Scroll To Top

A Villa Romana de Pisões (Santiago Maior, Beja)

A villa Romana de Pisões foi acidentalmente descoberta nos anos 60 do século XX, durante trabalhos agrícolas, dando-se de imediato início à sua investigação arqueológica.

Foi a villa romana de Pisões intervencionada por diversos arqueólogos, com particular destaque para Fernando Nunes Ribeiro, que aí efectua os primeiros trabalhos de escavação, comprovando estar em presença de uma importante exploração agrícola da época romana que escavará em extensão, pondo a descoberto praticamente todos os vestígios que hoje podem ser observados e que correspondem à parte da villa designada de pars urbana – a casa ricamente ornamentada do proprietário. As áreas directamente relacionadas com a exploração agrícola, como as habitações dos criados e armazéns – a chamada pars rustica – e os celeiros e lagares – a pars fructuaria, encontram-se, ainda hoje, por escavar.

Foto do Livro “A Villa Romana de Pisões”
de Fernando Nunes Ribeiro (Beja 1972)

A villa ocupa uma área de cerca de 30 000 m2, situando-se numa zona aplanada e prolongando-se por uma suave encosta até à ribeira da Chaminé. Reflecte um modelo arquitectónico centrado num átrio – peristilo, com um tanque decorativo central e uma colunata envolvente, em torno do qual se distribuem as cerca de quarenta divisões da casa, cuja fachada principal abria para um grande tanque exterior – natatio, para além do qual se situam vestígios de mausoléus familiares, do quais foram, até ao momento, escavados três.

(Átrio colunado do Peristilo com vista para escadaria norte)

A riqueza do proprietário e o gosto da época são visíveis quer no revestimento dos pavimentos, com mosaicos e mármores, quer no das paredes, com pintura mural, da qual se conservam, ainda, alguns vestígios. Os mosaicos, de grande variedade e riqueza estética, revelam composições geométricas e naturalistas, com destaque para a representação de aves (pombas) e animais marinhos (uma enguia e um peixe).

(Sala / pequeno templo, com mosaico da enguia e do peixe)

Junto à casa situam-se as termas, que constituem um dos mais relevantes exemplares de banhos privados encontrados em território português, sendo notável o estado de conservação de alguns compartimentos e, principalmente, de todo o sistema de aquecimento dos mesmos, possibilitando a circulação de ar quente entre paredes duplas e sob os pavimentos das salas, que assentam num complexo sistema de arcaria em tijolo, denominado hipocausto, excepcionalmente bem conservado.

(Hipocausto, excepcionalmente bem conservado)

A sua ocupação, iniciada em meados do século I A.C., ter-se-á prolongado por toda a época romana, até ao século IV D.C., existindo indícios, nomeadamente no edifício termal, de, pelo menos, duas fases construtivas, que se devem ter reflectido numa reestruturação de todo o espaço da casa do proprietário. Nas escavações foram, igualmente, recuperados elementos que apontam para uma continuidade desta ocupação durante as Antiguidade Tardia e época islâmica.

(Barragem, represa romana junto ao sítio arqueológico)

Na área limítrofe, do outro lado do actual caminho de acesso ao sítio, situa-se a barragem, também romana, que, represando a água da ribeira da Chaminé, alimentaria a villa de grande parte da água necessária ao seu consumo, para além de servir de apoio às actividades agro-pecuárias praticadas na propriedade. Construída em alvenaria de pedra e argamassa – opus incertum – teria uma albufeira com cerca de 340 m de comprimento e 31 300 m2 de área inundada, armazenando um volume de água de 38 000 m3.

Contrariamente ao que acontece na maioria dos sítios romanos, onde não existem quaisquer dados concretos sobre os seus habitantes, foi encontrado, em Pisões, um pequeno altar ou arula votiva em mármore, com um voto a Salus, deusa da felicidade e da saúde.

(Ara dedicada a Gaio Atílio Cordo)

Dedicado pelo escravo Catulo a Gaio Atílio Cordo, é admissível a hipótese de este nome corresponder ao proprietário da villa em determinado momento do século I d.C., data atribuída a este achado, sendo Catulo um dos seus escravos.

À entrada do sítio arqueológico encontra-se uma pequena construção, hoje casa da guarda das ruínas, que foi, anteriormente, habitação do guarda da linha-férrea que assegurava a ligação Beja – Funcheira, com seguimento para o Algarve.

No caminho de acesso à villa, junto à barragem romana, podem, ainda, hoje, observar-se os vestígios dos pisões que terão dado o nome a este sítio arqueológico. Trata-se de um engenho muito posterior à época romana que terá utilizado, para o seu funcionamento, através de uma levada, a água da ribeira da Chaminé.

Desconhece-se a cronologia deste engenho, sabendo-se, contudo, que muitos pisões só deixaram de estar em funcionamento ao longo da primeira metade do século XX.

É gerida através de uma parceria entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara Municipal de Beja, integrando a Rede Museológica deste município.

 
Protecção legal
Imóvel de Interesse Público, em 1970 (Decreto nº 251/70, Diário do Governo nº 129, de 3/6/1970)
Localização
Distrito de Beja, município de Beja, freguesia de Santiago Maior

About the author

admin

2 Comments

  1. José Vasconce
    2011/09/17 at 20:06

    Sabendo-se que ao tempo da descoberta, e mesmo mais tarde, era bastante habitual, quando as mesmas eram feitas em terrenos agrícolas ou de 'mais valia' para os proprietários, serem mandadas enterrar novamente, senão mesmo destruir, seria interessante, e até justo, conhecer como neste caso isso não aconteceu.


  2. catia
    2012/10/19 at 10:35

    visitei este ano em junho a villa romana de pisões, e so tenho a dizer, quem me dera te la encontrado com o esta nestas fotos.
    quanda la estive, estavam completamente abandonadas: as ervas cresciam por todas a parte, os muros que ainda estavam de pe estavam a ruir, as cordas estavam a desfazer-se. enfim…e uma pena. espero k da proxima vez k la for estejam melhores


Leave A Response

You must be logged in to post a comment.