Povoado da Cabeça de Vaiamonte – Acampamento romano
Este povoado fortificado, com vestígios de ocupação desde o Neolítico até à época romana, localiza-se num outeiro isolado a oeste da aldeia com o mesmo nome e foi identificado por José Leite de Vasconcelos e Manuel Heleno em 1923.
«Capacete em bronze de tipo Montefortino, de forma cónica, guarda nuca curta e plana. Botão cónico. Conserva os apêndices laterais para a presilha.(Capacete da Legião Romana – Sec. I aC. – MNA)»
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Denário de prata com cabeça de Janus e Roma – 119 a.C. achado em Intervenção arqueológica do Museu, sob direcção de Manuel Heleno, proveniente do Cabeço de Vaiamonte, Monforte.
Anverso: Cabeça de Janus bifronte, laureada. À volta: M.FOVRI.L.F.; à volta pérolas. Reverso: Roma, com capacete coríntio, parada, à esquerda, segurando ceptro com a mão esquerda e coroa um troféu com grinalda de flores com a mão direita. Em cima uma estrela.
Em baixo: ROMA. O troféu é encimada por um capacete com a forma de cabeça de javali, ladeado por um “carnyx” e um escudo de cada lado.
No exergo: PHILI (PHI em nexo). À volta pérolas. (Museu Nacional de Arqueologia)
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Em 1951, Manuel Heleno procedeu às primeiras sondagens no castro da Cabeça de Vaiamonte, no âmbito de um extenso programa de escavações com o intuito de reforçar a vertente arqueológica do Museu, de modo a reunir materiais de diferentes épocas da ocupação humana no território português.
«Faca serrilhada em ferro de Vaiamonte, Época romana / MNA»
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Depois iniciou-se um período de escavações que se prolongou até 1964, em paralelo com as escavações de Torre de Palma (FABIÃO, 1996: 35-38).
Os vestígios militares encontrados no local no sec. XIX são de enorme importância, actualmente é aceitável interpretar estes tipo de achados como testemunhos da passagem ou presença de tropas militares romanas em campanha ou instalações de vigilância (fortins).
«Punhal de rebites em ferro – Época Romana/MNA»
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Nas proximidades do povoado fortificado encontra-se a Villa romana de Torre de Palma, onde se encontrou uma Ara dedicada a Marte, data do Séc (s). I – II d.C.
Dada a proximidade dos dois locais arqueológicos poderá sugerir que o primeiro proprietário da villa teria sido um veterano da Legião, que agradecendo a prosperidade na vida civil a dedicou a Marte.
M (arcus) . COEL [IVS] / CEL [S]VS / MARTI / A (nimo) L (ibens).
«Ara com figura de Marte / MNA»
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José d’Encarnação descreveu-a no IRPC (1984):
«”Ara votiva (…). Aparelhada nas quatro faces, já não tem capitel – onde poderia ter havido fóculo – e o canto superior direito também desapareceu por utilização posterior. Moldura de gola bastante encurtada em cima e reversa na base, embora atrás e do lado esquerdo as molduras tenham sido destruídas. Esculpida em alto relevo, sobre um rude pedestal, a figura de Marte (56,6 x 28): de pé, perna esquerda levemente inclinada, couraça, capacete, mão esquerda segurando o escudo que assenta no chão, mão direita agarrando o pilum (c=54,5). Uma posição estática, solene, fazendo esmorecer o aparato militar.(…)”. »
Marte é uma divindade itálica que estava associada à guerra e agricultura.
«Foice em ferro de Vaiamonte, Época Romana / MNA»
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A ara apresenta os atributos militares – capacete, couraça, lança e escudo, e que podem ser indicativos do cariz militar que o devoto «Marcus Coelivs Celsvs» lhe quis atribuir.
Localização: Vaiamonte (Monforte)39° 5’41.43″N
7°31’30.66″W Vaiamonte * Sites consultados: (http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/arqueologico-endovelico/sitios/?sid=sitios.resultados&subsid=49120)





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