpar, pela informação e conhecimento que poderá fornecer à Arqueologia Portuguesa e ao Património Cultural Português.»

(1)“Estudo preliminar da pedreira romana e outros vestígios identificados no sítio  arqueológico de Colaride”

 Por Catarina Coelho

Revista Portuguesa de Arqueologia. volume 5.número 2.2002, p.277-323

Fontes:
“O Domínio Romano em Portugal”, Edição de 2002,  pag. 134-136
De Jorge de  Alarcão
Estudo preliminar da pedreira romana e outros vestígios identificados no sítio  arqueológico de Colaride”
Por Catarina Coelho
(Info: http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/5_2/11.pdf)
As Fotos incluídas são referentes ao estudo:
Revista Portuguesa de Arqueologia. volume 5.número 2.2002, p.277-323
Outros artigos dísponiveis sobre o tema:

A utilização dos mármores em Portugal na época Romanos

Por Maciel M. Justino e Helder Coutinho

(Info: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2860.pdf)

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